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Carnaval RJ: escolas avisam que só vão desfilar se houver vacina da covid

O desfile da Mangueira no Carnaval 2020 - Júlio César Guimarães/UOL
O desfile da Mangueira no Carnaval 2020 Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Do UOL, em São Paulo*

14/07/2020 08h30

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) vai se reunir hoje para discutir os rumos do Carnaval 2021 em meio à pandemia do novo coronavírus. Um grupo que inclui Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Beija-Flor e São Clemente adiantou para o jornal Extra que vai votar por um adiamento da festa.

A ideia inicial é transferir o Carnaval da semana de 14 de fevereiro, data para a qual está atualmente marcado, para outros feriados, como a semana santa (em abril) ou o Corpus Christi (em junho) — mas mesmo este tipo de proposta só deve funcionar se houver uma vacina para a covid-19.

Fernando Fernandes, presidente da Vila Isabel, definiu: "Sem vacina, é inviável realizar o Carnaval em qualquer data, seja em fevereiro ou junho. [...] Há o risco de fazermos investimentos altos e, lá na frente, o contágio voltar a subir e a Justiça determinar a suspensão. O carnaval é um evento de aglomerações, da produção à realização na Sapucaí. Como seria? Componentes a dois metros de distância? Cantando com máscaras no rosto?".

Elias Riche, da Mangueira, defende que o Carnaval 2021 seja cancelado. "Como ficaria a consciência de um dirigente caso acontecesse a morte de, por exemplo, 50 componentes que tenham desfilado na sua escola?", refletiu.

Renatinho Gomes, da São Clemente, apontou ainda que é impossível retomar a confecção de carros e fantasias nos barracões das escolas enquanto não houver vacina, o que significa que os desfiles não estarão prontos para as datas previstas.

A prefeitura do Rio afirmou, em nota, que não é possível no momento definir a realização do Carnaval e que está estudando "alternativas para diversos cenários", ressaltando que a prioridade no momento é salvar vidas e evitar o avanço da covid-19.

"A Prefeitura do Rio segue concentrando os esforços para salvar vidas e controlar a pandemia na cidade. Neste momento, ainda não é possível falar em definição sobre o Carnaval Rio 2021 em função da pandemia da covid-19", informou a empresa municipal de turismo da cidade, a Riotur, em nota.

"O planejamento do Carnaval é naturalmente complexo e, no cenário atual, requer cuidados especiais. A festa reúne milhões de pessoas e, durante o período da folia, há uma intensa movimentação pela cidade, incluindo o aumento do uso do transporte público durante um extenso período de tempo", acrescentou.

O Rio de Janeiro é o segundo estado com maior número de mortes causadas pela covid-19 no Brasil, atrás apenas de São Paulo, com 11.474 óbitos em decorrência do novo coronavírus, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Por conta da pandemia, as atividades de preparação nos barracões e quadras das escolas de samba para os desfiles do próximo ano estão praticamente paradas, dificultando os preparativos das agremiações para o espetáculo.

"No cenário atual se pode dizer que vai adiar. Como fazer a festa e reunir milhões de pessoas nessas condições"", disse à Reuters uma fonte envolvida com os preparativos da festividade.

Não é só na Sapucaí

Enquanto os desfiles de escolas de samba enfrentam essa possibilidade de adiamento, o Carnaval de rua encara a mesma incerteza. Rita Fernandes, presidente da associação de blocos do Rio Sebastiana, também citou ao Extra a necessidade de uma vacina.

Ela disse que "a natureza do carnaval é pura aglomeração", e que "a imunização coletiva é a primeira condição" para a saída dos blocos. Rita ainda citou a troca de comando na prefeitura após as eleições municipais e a incerteza quanto a patrocínios.

"Também não sabemos qual será a resposta do público sobre a realização do Carnaval. Hoje, não temos condições de dizer como e quando será o próximo Carnaval", definiu.

*com informações da Reuters

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