PUBLICIDADE
Topo

Com telhado verde, eles faturam R$ 4 milhões ao ano e ajudam meio ambiente

A empresa vende tecnologia voltada à infraestrutura verde - Divulgação
A empresa vende tecnologia voltada à infraestrutura verde Imagem: Divulgação

Antoniele Luciano

Colaboração para Ecoa

10/01/2020 08h09

A vida em meio à natureza sempre foi uma das paixões do gaúcho João Manuel Feijó, de 65 anos. Foi ainda jovem que ele optou por seguir a profissão de engenheiro agrônomo. No entanto, não demorou muito para se dar conta de algo que faria a diferença mais adiante em sua carreira. "Não havia poesia na plantação de soja", brinca o empreendedor, que em 2005 fundou com o sócio, o engenheiro civil Paulo Renato Guimarães, 63 anos, a Ecotelhado.

Especializada em soluções para problemas urbanos, como enchentes e alto consumo de energia, a empresa oferece tecnologias que ajudam a valorizar o meio ambiente. É o caso, por exemplo, de telhados verdes, pavimentos permeáveis, cisternas subterrâneas e jardins verticais. Somente no ano passado, o faturamento foi de R$ 4 milhões.

A parceria de Feijó e Guimarães vem de longa data. Nos quinze anos anteriores à criação da Ecotelhado, eles lideraram juntos uma incorporadora. Mas o negócio, apesar de viabilizar loteamentos, edifícios e condomínios em Porto Alegre, não satisfazia por completo a dupla. Era preciso atuar de maneira diferente, não só par driblar a concorrência, mas também para se opor ao cinza do concreto que tomava conta da cidade. "Sentimos a necessidade de mudar, de trabalhar com o design biofílico. Nos transformamos, então, de incorporadora em empresa que pesquisa e desenvolve tecnologias na área verde", explica Feijó.

O design biofílico citado pelo engenheiro agrônomo é considerado uma forma inovadora de aproveitar os recursos da natureza para criar ambientes capazes de proporcionar mais bem-estar às pessoas. O estilo faz alusão à ideia difundida pelo biólogo Edward O. Wilson, nos anos 1980, de que os seres humanos têm uma afinidade inata pela natureza e que, por isso, uma reconexão com espaços naturais seria benéfica a eles do ponto de vista físico e mental. "Já existem pesquisas mostrando que a sensação de estar em contato com a natureza, mesmo estando dentro de um espaço urbano pode trazer resultados muito efetivos", comenta Feijó.

Hoje, a empresa vende tecnologia voltada à infraestrutura verde, seja prestando serviços ao cliente final, oferecendo consultoria a arquitetos interessados ou desenvolvendo projetos de arquitetura sustentável.

Telhado verde é um dos produtos oferecidos pela empresa - Divulgação - Divulgação
Telhado verde é um dos produtos oferecidos pela empresa
Imagem: Divulgação

Telhado verde

A primeira solução lançada pela Ecotelhado foi um sistema modular de telhado verde e que poderia ser removido sem causar prejuízos ao projeto arquitetônico. O produto teve boa saída. "Isso nos permitiu tomar uma dianteira no mercado. Os arquitetos já queriam trabalhar com projetos de telhado verde, mas não tinham coragem por causa do passivo que poderia ser gerado se fosse necessário retirá-lo. O sistema modular ajudou nisso", explica o sócio-fundador.

De acordo com ele, aos poucos, os benefícios da tecnologia foram sendo percebidos pelo público. Primeiro, a beleza oferecida por projetos com instalações do tipo. Segundo, a eficiência energética obtida por meio do conforto térmico proporcionado, além do isolamento acústico. Terceiro, a possibilidade de drenagem urbana e, logo, menos enchentes e alagamentos nas cidades. "De uma forma geral, há uma economia de energia porque a água que cai nas plantas não deixa calor na laje e, por isso, se usa menos ar condicionado. Como o telhado verde, a planta retém essa chuva; a água não vai direto para o esgoto pluvial", observa Feijó.

Há um ano, a empresa lançou uma nova versão da tecnologia, batizada de Sistema Azul e Verde. Além de promover a drenagem urbana com o amortecimento da água da chuva, a estrutura também age como purificador do ar. Isso porque retém partículas de impurezas que ficam sob as coberturas e realiza a troca de CO2 por oxigênio.

Além de promover a drenagem urbana com o amortecimento da água da chuva, a estrutura também age como purificador do ar - Divulgação - Divulgação
A estrutura promove drenagem urbana e age como purificador do ar
Imagem: Divulgação
Nesse sistema, uma bacia instalada abaixo da vegetação do telhado verde colocado sobre a laje retém a água da chuva. O excesso é direcionado para uma bacia de amortecimento. A água passa, então, lentamente por um tubo inferior de menor diâmetro. Quando a intensidade da chuva é maior, o escoamento também ocorre por um tubo superior. O esvaziamento do reservatório, que atua como uma cisterna, leva em torno de 12 horas.

Outros produtos

Com o passar dos anos, os sistemas para arquitetura sustentável oferecidos pela Ecotelhado foram ampliados. É possível encontrar propostas de jardins verticais, muros vegetados para contenção, pavimentos permeáveis com grama, piso ecológico elevado de plástico reciclável, cisternas subterrâneas, entre outras soluções.

Ainda assim, o carro-chefe de vendas da empresa são os sistemas de telhado verde. A solução é responsável por até 40% do faturamento. Como a Ecotelhado atende projetos do México, Peru, Colômbia e Uruguai, calcula-se que existam mais de 300 mil metros quadrados de telhados verdes no Brasil e no exterior instalados a partir da tecnologia desenvolvida por Feijó e Guimarães.

O custo médio do sistema de telhado verde é de R$ 225 o metro quadrado com vegetação e substrato.

"Para os próximos anos, esperamos desenvolver novos sistemas e nos aprimorar mais. Nossa preocupação é a longo prazo, não só comercial", define Feijó.
Além da sede em Porto Alegre, a Ecotelhado tem uma unidade em São Paulo. A empresa tem 20 funcionários fixos e cerca de 200 pessoas trabalhando indiretamente no negócio.

Aproveitamento

Leandro e Cinthia foram clientes da Ecotelhado - Divulgação - Divulgação
Leandro e Cinthia foram clientes da Ecotelhado
Imagem: Divulgação
Quando comprou um terreno em declive na região de Perdizes, em São Paulo, o engenheiro ambiental Leandro Facchini Noleto, de 38 anos, já tinha em mente o que gostaria de construir. "Queria um solário. Era algo que já fazia parte da concepção do projeto. Já pensava também nesse primeiro momento no design biofílico, na questão de trazer a natureza para perto de casa e da família", conta.

O primeiro passo foi construir a residência com uma laje reforçada o suficiente para receber um telhado verde. A construção ficou pronta em 2016, mas Noleto seguiu pesquisando as empresas que ofereciam a tecnologia que ele gostaria de adquirir para residência. Foi então que chegou até a Ecotelhado. O projeto idealizado com a esposa, a coaching Cinthia Cibele Santos, 34 anos, foi finalizado neste ano. "A diferença foi muito grande, não só visual", comenta o engenheiro.

Ele explica que, antes da instalação de um sistema hidromodular de telhado verde, a laje da residência já tinha começado a apresentar trincas em função da absorção de calor durante o dia e dilatação à noite. O problema cessou com a implantação do solário, que ganhou uma área de convivência com deck de madeira e plantas. O sistema hidromodular utiliza uma placa de plástico reciclado que reserva água e não necessita de substrato quando colocado com grama.

"Não apareceu mais nada. Mas os benefícios foram além da preservação da estrutura da casa. O conforto térmico melhorou radicalmente e o deck ajudou no isolamento acústico", avalia Noleto.

Conforme o engenheiro, hoje o espaço é um dos espaços mais prazerosos e sustentáveis da casa. Toda a água captada na laje é direcionada para uma cisterna subterrânea, instalada a sete metros abaixo do telhado verde e com capacidade para armazenar até três mil litros de água. "Aproveitamos a gravidade para isso. Essa água passa por uma filtração natural, em que a sujicidade fica na grama do telhado e já chega praticamente limpa na cisterna", completa.

O armazenamento atende às necessidades do jardim da casa da família.

Bom pra todo mundo