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Eliminatórias Sul-Americanas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: O real lugar de Gustavo Gómez na história do Palmeiras

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

01/12/2021 10h11

O bicampeonato da Liberadores gerou a alguns jogadores do Palmeiras uma mudança de patamar dentro da trajetória do clube. Vencer uma vez o principal torneio sul-americano já marca os atletas positivamente. O que dirá então de um que foi determinante nas finais de 2020 e 2021. Seria exagero dizer que Gustavo Gómez pode ser considerado o maior zagueiro da história do Palmeiras?

É claro que os mais tradicionalistas rejeitarão. É compreensível que muitos tenham dificuldade em ter a exata dimensão da história enquanto ela está sendo contada. Esse tipo de reconhecimento costuma vir anos depois dos fatos, após o encerramento da carreira de determinados atletas.

Não se trata de reduzir Luis Pereira, Bianco Gambini, Valdemar Carabina, Loschiavo, Cleber, Roque Junior, Junqueira ou qualquer outro que tenha formado na zaga palestrina em 107 anos de história.

Mas sim exaltar a regularidade em alto nível, os feitos, a liderança, e os títulos conquistados pelo paraguaio de 28 anos em três temporadas e meia como zagueiro do Palmeiras. Ele caminha a passos largos para os 200 jogos com a camisa alviverde e já tem cinco títulos pelo clube. Além do bi na Libertadores, possui uma Copa do Brasil, um Brasileirão e um Campeonato Paulista.

01 - Staff Images/Conmebol - Staff Images/Conmebol
Gustavo Gómez durante a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo
Imagem: Staff Images/Conmebol

Arma letal na bola aérea ofensiva, já marcou 17 gols e é o sétimo ''zagueiro artilheiro'' da história do clube. Deu também uma assistência em três anos e meio, mas certamente a maior contribuição vem na proteção que dá à área da equipe. Formado pelo Libertad(PAR), Gómez subiu aos profissionais do clube com apenas 18 anos, e antes dos 20 já era titular. Foi campeão local e não demorou para ser negociado com o Lanús.

Chamou a atenção do Milan, na sequência, mas não conseguiu se firmar no clube italiano e chegou ao Palmeiras, inicialmente por empréstimo, em julho de 2018. Pouco tempo depois já havia se tornado titular com Luiz Felipe Scolari e o Verdão o comprou nas temporadas seguintes por cerca de 25 milhões de reais. Não saiu mais da equipe principal e conquistou o coração dos torcedores, assim como a confiança de todos os treinadores que passaram pelo clube.

Gustavo Gómez é o típico zagueiro ''guarani'' de alto nível. Ótimo posicionamento, imposição na bola aérea, firmeza nos combates, leitura correta das jogadas e capacidade de antecipação. Mesmo não sendo um defensor tão rápido e não possuindo uma saída de bola tão qualificada, compensa com muita atitude em campo. Vai bem nos passes longos, como no lance que deu origem ao primeiro gol do Palmeiras na final diante do Flamengo, no último sábado.

A mudança de lado na defesa, da esquerda para a direita, visando dar mais segurança a um setor desfalcado da última linha alviverde na final da Libertadores, corrobora a diferença que o paraguaio pode fazer num contexto favorável. Ganhou duelos primordiais contra Arrascaeta e Bruno Henrique. Foi um tormento para os atacantes rubro-negros.

Defendendo com linhas mais recuadas, Gómez é um ''monstro'', muito acima da média no futebol sul-americano. E constrói uma trajetória que nos permite considerá-lo o maior zagueiro da história do Palmeiras.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL