PUBLICIDADE
Topo

Em apuração emocionante, Viradouro vence com justiça o Carnaval do Rio

Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

26/02/2020 23h12

Em uma das apurações mais disputadas e emocionantes dos últimos anos, a Unidos do Viradouro conquistou o seu segundo título da história. A vitória fez jus ao trabalho de reconstrução da escola, que, até 2018, padecia no Grupo de Acesso.

Em seu segundo desfile em seu retorno às grandes, a agremiação de Niterói, se não fez um desfile arrebatador como o do ano passado, apresentou um trabalho bastante consistente, com belas alegorias e fantasias, uma ótima bateria, um desempenho convincente de seus quesitos de chão e um samba, que se não estava entre os melhores do ano, caiu no gosto do público com o grudento refrão "ensaboa, mãe".

A Viradouro conseguiu a virada na leitura das notas do penúltimo quesito, evolução - justamente o calcanhar de Aquiles da vice-campeã Grande Rio, que fez um belíssimo desfile embalado pelo melhor samba-enredo do ano. A escola de Duque de Caxias se perdeu pelos inúmeros problemas de espaçamento entre alas durante o seu cortejo. A derrota foi doída, mas inteiramente justa.

A Mocidade ficou em terceiro lugar e poderia até ter chegado mais longe, não fosse os dois décimos perdidos pela sua bateria. A Beija-Flor de Nilópolis, quarta colocada, disputou por grande parte da apuração, mas viu o sonho do título escorrer pelas mãos em evolução e harmonia - quesitos em que era insuperável nos tempos de Laíla.

Laíla, que, por sua vez, vive o ponto mais baixo de sua vitoriosa carreira após o justíssimo rebaixamento da União da Ilha do Governador. A agremiação insulana volta ao Grupo de Acesso depois de 10 anos na elite e, marcada por um desfile que contrariou sua tradição de carnaval alegre e descontraído, terá que se refazer para disputar o título em 2021.

Ao lado da Ilha, a Estácio de Sá foi rebaixada, com algumas notas bastante reclamadas por seus integrantes. De fato, em certos momentos, os jurados parecem estar destinados a rebaixar as escolas que sobem do Acesso, dando notas que dificilmente superam o 9,8. É o chamado "peso da bandeira", que sempre atinge as escolas de menor torcida.

De uma forma geral, o julgamento foi justo e coerente. Em uma disputa tão difícil e acirrada, decidida nos detalhes, qualquer uma das oito primeiras colocadas poderia ter chegado à vitória. Os jurados penalizaram as escolas em seus quesitos mais problemáticos. Um exemplo foi a Portela, justamente descontada em comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira.

O Salgueiro, logo no início da apuração, saiu da briga por conta das notas de seu samba-enredo, que era um dos mais frágeis da temporada. A Vila Isabel saiu do Desfile das Campeãs por conta das fragilidades de seu samba e de seu enredo.

Veja a classificação geral do Carnaval 2020 do Rio de Janeiro:

  1. Viradouro (269,6 pontos)
  2. Grande Rio (269,6 pontos)
  3. Mocidade (269,4 pontos)
  4. Beija-Flor (269,4 pontos)
  5. Salgueiro (269 pontos)
  6. Mangueira (268,9 pontos)
  7. Portela (268,8 pontos)
  8. Vila Isabel (268,6 pontos)
  9. Unidos da Tijuca (267,6 pontos)
  10. São Clemente (267 pontos)
  11. Paraíso do Tuiuti (266,2 pontos)
  12. Estácio de Sá (264,7 pontos)
  13. União da Ilha (264,2 pontos)

Anderson Baltar