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Escola vende cargos a partir de R$ 2 mil e superlota desfile com musas

Uma das musas do desfile da Renascer de Jacarepaguá em 2019 -  Richard Santos/Riotur
Uma das musas do desfile da Renascer de Jacarepaguá em 2019 Imagem: Richard Santos/Riotur
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

10/02/2020 05h00

Fazer Carnaval em meio à crise não é fácil para nenhuma escola de samba, muito menos para as que figuram na Série A do Rio de Janeiro. Com orçamento menor, as agremiações também são cobradas por encantar a Sapucaí com grandes espetáculos e a cada ano são observadas por mais e mais foliões.

Na tentativa de driblar a falta de grana e garantir verba para suas fantasias e alegorias, a Renascer de Jacarepaguá, sediada na Zona Oeste da cidade, criou uma alternativa. A vermelho e branco colocou cargos de musa à venda com valores que começam em R$ 2 mil e podem ser pagos por mulheres que sempre sonharam em brilhar na Avenida e não tiveram a oportunidade, ou ainda por beldades já conhecidas do povão e que não têm vagas garantidas em outras escolas.

No ano passado, a estratégia já estava em curso. Ao desfilar, a Renascer tinha maior número de alas do que musas. A aglomeração chegou a virar confusão em meio à concentração do desfile, já que o camarim do Sambódromo não comportava toda a mulherada e parte delas precisou se trocar embaixo do viaduto localizado atrás da arquibancada popular do Setor 1.

Este ano, a "vaquinha" paga pelas musas para garantir o desfile segue valendo. Nos bastidores, o papo é que o número de escaladas para os cargos pode passar de 30. Para não entediar o público, elas serão distribuídas em grupos de três ou quatro mulheres em frente das alas e alegorias. Quem quiser desfilar sozinha, é claro, precisa pagar mais caro.

O fato é que a maioria das pagantes não tem qualquer identificação com a comunidade. Muitas delas sequer são conhecidas pelos outros componentes e só aparecem no dia do desfile, incluindo musas que sequer vivem no Rio e nunca pisaram na quadra da escola.

A Coluna do Leo Dias procurou a assessoria de imprensa da Renascer, que não negou a venda dos cargos e informou que "a escola não fala sobre valores", mas que se as musas tivessem interesse em revelá-los, poderiam decidir por si mesmas.

Campeã no "quesito" musas (que não conta ponto), a agremiação perdeu seu casal de mestre-sala e porta-bandeira a quase um mês do desfile e precisou contratar outra dupla às pressas para tentar garantir as notas máximas na apuração. O enredo é sobre a sabedoria das rezadeiras.

Leo Dias