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Decisão do CAS de banir a Rússia por doping gera dor de cabeça para a Fifa

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

01/03/2021 08h36

Por Thiago Braga

A participação da Rússia na Copa do Mundo do Catar, em 2022, é cada vez mais improvável. Apesar de o CAS (Corte Arbitral do Esporte) cortar pela metade a punição da Rússia, de quatro para dois anos o banimento das competições esportivas mundiais, a Rusada (Agência Antidoping da Rússia), decidiu não recorrer da decisão e assim é improvável que o país volte a ter direito de disputar esses torneios.

"Acredito que a Wada (Agência Mundial Antidoping) gostaria que as delegações russas fossem banidas de todas as competições. No caso da Fifa, em teoria, eles têm que respeitar a decisão da Wada, porque a Fifa é uma federação internacional signatária do código da Wada. E o futebol é um esporte olímpico. Só que é cedo para saber porque algumas brigas de jurisdição vão acontecer para que a Rússia possa competir. É uma incógnita bem grande por que é uma questão política e diplomática", resumiu Lara Santi, biomédica e especialista em biotecnologia, drogas no esporte pelo COI e oficial de controle de dopagem.

A Rússia está no Grupo H das eliminatórias para a Copa do Mundo ao lado da Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Chipre e Malta. A Fifa não tomou nenhum posicionamento público sobre o tema. A entidade apenas que "está ciente da decisão do CAS e agora avaliará suas consequências".

"A decisão não proíbe a Rússia de participar das eliminatórias. Porque se houver uma reversão da decisão lá na frente, e ela tiver sido impedida de disputar uma qualificatória, isso seria um problema. No final das contas, ela não deveria participar", afirmou o advogado especialista em direito esportivo Raphael Paçó Barbieri.

Uma saída para a Rússia poder disputar a Copa do Mundo em 2022 pode ter sido dada pela equipe russa de handebol. No Mundial da categoria, disputado em janeiro deste ano, a seleção teve de jogar com o nome de "Equipe da Federação Russa de Handebol" e o brasão da Rússia no Mundial foi substituído pelo símbolo da Federação de Handebol nos uniformes dos jogadores.

Mesmo que a Rússia de alguma forma consiga participar do Catar, não será permitido fazê-lo sob a bandeira do país. O hino nacional russo também não pode ser tocado ou cantado, o que significa que, se se classificar, a Rússia terá que competir com um nome neutro.

Não há precedente conhecido de uma equipe competindo na Copa do Mundo que não represente uma associação nacional membro da Fifa ou tenha o nome de seu país. Os estatutos da Fifa deixam claro que a Copa do Mundo é um torneio para as associações e seleções nacionais que disputam.

"O painel impôs consequências para refletir a natureza e a gravidade do não cumprimento e para garantir que a integridade do esporte contra o flagelo do doping seja mantida. Ele considerou questões de proporcionalidade e, em particular, a necessidade de efetuar mudanças culturais e encorajar a próxima geração de atletas russos a participar de esportes internacionais limpos", disse o CAS, em comunicado, após reduzir a pena da Rússia por conta do doping estatal produzido pelo governo russo, que depois ainda apresentou dados relativos aos exames antidoping adulterados para a WADA, na tentativa de acobertar as irregularidades cometidas.

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