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Dragões da Real leva o poder do riso ao Anhembi e impressiona com alegorias

Dragões da Real desfila no Anhembi - Ricardo Matsukawa/UOL
Dragões da Real desfila no Anhembi
Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

Do UOL, em São Paulo*

22/02/2020 01h51

Em busca de seu primeiro título de campeã do Carnaval de São Paulo, a Dragões da Real, atual vice, levou humor e alegria para o Anhembi, em um desfile que homenageou os Doutores da Alegria e impressionou com fantasias luxuosas, alegorias grandes e bem acabadas.

O samba enredo caiu no gosto do público —e não foram só os componentes da escola que cantaram nas paradinhas do intérprete Renê Sobral. Com o enredo "A Revolução do Riso - A Arte de Subverter o Mundo pelo Divino Poder da Alegria", a Dragões contou a história do humor no mundo, indo das festas da antiguidade grega até a resistência dos humoristas ao regime militar brasileiro, personificada por nomes como Henfil, Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo.

Em um desfile bem executado, a escola levou para a avenida 2.900 componentes, 23 alas e cinco carros alegóricos, que traziam representações de personalidades como Maria Antonieta e Charlie Chaplin. O último, dedicado aos Doutores da Alegria, chamou a atenção com um "brinquedão" gigante, no qual várias crianças brincavam, e com palhaços "voadores", erguidos por cabos.

O final, no entanto, veio com emoção. O carro que homenageava Chaplin, "Humor nos Tempos de Cólera", empacou na dispersão e houve um corre-corre para não atrapalhar a evolução. O esforço deu certo, e a Dragões terminou o desfile com 65 minutos, o tempo máximo permitido. Na dispersão, o carro abre-alas enganchou na fiação, o que atrasou os desfiles seguintes.

O desfile marca a despedida da rainha de bateria, Simone Sampaio, que passou nove anos à frente dos ritmistas e decidiu deixar o posto em prol da renovação da escola. Entre as demais musas da escola, estava Carla Prata, ex-bailarina do Fausão.

Passeio pela história

Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

O desfile se iniciou com um abre-alas que representava um ataque de riso, com direito a canhões e emojis felizes. "Queríamos promover um ataque de risos", disse Mauro quintaes, o carnavalesco. "As pessoas precisam do riso e o samba ajudou muito. Todo mundo cantou".

Depois, a Dragões levou o público do Anhembi a um verdadeiro passeio do humor pela história. A ala das baianas fez referência a Bastet, a deusa egípcia da alegria e da fertilidade, com adereços que imitavam cabeças de gatos. Outras alas lembraram Dionísio, o deus grego do hedonismo, e os festivais do riso da Roma antiga.

Também ganharam homenagens os autores Shakeaspeare e Molière, mestres da comédia teatral.

Humor politizado

Ricardo Matsukawa/UOL
Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

O uso do humor como política também foi abordado pelo desfile. Chegando ao século 20, o homenageado foi Charles Chaplin com seu "O Grande Ditador" (1940), filme em que o renomado diretor satirizou regimes nazifascistas e figuras como Adolf Hitler. A escola ainda abordou a comédia como forma de resistência à ditadura brasileira, por meio de alas como "Tesoura da Censura" e "Caminhando contra o Vento".

Doutores da Alegria

Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

A porção final do desfile homenageou os Doutores da Alegria, com um carro cheio de palhaços de jaleco e com uma escultura de Wellington Nogueira, fundador da instituição. Ele, aliás, também entrou na avenida, fazendo sua estreia no Carnaval paulista.

"Em São Paulo eu estava igual a Madonna: 'like a virgin'. Foi maravilhoso, uma emoção maior ainda por ter sido uma homenagem aos Doutores e com samba. Agora os doutores são patrimônio do Brasil".

A Barroca da Zona Sul abriu os desfiles em São Paulo homenageando a líder quilombola Tereza de Benguela, e foi seguida pela Tom Maior que, dedicou um de seus carros à vereadora Marielle Franco. Após a Dragões da Real, é a Mancha Verde que entra na avenida.

*Colaboração de Soraia Gama

A Revolução do Riso - A Arte de Subverter o Mundo pelo Divino Poder da Alegria

Compositores: Aquiles da Vila, Rapha Sp, Marcus Boldrini, Leandro Flecha, Ítalo Pires e Salgado Luz
Intérprete: Renê Sobral

É só abrir seu coração
Deixa falar a emoção
"Qua qua ra qua qua", deixa as mágoas pra lá
"Qua qua ra qua qua", vamos juntos buscar!

Deus sorriu pra mim
De alma lavada eu vou
A Dragões me fez assim
Criança Real eu sou
Solte a voz e vamos rir de nós
Poder brincar, sonhar...
Todos juntos desatar os nós
A festa não tem hora pra acabar

Vem comigo gargalhar
Eu não quero mais sofrer
Dessa vida eu vou levar
Aquilo que eu viver

A receita da alegria
É caminhar contra o vento
Nos momentos de agonia
Ser amigo do tempo

Afaste a dor
Vista a sua fantasia
Viva o jogo do amor
A cura de cada dia

São Paulo