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Como a NBA conseguiu convencer Michael Jordan a filmar temporada do Bulls

Michael Jordan acompanha partida de basquete na Carolina do Norte - Streeter Lecka/Getty Images
Michael Jordan acompanha partida de basquete na Carolina do Norte Imagem: Streeter Lecka/Getty Images
Fábio Balassiano

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.

19/04/2020 00h24

"Arremesso final", tradução (ruim) de "Last Dance", série sobre a última temporada de Michael Jordan com o Chicago Bulls, estreia amanhã no Brasil pela Netflix cercada de expectativa daqueles que amam basquete. Carentes de ver algo da modalidade desde que o coronavírus parou o mundo, os fãs da bola laranja terão que se segurar, porque a série será dividida em 10 episódios com dois lançamentos a cada segunda-feira até o dia 8 de maio (mais aqui). O que pouca gente sabe é como foi o processo de convencimento da NBA para fazer com que Jordan aceitasse a divulgação do material.

A espera durou mais de 20 anos e foi muito bem detalhada em matéria deste sábado na ESPN americana (texto riquíssimo aqui). Hoje chefe da NBA, Adam Silver em 1997/1998 comandava a NBA Entertainment, braço de produção de conteúdo da liga. Ele sabia que Michael Jordan poderia se aposentar e procurou o Chicago Bulls para produzir o documentário a respeito daquele que poderia ser, e acabou sendo mesmo, o último ato do melhor jogador de todos os tempos com a franquia pela qual conquistou seis títulos. O argumento era que o mundo todo só conhecia aquela equipe já histórica apenas por entrevistas coletivas, jogadas e comemorações de vestiário. Faltava algo mais intimista e detalhista.

Silver conversou primeiro com os donos do Bulls, que toparam a empreitada. Depois com Phil Jackson, o técnico que teria que permitir uma equipe de filmagem em todos os momentos do time (vestiário, viagens, sessões de vídeo etc.). Por fim, ninguém menos que Michael Jordan, que aceitou tudo, mas impôs uma condição singela: o material só seria divulgado para o grande público quando ele desse a aprovação final.

A NBA não só topou, como por contrato teve que colocar todo o material em uma biblioteca separada em sua sede em Nova Iorque. Pouca gente veria e teria acesso ao mesmo. Quando acabou aquela temporada, todos salivaram porque o Chicago tinha sido campeão, o camisa 23 se despediria das quadras e o documentário seria um sucesso ao ser lançado em um ótimo momento. Jordan não quis. Vetou a divulgação de cara e pediu que depois o procurassem.

O tempo foi passando, passando, todo mundo tentava convencer Michael Jordan mas ninguém conseguia. O astro não se sentia atraído, a NBA perdia as esperanças e nem mesmo os agentes de MJ tinham abertura para o tema. As mais de 500 horas de material pareciam ter um destino - o limbo. Até que Mike Tollin, então um executivo da ESPN, decidiu se aproximar de suas pessoas próximas de Jordan para uma cartada final. Isso foi em 2016. Fevereiro, quando a série envolvendo OJ Simpson foi lançada e fez um barulho danado no Netflix. Algumas portas se abriram.

Conversa vai, conversa vem e Tollin recebeu um aviso para tentar conversar com Jordan no Centro de Treinamento do Charlotte Hornets que ele, Jordan, havia acabado de comprar. Isso tudo fez com que ele escrevesse uma carta a mão para Michael mostrando que todas os grandes estrelas do basquete tinham histórias contadas em película. Kareem Abdul Jabbar e Allen Iverson por exemplo. Ele levou sua carta para o encontro que aconteceria, se MJ quisesse recebê-lo, no dia da comemoração do título do então campeão Cleveland Cavs, de LeBron James, em 2016 (22 de junho).

Michael recebeu Tollin, leu a carta inteira e perguntou: "Você que escreveu isso?". Quando recebeu a afirmativa com a cabeça do executivo da ESPN Jordan disse que se amarrava no filme sobre Iverson, que tinha chorado e tudo. Ele largou o papel, levantou da mesa e disse: "Vamos fazer. Pode ir adiante".

Tollin saiu da sala exultante, ligou para Adam Silver e o resto será desvendado a partir de amanhã. Por mais de 20 anos o material ficou no limbo na sede da NBA em Nova Iorque. A partir de segunda-feira vamos conhecer os segredos daquele Chicago Bulls magnífico que tinha Jordan, Scottie Pippen, Dennis Rodman, Ron Harper, entre outras feras.

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