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Com fantasia de Jesus, rainha de bateria da Mangueira desfila sem sambar

Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira, desfila representando Jesus - Júlio César Guimarães/UOL
Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira, desfila representando Jesus Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Lola Ferreira

Colaboração para o UOL, no Rio

23/02/2020 23h46

Rainha de bateria de Mangueira, Evelyn Bastos desfila hoje como Jesus crucificado, com uma fantasia que deixa seu corpo coberto e traz marcas de chagas feitas com maquiagem. E, por isso, ela percorre a avenida sem sambar.

Muito emocionada, a rainha, que vem se preparando psicologicamente para o desfile há um mês, diz ao UOL que a decisão de não sambar foi tomada pelo fato de o ritmo ainda ser muito associado ao sexo.

"Infelizmente, nossa dança ainda é vista como sexual. Para nós, é cultural. A luta é grande. Desfilar sem sambar é a maior experiência da minha vida".

Evelyn tem esperanças de que o público entenda a mensagem que a Mangueira quer passar com o desfile. A rainha explica, ainda, que o Jesus que ela representa é contra todos os tipos de preconceito: "Sem homofobia, racismo e machismo".

Jesus 'em corpo de mulher'

Abordando a religiosidade, o samba-enredo "A Verdade vos Fará Livre", da Mangueira, faz uma crítica nada velada ao presidente Jair Bolsonaro e a ideologia política que ele representa.

O desfile conta a história de um Jesus Cristo "da gente", "rosto negro, sangue índio, corpo de mulher", que passa pelas agruras e questiona como sua mensagem é recebida pelo brasileiros. Os versos falam de "opressão" e "profetas da intolerância". "Não tem futuro sem partilha nem messias de arma na mão", cantam os integrantes.

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