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Papo Preto #14: Lázaro Ramos diz que trabalho é importante para a saúde mental

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De Ecoa, em São Paulo

09/12/2020 04h00

Apesar das dificuldades trazidas por 2020, o ano teve realizações importantes para Lázaro Ramos, ator de destaque em sua geração. Entre elas, esteve por exemplo a direção de "Falas negras", especial que foi ao ar em 20 de novembro na Globo e a finalização de dois livros de sua autoria, um voltado para adolescentes e outro para crianças.

No 14º episódio do Papo Preto, o ator, escritor e diretor baiano conta ao entrevistador Juca Guimarães que de início teve sua produtividade afetada pela pandemia do novo coronavírus.

Ramos afirma que o trabalho é importante para sua saúde mental: "Quando as coisas se estabilizaram um pouco, comecei a produzir muito, consegui resgatar a saúde que meu trabalho me traz", diz o ator (a partir de 7:42 do arquivo acima).

Ele explica que, com o tempo, a mudança de rotina imposta pela quarentena passou a ser encarada por ele como mais entre as situações difíceis que enfrentou desde que saiu de sua cidade natal, Salvador, aos 17 anos.

Poucos anos antes, ele havia se iniciado como ator no Bando de Teatro Olodum, tradicional grupo negro soteropolitano ao qual atribui parte fundamental de sua formação artística. "O Bando me explicou que tipo de artista eu gostaria de ser", diz (a partir de 9:25 do arquivo acima).

Ramos ressalta a importância e longevidade do grupo baiano: "É um grande feito um grupo de teatro estar junto há tanto tempo, com voz ativa e útil para a comunidade negra, para a cultura do Brasil", afirma (a partir de 9:14 do arquivo acima). O Bando está em atividade desde 1979.

Em sua trajetória pessoal, o grupo teatral abriu horizontes e mostrou novos caminhos. "Para um jovem negro, isso muda a vida da gente toda porque mtas vezes não tem referencias próximas, conhecimento ou rede de relação para entender as possibilidades que tem no mundo", afirma Ramos (a partir de 9:52 do arquivo acima).

Ele destaca que a trupe norteia seu caminho até hoje, ao mostrar ser possível aliar arte e ativismo e contar com atores que são seus ídolos,que estão preparados para qualquer personagem, tipo de espetáculo e situação e têm a capacidade de improvisar.

Essa versatilidade aparece na diversidade de papéis feitos por Lázaro Ramos, passando ao largo dos estereótipos que em geral restringem a representação do corpo negro na tela. Ele também fala de sua atuação como autor de teatro — que começou, na verdade, em decorrência do desemprego.

Papo Preto é um podcast produzido pelo Alma Preta, uma agência de jornalismo com temáticas sociais, em parceria com o UOL Plural, um projeto colaborativo entre o UOL e coletivos independentes. Novos episódios vão ao ar todas as quartas-feiras.

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