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Cartola, Bivar disse que pagou por convocação de atleta e se aliou a Eurico

O presidente do PSL e ex-presidente do Sport, Luciano Bivar, no escritório de sua empresa, no Recife em foto de 2018 - Clara Gouvêa/UOL
O presidente do PSL e ex-presidente do Sport, Luciano Bivar, no escritório de sua empresa, no Recife em foto de 2018 Imagem: Clara Gouvêa/UOL

Do UOL, no Rio

15/10/2019 16h13

Investigado por um suposto esquema de laranjas na eleição, o presidente do PSL, Luciano Bivar, tem um histórico ligado a irregularidade e polêmica no futebol como dirigente do Sport. Já afirmou ter pagado para que o jogador do clube Leomar fosse convocado para a seleção brasileira e foi suspenso. Antes disso, integrou a bancada da bola como aliado do então vascaíno Eurico Miranda para barrar investigações sobre a CBF.

A carreira de Bivar no Sport começou na década de 70 como conselheiro. Seu primeiro mandato como presidente foi em 1989. Somou um total de seis mandatos como principal dirigente do clube. O último deles começou e acabou em 2013, quando saiu do para se dedicar à eleição a deputado federal no ano seguinte.

Sua passagem nacionalmente mais marcante foi em 2013 quando, em entrevista, Bivar afirmou ter pagado para que Leomar fosse convocado para a seleção brasileira. O volante fora chamado em 2001 por Emerson Leão, que já tinha sido técnico do Sport e negou ter recebido dinheiro. O dirigente manteve sua versão e disse ter dado o dinheiro para um intermediário.

"Você precisa ter cuidado com executivos de futebol porque muitos chegam ao clube para realizar negócios e não para ajudar o clube. Nós até já utilizamos esse tipo de expediente. Empurramos o Leomar para a seleção. Pagamos uma comissão para ele jogar na seleção brasileira", afirmou o dirigente.

Leomar, orientado por Leão, em seus dias de jogador de seleção em 2001 - Evelson de Freitas/Folhapress
Leomar, orientado por Leão, em seus dias de jogador de seleção em 2001
Imagem: Evelson de Freitas/Folhapress

Foi aberto um processo na Justiça Desportiva para investigar as afirmações já que oferecer vantagens indevidas no futebol fere o código disciplinar. Todos os envolvidos - técnico da seleção, jogador e diretoria da CBF - negaram. Mas Bivar foi suspenso por seis meses pelas declarações.

Anteriormente, enquanto era deputado e presidente do Sport, Bivar ajudou a atrapalhar as investigações sobre a CBF ao compor o grupo conhecido como "bancada da bola". Juntamente com o então presidente do Vasco, Eurico Miranda, e outros parlamentares ligados ao futebol, eles boicotaram o relatório de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) feito pelo deputado federal Aldo Rebelo que apontava uma série de irregularidades na confederação.

Com maioria na comissão da Câmara, protestaram por Rebelo não ter votado um relatório chapa branca que isentava cartolas. Durante a sessão, Bivar puxou gritos de "stalinista" e "ditador" para o deputado, então no PCdoB.

"Estava lá porque conheço as mazelas do futebol. Não há bancada. Há três deputados que presidem clubes e outros que nos apoiaram", afirmou, na época, à Folha.

Atualmente, o irmão de Luciano, Milton Bivar, é o presidente do Sport. Foi eleito com o apoio do presidente do PSL que era crítico à gestão anterior do time pernambucano.