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Portela fecha 1º dia de desfiles com brilho, 'arrastão' e grito de 'campeã'

Desfile da Portela na Marquês de Sapucaí - Júlio César Guimarães/UOL
Desfile da Portela na Marquês de Sapucaí
Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Do UOL, em São Paulo e no Rio

24/02/2020 05h06

Resumo da notícia

  • Portela encerrou o desfile à luz do dia com muita cor e brilho
  • Desfile assinado por Renato Lage e Márcia Lage celebrou primeiros indígenas do Rio
  • Com gritos de 'É campeã!', escola finalizou com 'arrastão' de milhares de foliões

Tendo o amanhecer carioca como pano de fundo, a Portela entrou na Sapucaí propondo a "conscientização política e social da coletividade no Brasil", com o samba-enredo "Guajupiá, Terra Sem Males" no Carnaval 2020. O tema indígena retomou a história dos primeiros habitantes do Rio, fechando em grande estilo o primeiro dia do Grupo Especial, marcado por belezas, discursos engajados e problemas em carros e na evolução de desfiles.

A agremiação retomou a grandiosidade de seus últimos desfiles, promoveu um show de luzes e de fantasias e alegorias repletas de plumas artificiais. Alas coreografadas e muito capricho técnico deram o tom daquela que já pode ser apontada como uma das mais belas apresentações da folia. Após quebrar um jejum de mais de 30 anos em 2017, quando se sagrou campeã, a Portela vem novamente como favorita, aposta certa para o desfile das campeãs.

Comissão antropofágica

O coreógrafo Carlinhos de Jesus criou uma comissão de frente que encenou um ritual de antropofagia do povo tupinambá, com direito a captura e decapitação de um homem. Os índios da tribo tupinambá, que tinham o cabelo raspado no meio da cabeça, tingiam o corpo de azul para cometer atos de canibalismo. Em entrevista ao UOL, Jesus disse que não esperava aplausos. "Ideia era chocar".

Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo

Como veio a águia

A Portela traz sempre uma questão quando chega a sua vez: como aparecerá a mítica águia que simboliza a escola e sua rica história? Este ano, no carro abre-alas, ela veio mais baixa e em uma versão luminosa, com cabeça e asas articuladas, que pareciam se multiplicar em ondas. Um belo e inédito movimento, que surpreendeu.

Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo

Luzes do dia

Sabendo que seria última escola a desfilar no domingo, a Portela adotou cores brilhantes e espelhos em alegorias, para refletir a luz do dia que já começava a raiar. Funcionou muito bem. O desfile primou pelas cores fortes fluorescentes e vastidões de brilho. Um espetáculo "technicolor" que remeteu a Carnavais de outros tempos.
Luciola Vilella/UOL
Imagem: Luciola Vilella/UOL

Fim da era topless?

Antes onipresentes na avenida, mulheres exibindo os seis viraram item raro nos desfiles. Na Portela, no carro alegórico mostrando uma grande festa tupinambá trazia várias musas representando índias, e todas elas usavam sutiã, algo impensável, por exemplo, nos tempos do carnavalesco Joãosinho Trinta. O mundo e o Carnaval mudam.
Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo

Arrastão

Outro momento inesquecível para os portelenses: o "arrastão" com milhares de foliões que saíram das arquibancadas e puderam acompanhar o fim da carreata na avenida. A imagem é bonita, e é sempre uma ótima forma de encerrar com energia um desfile, além de homenagear quem realmente faz o Carnaval, o povo. Os gritos de "é campeão" contagiaram.
Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo

Samba-enredo

"Guajupiá, Terra Sem Males"

Compositores Valtinho Botafogo, Rogério Lobo, José Carlos, Zé Miranda, Beto Aquino, Pecê Ribeiro, D'Sousa e Araguaci
Intérprete Gilsinho

Clamei aos céus
A chama da maldade apagou
E num dilúvio a terra ele banhou
Lavando as mazelas com perdão
Fim da escuridão
Já não existe a ira de Monã
No ventre há vida, novo amanhã
Irim Magé já pode ser feliz
Transforma a dor
Na alegria de poder mudar o mundo
Mairamuana tem a chave do futuro
Pra nossa tribo lutar e cantar

Auê, auê, a voz da mata, okê, okê arô
Se Guanabara é resistência
O índio é arco, é flecha, é essência

Ao proteger karioka
Reúno a maloca na beira da rede
Cauim pra festejar? purificar
Borduna, tacape e ajaré
Índio pede paz mas é de guerra
Nossa aldeia é sem partido ou facção
Não tem "bispo", nem se curva a "capitão"
Quando a vida nos ensina
Não devemos mais errar
Com a ira de Monã
Aprendi a respeitar a natureza, o bem viver

Pro imenso azul do céu
Nunca mais escurecer

Índio é tupinambá
Índio tem alma guerreira
Hoje meu Guajupiá é Madureira
Voa Águia na floresta
Salve o Samba, salve ela
Índio é dono desse chão
Índio é filho da Portela

Rio de Janeiro