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Brasileiro inscrito no Draft tem argentino campeão olímpico como mentor

Caio Pacheco - Reprodução Instagram
Caio Pacheco Imagem: Reprodução Instagram
Fábio Balassiano

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.

27/04/2020 00h15

Uma notícia mexeu com quem gosta de basquete na tarde de ontem na internet. O brasileiro Caio Pacheco, que atua no Bahía Basket, da Argentina, teve seu nome confirmado no Draft da NBA de 2020 (a informação partiu do jornalista Raul Barrigón). Com 21 anos recém-completados, Caio, natural de Rio Claro (SP) e com passagens pelo time da cidade, Limeira e também pelo Palmeiras antes de migrar para o Bahía em 2018, tem 1,88m e é um dos destaques da temporada (suspensa) da Liga Nacional dos hermanos.

O mais interessante de tudo é que o brasileiro tem como um dos mentores de sua carreira ninguém menos que Pepe Sanchez, armador campeão olímpico com os hermanos em 2004, agora presidente do Bahía Basket e antes treinador da equipe. O próprio Caio, bicampeão sul-americano Sub-19 com o Brasil em 2018 e 2019, contou um pouco em fevereiro deste ano sobre como foi seu processo de recrutamento ao Rafa Correia, que escreve sobre jovens prospectos para os Assinantes do Bala na Cesta.

"Essa história até certo ponto é engraçada. Na verdade eu tive sorte. Um dos meninos brasileiros que jogava comigo e ainda joga, o Rafael Paulici, foi fazer teste no Bahía Blanca e nós temos o mesmo agente. Um dia o nosso agente foi assistir nosso treino e levou junto um scout com grande conexão com o Pepe Sanchez. O Pepe disse que disse que precisava de um armador para liga de desenvolvimento da Argentina, então o agente me viu, falou de mim, conversou com o Pepe e deu tudo certo", contou Caio.

A explosão do brasileiro na Liga Argentina nesta temporada é incrível. Com 19,4 pontos (segundo maior cestinha) e 6 assistências (o líder no quesito), ele se tornou um dos principais jogadores do campeonato e chamou a atenção de scouts de todo mundo. Toda vez que é perguntado sobre o brasileiro, Pepe Sanchez, que foi o armador campeão olímpico titular pela Argentina em 2004, o compara com ninguém menos que Facundo Campazzo, um dos melhores armadores do planeta e atualmente jogando no Real Madrid.

Conversei com dois recrutadores da NBA neste domingo e ambos me garantiram que o brasileiro tem boas chances, sim, no Draft que (até agora sem modificações) acontecerá no dia 25 de junho em Nova Iorque. Os dois profissionais enfatizaram que devido ao coronavírus tudo está estranho, não haverá os treinamentos individuais dos atletas nas franquias e que a parte de análise de vídeos e números será mais do que fundamental, mas que as informações que chegaram sobre Caio são muito boas.

Sobretudo por seu comportamento de profissional exemplar que sempre foi, sua explosão da temporada passada (5,6 pontos e 3,1 assistências) para esta, quando potencializou seus números e manteve bom percentual de arremessos (54% de dois e 75% nos lances-livres) e por sua maturidade com que tem dado os passos em sua carreira. Dono de visão de jogo acima da média, Pacheco, como é chamado pelos argentinos, tem no controle de bola, na agressividade para buscar a cesta e também no drible seus pontos fortes. Pode evoluir nos arremessos longos (29% neste campeonato) e também em sua parte atlética (ainda é muito magro e isso lhe causa problemas contra atletas mais físicos).

"Esta temporada foi muito abençoada pra mim, e só tenho a agradecer. Evoluí muito, principalmente na parte mental e eu sou muito feliz aqui em Bahía Blanca. Eles me dão muita liberdade pra jogar, me deixam solto, ou seja, um estilo que gosto de jogar. O importante é sempre estar se divertindo dentro da quadra, e isso eu consigo alcançar aqui, é o mais importante", contou Caio, emendando sobre seu amadurecimento: "u acho que tive uma evolução muito grande no basquete, mas também como ser humano. Amadureci muito e eles ajudam demais nessa parte mental, de cabeça mesmo. O Caio que chegou aqui no Bahía e o que atualmente joga na Liga Argentina são pessoas e atletas completamente diferentes. Se você pegar uma gravação de jogo antigo meu e comparar com o meu jogo hoje você vai achar que é um outro jogador. A maneira que eles ensinam aqui é incrível. Te deixam livre para criar, mas dentro de um sistema, de uma organização. Isso dá tranquilidade e cria amadurecimento. Tenho aprendido muito e tenho o Pepe por perto, e ter a oportunidade de estar em uma instituição como essa é muito positivo e vem rendendo frutos obviamente".

Por fim, vale dizer que Bahía Blanca é a terra de ninguém menos que Manu Ginóbili e recentemente o melhor jogador argentino de todos os tempos esteve no clube e conversou com Caio (a foto abaixo é do Instagram do brasileiro).

Sueño cumplido!!!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL