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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


O que pode ser?

Insuficiência cardíaca causa falta de ar, cansaço e limita atividades

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

08/09/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Insuficiência cardíaca é uma síndrome caracterizada por sintomas como falta de ar, cansaço e inchaço nas pernas
  • Trata-se de uma doença crônica, que evolui com o tempo, limita as atividades e pode ser fatal
  • Ela decorre de doenças do coração que afetaram o músculo cardíaco de forma desfavorável
  • Medicamentos, mudanças dietéticas, restrição líquida e até transplante controlam o quadro

O seu coração é um músculo forte, do tamanho aproximado de um punho, e tem a função de bombear o sangue, de forma contínua, por todos os sistemas de seu corpo. Mas algumas situações podem enfraquecê-lo, fazendo que ele não seja capaz de trabalhar como deveria.

Logo aparecem sinais e sintomas como falta de ar, edema e cansaço e a prática de atividades que se fazia antes torna-se difícil. Estas são algumas das características de uma síndrome conhecida como insuficiência cardíaca (IC).

A enfermidade pode acometer homens e mulheres em qualquer idade, inclusive crianças, contudo, é mais comum entre idosos. Nos Estados Unidos, a prevalência da IC é de 6,5 milhões de pessoas e, em 2017, a doença contribuiu para a morte de 1 em cada 7 indivíduos.

Dados do MS (Ministério da Saúde) mostram que, somente em 2012, a IC matou cerca de 27 mil pessoas. Naquele período, as projeções da AHA (sigla em inglês para a Associação Americana do Coração) indicavam que, até 2030, esses números aumentariam em quase 50%, provavelmente em razão do aumento da expectativa de vida.

Embora a IC seja considerada uma doença crônica grave, para a qual não existe cura, boa parte das pessoas por ela acometidas pode ter uma melhor qualidade de vida. As condições para isso são a disponibilidade para mudanças no estilo de vida, adesão ao tratamento medicamentoso, além de perseverança para submeter-se ao acompanhamento médico. Quanto mais rápido forem o diagnóstico e o início da terapia, maiores são as chances de sucesso terapêutico.

O que é insuficiência cardíaca?

A função do coração é bombear sangue, e essa tarefa acontece em duas etapas: na primeira, o coração bombeia sangue para as artérias; na segunda, ele tira sangue das veias. Quando esse mecanismo funciona de forma incorreta surge a insuficiência cardíaca.

Esse mau funcionamento leva à redução do fluxo sanguíneo para o corpo, além do acúmulo do sangue que regressa ao coração, congestionando as veias. Assim, o coração vai enfraquecendo, até que se torna incapaz de bombear sangue suficiente para as necessidades metabólicas do organismo.

Conheça os principais tipos

De acordo com a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), existem várias classificações da IC. Uma delas considera o tipo de disfunção, e as principais são as descritas a seguir:

  • Disfunção sistólica (ou com fração de ejeção reduzida): é o tipo mais comum. Nesse quadro, os ventrículos (câmara do coração que bombeia o sangue) não se contraem de forma correta a cada batimento cardíaco. Assim, o sangue não é adequadamente bombeado para fora do órgão;
  • Disfunção diastólica (ou com fração de ejeção normal): nesse caso, os ventrículos não se enchem de sangue suficiente quando o coração descansa nos intervalos de cada batimento cardíaco

Por que isso acontece?

A IC é a consequência final de todas as doenças do coração (cardiopatias) que tiveram uma evolução desfavorável ao longo da vida.

No Brasil, a principal delas é a doença isquêmica (enfermidades arteriais coronianas que podem levar ao infarto).

Confira outras condições que podem ter como desfecho a IC (por ordem de maior incidência):

1. Miocardites (como doenças pós-virais);
2. Hipertensão (cardiomiopatia hipertensiva, resultado da hipertensão não tratada);
3. Doença genética (cardiomiopatias de origem família, como a cardiomiopatia hipertrófica - engrossamento do músculo do coração e a própria miocardiopatia dilatada familiar);
4. Doença de Chagas (presente ainda na América Latina e em algumas regiões do país)
5. Doença valvar (insuficiência aórtica)
6. Taquicardiomiopatias (arritmias)

Hábitos de vida como tabagismo, dieta rica em gordura, sódio, colesterol alto, sedentarismo e consumo de álcool também estão relacionados à IC. Mais raramente, anemia, hipertireoidismo, hipertensão pulmonar, igualmente, podem levar ao problema. Diabetes e obesidade também são considerados fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

Câncer pode ser causa de insuficiência cardíaca?

Não, mas a enfermidade tem sido relacionada ao tratamento quimioterápico. Apesar de os medicamentos oncológicos garantirem maior expectativa de vida, alguns deles podem afetar o coração, repercutindo tardiamente como uma IC. A esse quadro se dá o nome de disfunção do coração pós-quimioterapia.

Quem precisa ficar mais atento?

Homens, mulheres e crianças podem ter a doença, e embora o risco para o infarto e as doenças cardiovasculares aumente após a menopausa, o grupo masculino é ainda o mais afetado.

Entre as crianças e recém-nascidos, a IC geralmente decorre de doenças do coração congênitas, bem como infecções virais. Neste último caso, em razão de uma maior suscetibilidade individual, tais viroses desencadeiam uma resposta inflamatória imunológica que agride o músculo do coração, fazendo que tal estado evolua para a disfunção.

Apesar de a doença se manifestar mais entre os adultos maduros, Natan Chehter, geriatra e membro do corpo clínico da BP, comenta que, na verdade, isso não significa que eles sejam mais suscetíveis. "Os idosos não têm, em si, maior fator de risco pela idade. A ocorrência de IC, nessa população, se dá pela soma dos efeitos deletérios das suas comorbidades".

Saiba como reconhecer os sintomas

Eles podem aparecer de forma repentina ou evoluir ao longo do tempo.
Os principais são a falta de ar e o cansaço ao fazer esforço, mas podem ocorrer também as seguintes manifestações:

  • Palpitações
  • Retenção de líquidos (inchaço nas pernas e tornozelos, com piora no período da tarde)
  • Ganho de peso por inchaço
  • Dificuldade de respirar na posição deitada (ortopneia) que melhora quando se senta

Lidia Zytynski Moura, cardiologista do HUC (Hospital Universitário Cajuru) e diretora administrativa do Departamento de IC da SBC esclarece que a ortopneia é uma queixa típica dos pacientes com IC, que relatam que precisam dormir sentados para afastar a sensação de afogamento.

"Tal situação decorre da evolução da doença que leva ao acúmulo de líquidos nos pulmões", fala a médica. "Quando o paciente está em pé, esse líquido se instala na base do pulmão; ao deitar-se ele se espalha pelo órgão, ocupa mais alvéolos, impedindo a respiração. O paciente só sente confortável na posição sentada".

Sintomas menos comuns

Algumas pessoas podem apresentar outros sintomas que são considerados menos frequentes. Confira:

  • Tosse persistente que pode aumentar durante a noite
  • Inchaço no abdome
  • Perda do apetite
  • Perda de peso
  • Confusão
  • Vertigem e desmaio
  • Coração acelerado
  • Depressão e ansiedade (decorrentes dos transtornos emocionas relacionados à gravidade da doença)

Quando procurar ajuda médica

O sinal de alerta é notar que já não é possível fazer as atividades habituais porque você se sente cansado, tem fôlego curto —e até mesmo para tomar banho ou subir escadas.

Em geral, quem faz o primeiro atendimento é o clínico geral ou médico de família. E mesmo que essa primeira consulta ocorra no serviço de pronto-socorro, o plantonista será capaz de avaliar as suas condições gerais.

Uma vez identificada alguma anormalidade, você será encaminhado para o cardiologista.

Como é feito o diagnóstico?

Os médicos são unânimes quanto ao nível de complexidade do diagnóstico da IC: ele é simples e clínico. E se baseia em uma prática chamada Critérios de Boston/Framingham, que guia os médicos em uma série de itens aos quais eles devem estar atentos.

Além da conversa com o paciente, durante o exame físico o profissional avaliará a frequência cardíaca, a veia jugular (estase jugular), e também auscultará o pulmão, bem como investigará alguma anormalidade no batimento cardíaco (terceira bulha).

A radiografia do tórax, o ecocardiograma e o eletrocardiograma sãos os exames complementares que podem ser solicitados, além de outros testes que mostrarão as possíveis causas da IC, como o cateterismo, o exame de sangue para investigar a doença de Chagas, e até uma ressonância do coração.

Conheça os estágios da doença

Uma vez confirmada a suspeita diagnóstica, o médico será capaz de identificar em qual estágio se encontra a IC. Conheça quais são eles:

  • Estágio A - A pessoa tem fator de risco para a IC, mas ainda não tem a doença. Nesses casos, o foco é manter a vigilância e tratar o fator de risco, que pode ser ter colesterol alto, ser hipertenso (sem tratamento), ou morar em região endêmica (Doença de Chagas);
  • Estágio B - O paciente tem a doença de forma estrutural: o coração está dilatado ou mais fraco. Contudo, a doença não se manifestou. Diante da disfunção, recomenda-se terapia precoce. Isso evita que o órgão dilate, contém a queda progressiva de sua função, além de melhorar o prognóstico da IC;
  • Estágio C - O indivíduo tem doença estrutural e já apresenta sintomas;
  • Estágio D - Trata-se do paciente refratário, ou seja, ele não respondeu aos tratamentos medicamentosos, e é preciso oferecer-lhe alternativas como transplante ou práticas terapêuticas mais avançadas como cirurgia para correções específicas (marcapasso ou ventrículos artificiais).

Como é feito o tratamento?

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico da IC, maiores são as chances de melhora na qualidade e expectativa de vida.

O objetivo terapêutico é sempre aprimorar as funções cardíacas, o que pode acontecer já a partir do tratamento da doença que deu origem à IC. Tal medida, muitas vezes, já impacta positivamente o cotidiano desses pacientes.

De modo geral, a terapia se baseia nas seguintes estratégias:

  • Uso de medicamentos (betabloqueadores, medicações que atuam sobre a via renina e angiotensina e inibidores de aldosterona); algumas pessoas precisam usar mais de um tipo de fármaco);
  • Mudanças na dieta com redução do consumo de sódio e de líquidos (pessoas com IC tendem a reter líquidos, especialmente nos membros inferiores. O controle do sódio e de líquidos visa reduzir o inchaço local)
  • Implante de dispositivos em casos avançados (como o marcapasso)
  • Cirurgia e transplante

Entre as terapias medicamentosas mais novas, estudos mostram que a combinação sacubitril/valsartana pode ser útil na reversão da disfunção cardíaca e mesmo da mortalidade. Mais recentemente, o uso de inibidores da SGLT2, uma classe de medicamentos usados por diabéticos, também tem se mostrado eficaz na redução de desfechos desfavoráveis da doença.

Na maioria das vezes, o tratamento dura por toda a vida.

E se for o caso de transplante?

No Brasil são realizados de 400 a 450 deles todos os anos, mas a expectativa é que esses números cheguem a 1.200. Os dados são da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos). Pacientes com IC avançada são potenciais candidatos, mas muitos deles não têm sido identificados ou encaminhados para os Centros de Referência.

O transplante do coração faz parte de um programa governamental —disponível a todo cidadão brasileiro— e é totalmente financiado pelo SUS, inclusive o tratamento e acompanhamento ambulatorial posteriores, que duram a vida inteira.

No Brasil existem 35 centros ativos, cujos endereços podem ser obtidos no site da ABTO. Em São Paulo, esses procedimentos são realizados em hospitais como o Instituto Dante Pazzanese, o Incor e o Hospital do Coração, bem como grandes hospitais como o Sírio-Libanês, Beneficência Portuguesa, Albert Einstein e Samaritano —seja pela assistência privada ou por meio do PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde), uma parceria entre o SUS e instituições privadas.

Entenda a relação entre insuficiência cardíaca e covid-19

Desde o início da pandemia tem sido observado que a doença, além de afetar o pulmão, pode também acometer o coração. Trata-se de uma ação inflamatória direta do vírus que leva a tromboses macro e microvasculares —especialmente quando a pessoa tem arterosclerose ou apresenta doença cardíaca prévia.

Tal quadro clínico é identificado por meio de um marcador de agressão (necrose) local, que pode ser confirmado através de um exame chamado troponina. Essa lesão pode levar à IC do tipo grave. A explicação é de Fernando Bacal, diretor do núcleo de transplante cardíaco do Incor e diretor científico da SBC.

O cardiologista relata que, mesmo após 30 dias da recuperação da covid-19, as pessoas têm procurado ajuda médica queixando-se de cansaço, agora não mais decorrente do estado viral anterior, mas, sim, de um dano cardíaco. "Vários pacientes têm sido submetidos a avaliações cardiológicas rotineiras para ver se não houve alguma agressão muscular", conta o especialista.

"Isso não significa que todos têm de, necessariamente, ir ao cardiologista após a doença. A sugestão é que se procure um médico para avaliação cardiológica, tão logo sejam notados os sinais de alerta", conclui Bacal.

Minha vida sexual pode ser afetada?

A SBC declara que muitos pacientes se queixam de problemas sexuais, e cerca de 25% deles relatam completa suspensão da atividade sexual.

A razão para isso seriam os incômodos sintomas da IC, mas a impotência e a falta de desejo também compõem o quadro, o que eles consideram ser um efeito colateral do tratamento.

Converse com seu médico para ter mais informações sobre os medicamentos que você precisa usar. Ele poderá orientá-lo sobre as possíveis soluções para melhorar sua qualidade de vida.

Como colaborar com o tratamento?

O primeiro aspecto é a educação sobre a doença. Quanto mais você conhece sobre a IC, mais fácil é compreender as razões pelas quais é preciso mudar o estilo de vida. É preciso que você entenda que esta é uma doença crônica, cujo tratamento dura por toda a vida. Assim, a aderência a ele é fundamental, especialmente porque a medida contribui para uma maior expectativa de vida.

Aliás, entre os pacientes de IC, o principal motivo de busca de ajuda médica emergencial é a descompensação da doença, que decorre da má aderência às instruções de restrição líquida, de sódio, e aos medicamentos.

José Knopfholz, cardiologista diretor da SBC-PR e professor da Escola de Medicina da PUC-PR, acrescenta que a frequência às consultas, para acompanhamento, deve ser prioritária. "A medida é útil porque a terapia da IC é dinâmica. Por isso, temos de avaliar a necessidade de ajuste de doses e fármacos periodicamente", diz o médico.

Alguns centros de tratamento contam com times multidisciplinares com psicólogos, enfermeiros e reabilitadores físicos, entre outros, que ajudam a manter a motivação em alta. E esse monitoramento conjunto traz grandes resultados. Entretanto, nem todos terão acesso a essas práticas.

Dicas dos especialistas

Além da adesão ao tratamento, coloque em prática as seguintes medidas:

  • Evite o tabagismo;
  • Limite o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Siga as orientações de seu médico quanto ao consumo de líquidos;
  • Adote uma dieta equilibrada rica em frutas, vegetais, carboidratos (prefira os que contenham amido), laticínios, proteínas (grãos, feijões, peixe, carne), com baixa ingesta de gordura saturada, sal e açúcar;
  • Exercite-se regularmente, e de acordo com as suas possibilidades-necessidades. Converse com seu médico para saber qual prática seria a mais adequada para você;
  • Verifique se é possível ter algum suporte multidisciplinar na sua região. Suporte psicológico, social e mesmo o auxílio de um fisioterapeuta (entre outros) ajuda a mantê-lo motivado para o tratamento;
  • Controle o peso regularmente e habitue-se ao autocuidado. Ao notar algum tipo de mudança significativa, fale com seu médico;
  • Mantenha a sua carteira de vacinação atualizada. Pessoas com IC são mais vulneráveis a infecções.

Fontes: Fernando Bacal, diretor do núcleo de transplante Cardíaco do Incor-HCFMUSP (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), coordenador do Programa de Insuficiência Cardíaca e Transplante do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia); Lidia Zytynski Moura, cardiologista do HCU (Hospital Universitário Cajuru) e do Hospital Marcelino Champagnat, ambos no Paraná, professora titular da Escola de Medicina PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), doutora pela FMUSP, pós-doutora pelo Brigham and Women's Hospital (Harvard Medical School) e diretora administrativa do Departamento de Insuficiência Cardíaca da SBC; José Knopfholz, professor de cardiologia e urgências da PUC-PR e diretor do Funcor da SPC (Sociedade Paranaense de Cardiologia). É decano da Escola de Ciências da Vida e coordenador da Escola de Medicina da PUC-PR, conselheiro segundo corregedor e responsável pela Comissão de Ensino Médico do CRM-PR, membro da Comissão de Ensino Médico do CFM, professor-tutor da Especialização em Educação Médica da USP-SP, tem formação em educação médica pelo Harvard Macy Institute. É coordenador do Centro de Treinamento em Acls e BLS da AHA/PUC-PR; Natan Chehter, geriatra titulado pela SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e membro do corpo clínico da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Revisão técnica: Lidia Zytynski Moura.

Referências: MS (Ministério da Saúde); Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia); CDC (Centers for Disease Control and Prevention); AHA (American Heart Association); Albuquerque DC, Neto JD, Bacal F, et al. I Brazilian Registry of Heart Failure - Clinical Aspects, Care Quality and Hospitalization Outcomes [published correction appears in Arq Bras Cardiol. 2015 Aug;105(2):208]. Arq Bras Cardiol. 2015; Malik A, Brito D, Chhabra L. Congestive Heart Failure (CHF) [Atualizado em 2020 Ago 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430873/.

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