PUBLICIDADE
Topo

Globo quer reduzir desfiles da Sapucaí em mais cinco minutos para 2021

Desfile da Beija-Flor na Sapucaí - Fernando Grilli / Divulgação/Riotur
Desfile da Beija-Flor na Sapucaí Imagem: Fernando Grilli / Divulgação/Riotur
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

19/02/2020 12h31

Se depender da TV Globo, o Carnaval do Rio no ano que vem terá desfiles ainda mais curtos que os de 2020. A emissora, dona dos direitos de transmissão do espetáculo da Sapucaí, já solicitou que a Liga das Escolas de Samba (Liesa) reduza em mais cinco minutos o período máximo em que as agremiações poderão cruzar a Avenida. Para os desfiles que começam no próximo domingo (23), o regulamento já prevê tempo menor que o de 2019: em vez de 75 minutos, serão 70. A intenção é que no ano que vem essa marca chegue a 65 minutos — ou uma hora e cinco minutos.

A grande preocupação dos diretores da Globo é tornar a transmissão dos desfiles cada vez mais dinâmica, adaptada à volatilidade da era das redes sociais e aos novos hábitos de consumo do público. Não à toa, há três anos a Liesa já havia promovido mudança no tempo de desfile: em 2017, em vez dos antigos 82 minutos, cada escola teve 75 para se apresentar na Passarela do Samba.

O cronômetro cada mais enxuto tem levado consequências aos desfiles: na mudança mais recente, escolas chegaram a excluir setores inteiros de seus roteiros — limando vagas para componentes, inclusive — e precisaram diminuir a quantidade de apresentações completas das comissões de frente e casais de mestre-sala e porta-bandeira diante dos jurados. Este ano, há menos exigência de integrantes nas alas de baianas, a mais tradicional e também a mais demorada na travessia do Sambódromo: em vez de 70 senhoras, passarão a ser exigidas apenas 60 em cada desfile.

Há impacto principalmente no número de alegorias, um dos principais atrativos para o público do Carnaval. Quando os desfiles passaram de 82 para 75 minutos, o máximo de alegorias permitidas em cada escola deixou de ser sete e passou a ser de seis — uma tentativa de garantir que nenhuma agremiação caísse na tentação de arriscar uma apresentação com mais carros do que seria possível com o tempo reduzido. Com a mudança em 2021 proposta pela TV Globo, uma nova regra deve recair sobre o quesito: as escolas podem ser liberadas a levar quantas alegorias quiserem para a Sapucaí, sem número mínimo ou máximo, desde que atendam aos novos 65 minutos de cortejo. No começo da década passada, não era raro assistir a desfiles com oito e até nove carros.

Embora tenha amplo poder de decisão sobre o próprio regulamento, a Liesa depende da transmissão da TV Globo para honrar os compromissos financeiros das escolas. Válido até 2025, o contrato que cede os direitos de imagem dos desfiles faz com que o canal pague cerca de R$ 2,6 milhões a cada uma das escolas de samba do Grupo Especial. Em tempos de dificuldades financeiras, sem dinheiro público garantido para a festa, essa grana tem sido cada vez mais decisiva para que os barracões da Cidade do Samba, na Zona Portuária, não parem de funcionar.

Com 65 minutos para desfilar, é possível que as agremiações precisem transformar os 700 metros de asfalto da Sapucaí em pista de corrida, como a São Silvestre, por exemplo: em cada apresentação, além das centenas de componentes, há momentos decisivos como a manobra para a entrada de alegorias (e depois a saida delas na dispersão, também delicada) e a permanência da bateria no recuo localizado entre as arquibancadas dos Setores 9 e 11 — necessária, entre outros motivos, para que o júri analise com mais calma o trabalho dos ritmistas. Se o tempo for curto, e ainda marcado por algum incidente, um eventual corre-corre pode se tornar inevitável e prejudicial para os desfilantes que sonham em encerrar o Carnaval com as mãos no título de campeões.

Leo Dias