PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Bala na Cesta


O dia que Dennis Rodman foi resgatado de Las Vegas por Michael Jordan

Fábio Balassiano

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.

25/04/2020 06h04

"Arremesso Final" (tradução de "Last Dance") é uma febre entre os basqueteiros, teve seus dois primeiros episódios lançados na madrugada da última segunda-feira pela Netflix e as próximas histórias prometem ser ainda mais quentes.

Se no segundo capítulo o tema central foi a insatisfação de Scottie Pippen com a direção geral do Chicago Bulls (mais sobre o tema aqui), no terceiro, que estará disponível na plataforma a partir da próxima segunda-feira (27) de madrugada, o foco será Dennis Rodman, provavelmente o maior maluco-beleza da história da NBA.

Contratado pelo Chicago no verão americano de 1995 para dar um pouco mais de presença física ao elenco do Bulls, Rodman foi parte fundamental do time tricampeão da franquia de Illinois. Isso, claro, aprontando uma série de confusões que, no período de três anos, passam por chutar um câmera no fundo da quadra, mais de 40 jogos suspenso, mais de US$ 200 mil de multa por todo tipo de expulsão e... uma viagem quase sem volta para Las Vegas em 1998.

A história é retratada no episódio que vai ao ar na próxima segunda-feira, mas Michael Jordan comentou um pouco sobre isso recentemente no programa "Good Morning America", dos EUA:

"Durante o período em que Pippen esteve fora Dennis Rodman foi um verdadeiro cidadão global da paz. Tentou aparar arestas, ajudar no que podia, fazer coisas que ele mesmo não estava acostumado dentro da quadra. Até estranhávamos porque não era, digamos, sua condição normal. Até que Scottie voltou e Phil Jackson, o técnico, me ligou.

Falou assim: 'Michael, o Dennis quer falar com você'. Eu falei ao Phil que não queria conversar com Rodman porque sabia que viria algum tipo de atrocidade. E veio. Rodman pediu uns dias de férias porque estava muito cansado. Durante a temporada ele queria férias.

Eu falei com o Phil que se ele saísse a gente nunca mais o veria de volta, mas Jackson me convenceu que deixar Dennis preso no grupo sem querer estar ali seria pior.

Dennis saiu de descanso por 48 horas e como eu esperava ele não retornou. Na época a gente não tinha essa facilidade toda de comunicação, mas eu sabia onde ele estava. Fui até Las Vegas, sabia o hotel onde ele estaria, bati na porta do quarto, ele estava em uma situação bastante íntima com sua esposa (a cantora Carmen Electra), que se escondeu entre a coberta, e eu tive que começar a conversar com ele ali no quarto numa situação bastante desconfortável.

Foram duas horas batendo papo, trocando ideia, com Carmen lá entre os lençóis. Até que convenci Dennis a voltar comigo para Chicago. Ele disse que não tinha dormido por 48 horas, mas que estaria pronto para nos ajudar. E assim foi".

Jordan e Rodman não dão detalhes de quando isso aconteceu exatamente, mas uma olhada nas estatísticas da época faz com que seja possível descobrir. Pippen retornou ao Bulls em 10 de janeiro de 1998, e Dennis só se ausentou por duas partidas na temporada 1997/1998 (em 21 de janeiro contra o Charlotte e dois dias depois contra o New Jersey Nets).

O camisa 91 do Bulls retornou às atividades no dia 25 de janeiro de 1998 com uma atuação com o selo Dennis Rodman: nenhum ponto (0/5 nos arremessos), surreais 14 rebotes, 2 roubos de bola e 2 assistências em 34 minutos na derrota em casa do Chicago para o Utah Jazz por 101-94. Naquela noite Rodman levou uma falta técnica com cinco minutos de partida por discutir com a arbitragem (ele jogou um total de 34 minutos).

Bala na Cesta