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Sem verbas municipais, escolas de samba do Rio naufragam ao tentar Rouanet

Marquês de Sapucaí no desfile 2019 - Divulgação / Liesa
Marquês de Sapucaí no desfile 2019 Imagem: Divulgação / Liesa
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

04/02/2020 11h49

No ano em que a Prefeitura do Rio suspendeu completamente a subvenção para o Grupo Especial do Carnaval carioca, escolas de samba buscaram a Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet) e, a vinte dias dos desfiles, não obtiveram sucesso na captação de recursos. Entre as oito agremiações que tiveram projetos aprovados com foco na temporada deste ano, apenas a Grande Rio obteve êxito arrecadando cerca de R$ 530 mil para o seu enredo em homenagem a Joãozinho da Goméia, líder do candomblé com importância para a história do município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Além da Grande Rio, apresentaram projetos para captação: Vila Isabel, Mangueira, Mocidade, Unidos da Tijuca, Portela, Salgueiro e Viradouro. É praxe que as escolas tentem captar recursos com empresas por meio de isenção fiscal. No ano passado, por exemplo, as propostas de Grande Rio e Vila seduziram investidores e conseguiram juntas quase R$ 2 milhões — sozinha, a escola caxiense conquistou R$ 1,5 milhão para seu enredo patrocinado sobre a educação como saída para os problemas do Brasil. Em 2018, quando a administração municipal atraiu a Uber como patrocinadora, as 13 agremiações que integravam o grupo naquele ano lucraram por meio da Rouanet. Em 2017, a Grande Rio captou R$ 3 milhões para sua homenagem à Ivete Sangalo e a Mangueira garantiu R$ 1 milhão para cantar o sincretismo religioso brasileiro.

Com a decisão do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) de acabar de vez com a pouca destinação de recursos municipais para a elite do samba, uma guinada na captação via Lei de Incentivo poderia ajudar a repor o vácuo deixado nas contas das agremiações. A queda na arrecadação já vinha acontecendo desde 2017, quando o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), entusiasta da festa, passou o bastão paras seu sucessor. Mas só agora, no fim do primeiro mandato de Crivella, foi que as escolas realmente ficaram fora do orçamento municipal. Em vez de compensar a falta de verba com o aumento de patrocínios "via Rounet", o número de escolas beneficiadas caiu, assim como o montante conquistado. São reflexos da crise financeira que assusta o estado fluminense e também da falta de interesse na Avenida por parte do mercado publicitário, cada vez mais atento à folia dos blocos de rua.

Assim como as escolas, a própria Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa) recorreu à Lei de Incentivo para tentar viabilizar os ensaios técnicos na Sapucaí. No entanto, com as obras no Sambódromo, a captação nem chegou a ocorrer. Há liberação para que o projeto possa arrecadar até R$ 3,6 milhões de reais, mas ele deverá ser encerrado antes que qualquer centavo apareça. Nos bastidores, a promoção dos ensaios já é dada como praticamente impossível e, aos mais esperançosos, resta apenas esperar que o teste de luz e som da Sapucaí, programado para o dia 16 de fevereiro, continue de pé. A expectativa é de que o treino ocorra com a Mangueira, campeã do Carnaval de 2019.

Veja abaixo a relação de escolas e os montantes autorizados pelo governo para captação via Lei de Incentivo à Cultura. (Como se tratam de recursos obtidos via isenção fiscal, é preciso que o Ministério da Cidadania dê um aval para que as agremiações busquem um montante pré-estabelecido. No entanto, diante da falta de interesse do mercado, o valor arrecado é diferente do aprovado).

GRANDE RIO
Valor autorizado: R$ 2.058.138,00
Valor arrecadado: R$ 536.000,00

VILA ISABEL:
Valor autorizado: R$ 4.992.530,50
Valor arrecadado: R$ 00,00

MANGUEIRA:
Valor aprovado: R$ 2.479.867,75
Valor arrecadado: R$ 00,00

MOCIDADE:
Valor aprovado: R$ 5.637.100,81
Valor arrecadado: R$ 00,00

UNIDOS DA TIJUCA:
Valor aprovado: R$ 2.729.050,00
Valor arrecadado: R$ 00,00

PORTELA:
Valor aprovado: R$ 2.136.981,60
Valor arrecadado: R$ 00,00

SALGUEIRO:
Valor aprovado: R$ 988.257,60
Valor arrecadado: R$ 00,00

VIRADOURO:
Valor aprovado: R$ 1.717.720,00
Valor arrecadado: R$ 00,00

Leo Dias