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Artistas negros e seus filhos estarão no último carro do Salgueiro

Os atores Milton Gonçalves e Jorge Coutinho com os filhos de Mussum e o carnavalesco Alex de Souza  - Divulgação
Os atores Milton Gonçalves e Jorge Coutinho com os filhos de Mussum e o carnavalesco Alex de Souza Imagem: Divulgação
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

Especial para o UOL, no Rio

16/01/2020 20h36

Com um enredo que registra os 150 anos de nascimento de Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro brasileiro, os Acadêmicos do Salgueiro tiveram visitas especiais em seu barracão na tarde desta quinta-feira (16). Convidados de honra do último carro alegórico da escola, os atores Milton Gonçalves e Jorge Coutinho, além de Sandro, Augusto e Igor Gomes, filhos do comediante Mussum, garantiram presença no desfile e conheceram detalhes do enredo criado pelo carnavalesco Alex de Souza.

Extremamente emocionado, Milton Gonçalves afirmou que o convite do Salgueiro foi irrecusável. "Em um país que esquece sua história e os negros lutam ainda por respeito e igualdade, este enredo é fundamental. Aceitei o chamado do Salgueiro como se fosse uma convocação", afirmou o ator, mangueirense de carteirinha e que se disse ciente da responsabilidade de desfilar pela vermelho e branco: "Não é apenas um desfile, é um encontro de grandes nomes, todos lutando pela nossa cultura".

Tradicional militante da cultura negra, Jorge Coutinho debutará no Salgueiro, escola que diz ter frequentado bastante na juventude. "Eram tempos do samba no morro e que o Salgueiro trazia enredos negros fantásticos como 'Xica da Silva'. Apesar de ser Mangueira, sempre tive amigos aqui e estou muito feliz em estrear na escola", relatou.

Alex de Souza destacou que a participação dos artistas negros é um dos principais trunfos do desfile salgueirense. Além de resgatar um personagem cultural pouco lembrado, o desfile tem a pretensão de homenagear aqueles que ele denomina "herdeiros de Benjamin". No último setor da escola, uma ala com palhaços levará balões com nomes de comediantes que seguiram o legado de Benjamin de Oliveira como Grande Otelo (cujo filho, Pratinha, já confirmou presença no desfile), Mussum, Marina Miranda, Tião Macalé, Jorge Lafond, dentre outros.

Na alegoria, mais de 20 artistas negros e seus descendentes marcarão presença. "Queremos relembrar esse artista completo, que marcou o apogeu do circo brasileiro e homenagear a classe artística negra. É muito bom receber representantes tão fundamentais", destacou o carnavalesco.

Sandro Gomes, por sua vez, mostrou-se grato pela oportunidade de seu pai ter sido lembrado mais de 25 anos após sua morte. "Fico feliz em constatar o quanto ele ainda é importante para o povo brasileiro. Desde criança, meu pai sempre me falou dos grandes artistas negros que o inspiraram. Estar do lado desses ídolos é um presente".

O Salgueiro será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval com o enredo "O rei negro do picadeiro".

Anderson Baltar