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Dotsy reúne pequenos empreendedores em grupo no Facebook e gira R$ 250 mi

Thiago Moreira Porto é proprietário da Biscoito Fino, que viu as vendas de suas tortas explodirem após entrar na Dotsy - Arquivo Pessoal
Thiago Moreira Porto é proprietário da Biscoito Fino, que viu as vendas de suas tortas explodirem após entrar na Dotsy Imagem: Arquivo Pessoal

Vanessa Fajardo

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

02/10/2020 04h00

"Foi uma explosão de venda, a demanda foi tão alta que comecei a planejar a saída do escritório. Pedi um afastamento não remunerado por três meses para ver se conseguiria me manter. Deu tão certo que hoje só faço isso." O relato do paulistano Thiago Moreira Porto, 40, pode soar como o daqueles grandes empreendedores, que dão um tiro certeiro e estão com a vida feita. Mas a história do recorde de vendas de suas tortas artesanais só foi possível por que resolveu divulgar os produtos em um grupo fechado no Facebook, a Rede Dotsy que reúne atualmente quase 300 mil participantes.

As 15 tortas que ele estava acostumado a vender uma semana, passaram a ser uma demanda diária. No primeiro ano de funcionamento da empresa, a procura por seu produto era 100% proveniente da Rede Dotsy, diz Porto. Mas nem sempre foi assim.
Proprietário da Biscoito Fino, uma empresa que produz tortas com recheio doces e salgados, mas, curiosamente, não comercializa nenhum biscoito, o paulistano também já exerceu outras duas profissões para as quais se graduou: arquitetura e direito. Porto atuou como gerente jurídico em uma empresa da área de direito empresarial, mas queria mudar de carreira. Montou, então, um escritório de decoração, que não foi para frente. Partiu, então, para a área gastronômica.

No final de 2017, Porto começou a produzir e vender tortas cuja receita foi inspirada em uma iguaria que experimentou em Paris. O diferencial das tortas da Biscoito Fino, além do sabor, são os desenhos feitos a mão com tinta comestível. O nome da empresa é uma referência a um jargão de uma personagem de novela que era transmitida na época e uma expressão presente entre o grupo de amigos de Porto.

Torta da Biscoito Fino, finalizada com tinta comestível - Divulgação - Divulgação
Torta da Biscoito Fino, finalizada com tinta comestível
Imagem: Divulgação

Hoje, a Biscoito Fino tem um ateliê com cozinha industrial e vende cerca de 300 tortas ao mês, via Instagram com entregas em São Paulo e Grande SP. No período do Natal a demanda chega a 500 unidades, que custam entre R$ 63 a R$ 90 reais, o quilo.

"A Dotsy lançou minha carteira inicial de cliente e me deu visibilidade. Foi por lá que consegui começar a andar sozinho. Não queria mais a vida que levava, desenvolvi um produto que atendesse as minhas urgências e tive a sorte de conhecer a rede. Ela é como um shopping lotado e você precisa trazer esse público para você. Sempre tive autocrítica com meus anúncios e meus produtos", afirma.

Dotsy quer inclusão financeira, social e digital

A Rede Dotsy foi criada em 2015 pela paulistana Kuki Bailly, 52, inicialmente, como um grupo no Facebook com o intuito de funcionar como um espaço para que as pessoas pudessem trocar informações e multiplicar as possibilidades de trabalho, nas palavras de sua criadora. Ela não esperava, entretanto, que em poucos meses, a rede teria mais de 10 mil participantes.

Kuki Batista é a criadora da rede Dotsy - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Kuki Bailly é a criadora da Rede Dotsy
Imagem: Arquivo Pessoal

Ao longo dos anos, a evolução e o impacto social causado pelo grupo foi tanto que em 2018, a Dotsy foi selecionada para participar do programa Community Leadership Circles realizado em Berlim, na Alemanha, para 97 líderes de comunidades no mundo todo.
"Quando a comunidade já estava com um tamanho grande tive de escolher entre ficar com esse trabalho ou desistir dele. Resolvi transformar em um negócio de impacto social. Fui desenhar o modelo de negócio, estava com uma quantidade grande de pequenos produtores e artesãos que dependiam dessa rede. Comecei a ajudar com mentoria, textos, fotos", lembra.

O grupo se tornou uma multiplataforma de divulgação e vendas para pequenos empreendedores, profissionais autônomos e artesãos. São comercializados produtos e serviços de segmentos diversos, como alimentício, decoração, moda, entre outros, Além do grupo no Facebook, a rede possui uma vitrine virtual e perfil no Instagram.

Uma pesquisa realizada pela rede no ano passado apontou que ela movimenta cerca de R$ 250 milhões em negócios, com tíquete médio de R$ 165 reais. Atualmente o negócio participa de um novo programa de aceleração do Facebook.

"Temos como meta que a comunidade cresça em tamanho e em relevância, oferecendo ferramentas mais robustas de comunicação e um programa de educação voltada para o empreendedorismo. Nosso objetivo é escalar, crescer e conseguir impactar o máximo de pequenos empreendedores do mercado e contribuir para que tenha uma jornada de sucesso."

Kuki diz que a necessidade de fechamento dos comércios e distanciamento social causada pela pandemia do novo coronavírus foi desesperadora para muitos empreendedores, e que a rede trouxe acolhimento. "Muita gente não tinha recurso, não sabia como e nem tinha dinheiro para investir em lojas virtuais ou marketing. Encontraram na nossa comunidade, acolhimento, audiência, pessoas que são receptivas e solidárias, está sendo um movimento muito bonito."

A criadora da rede conta que dentro do grupo as pessoas se tratam muito bem, são éticas e existe uma cultura de solidariedade e respeito ao pequeno empreendedor. "Tem gente que gosta de produto único, criativo, é uma rede de autônomos em que acreditamos que todo mundo precisa de alguma coisa que o outro faz. Nossa estimativa é de que 30% dos participantes estão ali porque produzem ou compram, por isso o ecossistema é tão fértil e forte."

Para anunciar seus produtos na multiplataforma de vendas, que inclui a vitrine virtual e redes sociais, o participante paga uma assinatura mensal de R$ 19 reais. Além da visibilidade e do espaço, o valor inclui uma mentoria de uma equipe que lê todas as publicações e oferece ajuda quando necessário com textos ou fotos. "Nossa missão é fazer a inclusão financeira, social e digital", finaliza Kuki.

Pioneirismo com máscaras de tecido

Quem também teve oportunidade de se beneficiar do potencial da Dotsy foi a empresária Camila Pereira Bandarra, 30. Ela trabalha com confecção de roupas infantis, mas viu a procura minar com a chegada da pandemia.

Inspirada pelo empreendedorismo do pai, ela sempre criou oportunidades de negócio e foi a primeira pessoa a postar na rede a venda de máscaras de tecido confeccionadas por ela mesma. Neste início chegou até a ser criticada pelos membros do grupo, mas assim que o produto foi recomendado pelas autoridades sanitárias, passou a vender um volume muito alto.

A empresária Camila Pereira Bandarra trabalha com confecção infantil e passou a fazer máscaras com a pandemia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A empresária Camila Pereira Bandarra trabalha com confecção infantil e passou a fazer máscaras com a pandemia
Imagem: Arquivo pessoal

"Vendi mil máscaras em uma semana, precisei contratar várias costureiras, achei melhor ajudar várias pessoas que estavam realmente precisando. São oito costureiras, mais uma família que faz o corte do tecido. Depois as vendas diminuíram porque outras pessoas apareceram vendendo", diz. As máscaras possuem duas camadas de algodão e custam entre R$ 8 e 15 reais.

Camila já havia utilizado a Dotsy para divulgar sua confecção Mundo da Joana e recentemente também fez um post sobre seu novo negócio de uma marca de brinquedos não estruturados.

"Por isso já conhecia o potencial. Você posta na Dotsy e tem dia que bomba tanto o post que você não consegue respirar por uma semana. Vende em um dia o que costuma vender em um mês. É muito bom."

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