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Rio adia definição sobre adiamento do Carnaval em 2021

Comemoração da Viradouro, campeã do Carnaval carioca em 2020  - Lucas Landau/UOL
Comemoração da Viradouro, campeã do Carnaval carioca em 2020 Imagem: Lucas Landau/UOL

Do UOL, em São Paulo

15/07/2020 14h24Atualizada em 15/07/2020 18h40

O Rio de Janeiro adotou hoje discurso parecido com o das escolas de samba cariocas sobre a definição de um adiamento oficial do desfile no Carnaval de 2021. Para o subsecretário de eventos do Governo do Estado do RJ, Rodrigo de Castro, ainda não é possível definir se a festa será realmente adiada e para quando.

"Hoje o cenário é realmente de um atraso muito grande, por isso a gente ainda não consegue discutir um adiamento oficial do Carnaval", disse Castro em entrevista à CNN Brasil, lembrando a paralisação dos trabalhos nos barracões das escolas por conta da pandemia do coronavírus.

O subsecretário também citou as declarações do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM-BA), que disse ser impossível manter o cronograma do Carnaval na capital baiana caso uma vacina não esteja à disposição da população até novembro.

"A gente sabe das intenções do prefeito ACM Neto, de Salvador, mas acho que a base disso é muito o carnaval de rua. Mas quanto ao desfile a gente precisa pensar esse evento junto com as escolas, e a gente tem um cronograma a seguir", explicou Castro.

Ontem, a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio) se reuniu no Rio e também não conseguiu um consenso sobre o adiamento do Carnaval. A entidade definiu como prazo máximo para uma definição o mês de setembro, quando voltará a se reunir.

Mesmo sem uma definição, porém, a liga também tem o entendimento de que a disponibilidade da vacina é fundamental para garantir a realização do desfile.

"Imaginamos ter um desfile das escolas de samba em fevereiro, se houver uma vacina. Sem a vacina não temos como fazer este tipo de evento com aglomeração, porque o carnaval é isso", afirmou o presidente da entidade, Jorge Castanheira.

"O jogo de futebol pode acontecer sem plateia, a Fórmula 1 pode acontecer sem plateia, mas os desfiles das escolas de samba não podem ocorrer sem aglomerações dos desfilantes ou de quem está assistindo", completou Castanheira.

O discurso vai de encontro com o do subsecretário municipal, que ainda lembrou o fato de pessoas essenciais para o Carnaval carioca serem do grupo de risco da covid-19.

"A gente tem que ponderar que aqueles que são os artistas que tradicionalmente fazem o carnaval, os desfiles das escolas de samba acontecerem, a gente tem entre eles a velha guarda, a ala das baianas, são artistas, componentes com idade já bastante avançada, no grupo de risco", lembrou Castro.

Em posterior comunicado, a Riotur (Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro S.A) reconheceu que não é possível "ainda não é possível falar em definição sobre o Carnaval". Mesmo assim, disse estudar "alternativas para diversos cenários".

"O Carnaval é um feriado nacional e envolve outras esferas, e não apenas a municipal, e, no Carnaval de rua, envolve também as ligas representantes dos blocos, o Gaesp (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público) e as associações de moradores. Trata-se, portanto, de uma questão muito ampla, com vários atores envolvidos, além de uma análise de toda a situação, incluindo o número de casos, a evolução no tratamento da doença, a prevenção e até uma vacina. Uma decisão sobre este assunto, claro, deve ser tomada em conjunto, sempre baseada em estudos científicos que garantam a segurança de todos", registrou a Riotur em nota.

A empresa lembrou o impacto econômico causada pela pandemia, especialmente no setor do turismo. E afirmou que, caso as festas de rua não ocorram em 2021, o Caderno de Encargos válido até 2023 terá sua validade prorrogada por um ano.

"A Riotur mantém conversas com o Ministério Público para o desenvolvimento do Caderno de Encargos do Carnaval de Rua, com vigência para os carnavais de 2021, 2022 e 2023. Em caso de adiamento para o próximo ano, o Caderno de Encargos será válido também por três anos, que seriam os subsequentes (2022, 2023 e 2024). Concluída a etapa da produção do Caderno de Encargos, ele será enviado ao prefeito Marcelo Crivella para avaliação da viabilidade do evento junto de seu Gabinete Estratégico e Científico. Concluídas todas as etapas, a Riotur publicará o Caderno de Encargos", concluiu.

*Com informações da Agência Brasil

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