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Vila Isabel aplaude povo brasileiro em desfile tropicalista sobre Brasília

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

24/02/2020 22h46

Segunda escola a desfilar na Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira (24), a Unidos de Vila Isabel levou para a avenida um desfile tropicalista, com profusão de cores e brilhos, para homenagear Brasília, capital do Brasil.

Com o samba-enredo "Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil", a agremiação usou uma lenda indígena para narrar a história da cidade fundada em 1960.

Com sua nova rainha de bateria, Aline Riscado, o desfile carregado de brasilidade chamou a atenção pelo capricho nas alegorias. O carro abre-alas, de 70 metros de comprimento, trouxe uma índia gigante representando a pátria família, que criará Brasil e sua irmã, Brasília.

Aline Riscado estreia como rainha de bateria da Unidos de Vila Isabel - Luciola Vilella/UOL
Aline Riscado estreia como rainha de bateria da Unidos de Vila Isabel
Imagem: Luciola Vilella/UOL

A tradicional ala das baianas também encantou o público com saias rodadas estampadas com cachos de bananas.

Em seguida, outras alas homenagearam as regiões do Brasil que ajudaram a construir Brasília. O Sul se deslocou para o Centro-Oeste e povoou o cerrado. O Sudeste foi representado pela praia e pela bossa nova, estilo musical que embalou o Rio de Janeiro quando a cidade perdeu o título de capital federal.

O ex-presidente Juscelino Kubitschek, que inaugurou Brasília, foi representado por Robson Garrido no terceiro carro alegórico, homenageando Minas Gerais e com projeções de imagens da construção da nova capital.

A diversidade do Nordeste foi lembrada em alas homenageando o povo preto de Salvador, a primeira capital do Brasil, o cangaço, o maracatu e os candangos, nordestinos que deixaram as cidades de origem para tentar mudar de vida em Brasília. Um caminhão pau de arara foi retratado no quarto carro.

A escola encerrou o desfile homenageando Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, responsáveis pela construção de Brasília. O último carro alegórico reproduziu a Catedral da cidade, projetada por Niemeyer, e impressionou pelo brilho em tons prateados.

O desfile empolgou. Componentes da escola deixaram a avenida ainda cantando o samba-enredo a plenos pulmões, sustentando a letra durante uma "paradona" da bateria. Nas arquibancadas, torcedores gritavam "é campeã!".

A Vila Isabel já foi campeã três vezes do Grupo Especial —a última em 2013— e no ano passado terminou em terceiro lugar.

Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil

Compositores: Cláudio Russo, Chico Alves e Júlio Alves.

Intérprete: Tinga.

Sou eu!
Índio filho da mata
Dono do ouro e da prata
Que a terra mãe produziu

Sou eu!
Mais um Silva pau de arara
Sou barro marajoara
Me chamo Brasil
Aquele que desperta a cunhatã
Pra ouvir Jaçanã sussurrar ao destino
O curumim, o piá e o mano
Que o vento minuano também chama de menino
Do Tapajós
Desemboquei no Velho Chico
Da negra Xica, solo rico das Gerais
E desaguei em fevereiro
No meu Rio de Janeiro terra de mil carnavais

Ô viola!
A sina de Preto Velho
É luta de quilombola, é pranto é caridade

Ô fandango!
Candango não perde a fé
Carrega filho e mulher
Pra erguer nova

Cidade
Quando a cacimba esvazia
Seca a água da moringa
Sertanejo em romaria é mais forte que mandinga
Assim nasceu a flor do cerrado
Quando um cacique inspirado
Olhou pro futuro
E mandou construir
Brasília joia rara prometida
Que a Nossa Senhora de Aparecida
Estenda seu manto
Pro povo seguir
Sou da Vila não tem jeito, fazer samba é meu papel
Fiz do chão do Boulevard, meu céu
'Paira no ar' o azul da beleza
Gigante pela própria natureza

* Colaborou Igor Mello

Rio de Janeiro