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Inspetor levanta R$ 170 mil em cesta básica para alunos na periferia de SP

Entrega de doações do projeto Cesta Básica do Amor - Arquivo Pessoal
Entrega de doações do projeto Cesta Básica do Amor Imagem: Arquivo Pessoal

Giacomo Vicenzo

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

30/07/2020 04h00

Foi com os cinco anos trabalhando como inspetor de alunos em escolas públicas de São Paulo que Alexandre Kombi Lopes, 49, entrou em contato com muitos profissionais da educação. Diante da pandemia de Covid-19, ele decidiu que era hora de acionar esse grupo. Do papo com uma amiga veio a inspiração: montar e entregar cestas básicas para doar a quem mais precisa — e, para saber quem são as pessoas, essa rede seria valiosa.

Assim nascia a Cesta Básica do Amor, iniciativa que já arrecadou R$ 170 mil e entregou cerca de 3.400 cestas básicas em bairros periféricos e comunidades da capital paulista e região metropolitana. Entre os locais em que a ação passou estão Brasilândia, na zona norte; Jardim Ângela, na zona sul; Guaianazes e São Miguel, na zona leste.

Tanto na doação quanto na distribuição o movimento envolve profissionais de escolas públicas onde os produtos de higiene pessoal, limpeza e alimentos são entregues. Ao todo, 30 pessoas fazem parte do grupo coordenador, mas até mil ajudam indiretamente.

"Nossas entregas estão relacionadas à comunidade escolar. No decorrer do projeto recebemos muitos pedidos de doação, quase sempre de escolas. Entramos em contato com as pessoas dessas unidades e pedimos suporte. Montam as listas de cadastro de famílias que serão beneficiadas e marcamos o dia", explica Lopes.

Os profissionais das escolas conhecem suas comunidades, sabem quem é mais vulnerável na sua região

Alexandre Kombi Lopes, criador do Cesta Básica do Amor

Entrega de doações do projeto Cesta Básica do Amor; ao fundo, Alexandre Kombi Lopes - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Entrega de doações do projeto Cesta Básica do Amor; ao fundo, Alexandre Kombi Lopes
Imagem: Arquivo Pessoal

Sentindo na pele e multiplicando a ajuda

Para a cozinheira Tatiana Silva Bezerra, 32, que trabalha em uma escola municipal da zona leste e mora sozinha com os três filhos na Favela da Vivi, no Itaim Paulista, foi depois de ser ajudada pelo projeto, e ver pessoas de sua comunidade também contempladas, que decidiu fazer parte do grupo.

"Faço por amor e agradecimento. Vejo a felicidade no olhar daquele necessitado. A fome já existia, mas a pandemia veio para dar aquele 'tapão na cara' da gente", comenta Bezerra. "As pessoas nos falam que não veem a hora da cesta chegar na comunidade porque não têm nada na dispensa. As crianças dizem que irão poder tomar leite. Isso dói na alma."

Ajudando a integrar a cesta básica do projeto está também o arroz orgânico vendido e produzido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). "Hoje temos uma relação tão forte com o movimento que já temos crédito com eles. Foi estabelecida uma relação de confiança, até fiado nos vendem", conta Lopes.

Todos os itens das doações são comprados da loja Armazém do Campo, que trabalha com produtos agroecológicos, orgânicos e da agricultura familiar. "Penso que fortalecer esse movimento faz parte das ações, uma vez que ele também usa esse lucro em outras ações de solidariedade", comenta Alexandre sobre a escolha.

Para Adriana da Silva, 52, professora de educação infantil na rede municipal que está trabalhando de casa em período integral, essa foi a chance ainda de conhecer habilidades que não sabia que tinha. "Descobri o poder que as redes sociais têm — e que sou excelente negociadora", diz ela.

Entrega de doações do projeto Cesta Básica do Amor - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Entrega de doações do projeto Cesta Básica do Amor
Imagem: Arquivo Pessoal

No entanto, Silva revela que o medo do contágio da Covid-19 tem espantado novos voluntários. A professora também afirma ter vivenciado momentos que enxerga como parte de um descaso governamental com o povo periférico.

"A maior capital do país ter tanta miséria, pessoas descalças por não terem um chinelo para colocarem em seus pés, mães solo agradecerem a comida pois estão dando pão há dois dias para seus filhos. Muitos não receberam o auxílio emergencial e perderam suas rendas. É assustadora a realidade."

Como ajudar?

Para colaborar com doações ou se voluntariando, entre em contato com Alexandre Kombi Lopes pelo Instagram ou Facebook.

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