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Carol Celico: "Pessoas precisam investir no social tanto quanto na Bolsa"

Carol Celico e crianças que receberam doações da Fundação Amor Horizontal, criada por ela em 2014 - Divulgação
Carol Celico e crianças que receberam doações da Fundação Amor Horizontal, criada por ela em 2014 Imagem: Divulgação

Matheus Pichonelli

Colaboração para Ecoa, de Campinas (SP)

22/09/2020 04h00

A empresária paulistana Carol Celico, 33, entrou em isolamento social em 12 de março, um dia após a Organização Mundial da Saúde anunciar a pandemia do novo coronavírus. Quatro dias depois, a Fundação Amor Horizontal (FAH), entidade criada e presidida por ela em 2014, deu início a uma campanha de arrecadação para atender às necessidades emergenciais de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social e econômica. Devido à Covid-19, parte das escolas e instituições parceiras da fundação haviam fechado as portas. Os maiores prejudicados foram as crianças que dependiam desses locais para se alimentar.

"Fomos um dos primeiros a fazer as entregas de alimentos, produtos de higiene, produtos de limpeza, máscara e álcool em gel", relembra a ativista e influencer em entrevista a Ecoa.

Em seis meses de pandemia, a fundação conseguiu captar quase R$ 1 milhão para doação de mais de 8 mil cestas básicas, 1.500 kits de higiene para família, 6,7 mil kits de limpeza e quase 30 mil máscaras caseiras.

Celico define a FAH, pioneira em doações online no Brasil, como um elo intermediário entre o doador e as ONGs, que recebem produtos comprados de parceiros com descontos. As doações são feitas por meio de uma plataforma eletrônica que une empresas e instituições de pequeno e médio porte.

Desde que voltou a morar no Brasil, há cerca de seis anos, Celico conta que precisou entender a cultura do brasileiro e conscientizar que doação não é passar a alguém o que teria o lixo como destino. "Eu não estava remando contra a maré, eu estava remando em areia", define.

Ela conta também que é difícil falar sobre filantropia em uma época marcada pelas comunicações em redes, em que a revolta rende mais engajamento do que campanhas beneficentes. "Você pode ter um milhão de pessoas, conhecer os bilionários todos do Brasil, conhecer as pessoas com maior engajamento nas redes sociais, você pode conhecer os globais, que têm maior visibilidade Brasil agora. Mesmo assim é muito difícil fazer uma pessoa doar R$ 10. É impressionante como é fácil a agressão e como é difícil falar de amor", diz.

Segundo ela, as empresas, marcas e pessoas físicas se sentiram sensibilizadas e entenderam, na pandemia, que deveriam ter um propósito maior de vida. Ela é cética, porém, sobre o momento pós-pandemia. "Ser doador é ser recorrente, é doar sempre."

Desde o início das atividades, a Fundação, que começou a ser idealizada há dez anos, já amparou cerca de 42,8 mil crianças por meio de 97 instituições parceiras e arrecadou cerca de R$ 3,7 milhões de reais, transformados em mais de 174 mil produtos usados na montagem de kits com produtos de alimentação, higienização e educacional.

"As pessoas precisam investir no social tanto quanto elas investem na Bolsa", afirma.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

Das mesadas à filantropia

Quando era pequena, eu recebia uma mesada do meu pai através de um cartão de crédito. Esse cartão tinha um limite de saque de 10%. Se eu sacasse meus 10%, comprasse alguma coisa e doasse o dinheiro em espécie, eu ficaria sem dinheiro para o mês. Foi quando pensei: vou ter que achar algum lugar para que eu consiga comprar e fazer a doação sem que tire do meu cartão.

Eu comprava no delivery de um supermercado, que era a única plataforma da época, e mandava entregar em um projeto que fazia marmitex e sopão para morador de rua.

Foi nessa época que comecei a perceber que podia fazer uma doação que não era entregar o dinheiro a uma instituição que talvez fosse usar de maneira com a qual não concordasse. Em vez disso, ia doar a comida que precisaria para a pessoa sobreviver. Sabia para onde estava indo.

O sistema da doação da Fundação funciona assim: a pessoa entra no site, compra o valor que ela quer, a partir de R$ 10, e vê quais produtos vão ser doados. Pode ser alimento, medicamentos, material escolar, brinquedo educativo, o que a criança estiver mais precisando. Em 2010, quando comecei o projeto, não existia nada no mundo que fazia o que a Fundação estava se propondo a fazer. A ideia era unir o doador ao produto. A gente consegue comprar o produto direto com os fornecedores parceiros com até 70% de desconto e entregar direto na instituição.

Criamos a primeira plataforma no mundo que uniu o doador à instituição. A gente fez uma triagem de todas as instituições para garantir a idoneidade, usa o termo do selo da fundação, o selo FAH, que garante ao doador que a gente fez visita in loco, acompanha as instituições de perto, observa o tipo de trabalho, onde está ajudando, como está a gestão de recursos, como estão as doações, como está o RH, o marketing. A gente faz workshops anuais para ajudar no planejamento financeiro, no planejamento de divulgação, de captação de recursos, de novos doadores para que essas entidades cresçam, fiquem sustentáveis e falem: "a gente não precisa mais de doação porque já conseguiu [recursos] para esse mês, pra esse ano".

Mas até lançar a plataforma foi um processo bem difícil. Na época, ninguém queria executar o projeto. As pessoas, os técnicos de TI, brincavam comigo, falavam "você está criando um novo Facebook, isso vai custar milhões". E para não custar milhões fomos nos adaptando, chamando os técnicos que a gente conseguia por um recurso menor, já que não temos fins lucrativos.

O cenário na época entre amigo, familiares, público, era muito difícil de explicar. As pessoas não entendiam por que eu estava fazendo aquilo. Perguntavam: "mas vou doar o dinheiro?" Até explicar o storytelling foi uma coisa que a gente teve de construir muito ao longo de cada ano. Foi um trabalho de conscientização. O trabalho da fundação não é assistencialista. Ela é uma missão em que a gente muda a cultura de doação do brasileiro, do povo brasileiro, da sociedade brasileira.

Quando a gente muda a cultura de doação, e a pessoa consegue entender que o dinheiro dela vai beneficiar milhares de crianças, consegue entender que essas crianças apoiadas estão recebendo um material novo. É diferente do que os brasileiros costumam fazer. Quando ele decide doar, por exemplo uma colher, é porque o material está velho e ele não quer jogar no lixo porque pagou caro na época.

Ajudar não é doar o que iria para o lixo

A criança das instituições que recebe a doação está acostumada a receber material escolar usado, tudo velho, faltando pedaço, brinquedos quebrados. Quando a gente doa uma mochila nova, com etiqueta, com todos os materiais dentro, impecáveis, saídos da loja, ela começa a mudar a visão dela, a maneira com que ela enxerga o mundo. O cérebro dela começa a formar novas conexões. Isso cria estímulos para que, no momento de decisão, no momento de escolha de futuro, em que pode escolher a violência ou não, a prostituição ou não, ela saiba que ela merece o melhor. Ela pode dizer que não quer a violência, o lixo, as drogas.

A gente está construindo um projeto 360 graus onde trabalho o doador, para que ele goste de doar e veja o produto que doou. Vê que os R$ 10 foram transformados em fraldas e foram para a Maria. Podem enxergar isso acontecendo a partir de fotos e relatórios da fundação e ele consegue também impactar essa criança que está lá na ponta. Ela vai receber algo novo e entender que ela é merecedora. As crianças atendidas nesses processos educacionais começam a ver que têm outra oportunidade, têm mais chances, e chances melhores no futuro. Então é um projeto 360 graus.

Os beneficiários do projeto são mais de 40 mil crianças. A gente começou em SP, e neste ano fomos para outros estados. Estamos na Amazônia, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro Oeste. Aos poucos queremos entrar em todos os estados e depois em todas as cidades.

Impactos da Covid-19

Eu já estava em casa desde o dia 12 de março e, no dia 16, a gente já tinha uma cesta pronta de combate à Covid. Começamos as arrecadações e fomos um dos primeiros a fazer as entregas de alimentos, produtos de higiene, produtos de limpeza, máscara e álcool em gel.

A gente tem essa sensibilidade de empreender no terceiro setor, estar à frente e olhar qual a maior necessidade agora. A maior necessidade hoje é entender o que as crianças em casa estão fazendo aula sem computador e sem telefone. Como vão continuar e ter o desenvolvimento normal com a mãe e o pai estressados, trabalhando, com a pandemia, todo mundo à flor da pele, o psicológico desmoronando, e a criança sem ter um computador, sem ter uma internet, sem ter um telefone, ter que usar da mãe, que também precisa usar e não quer compartilhar com os filhos, está sobrecarregada, o pai está estressado porque perdeu o emprego. Estamos pensando nessas famílias, nas famílias brasileiras, de classe média, baixa, em como essas crianças estão se desenvolvendo agora.

Então, temos uma cesta de desenvolvimento educacional com bola, com produto de artes, com livros, coisas para as crianças receberem em casa e conseguirem ter algum desenvolvimento que elas não teriam. No passado, as crianças cresciam no jardim de casa e dava tudo certo. Tinham muito mais tempo dos pais para elas, tinham a atenção do adulto, tinham a vovó que cuidava, a vovó que ensinava com sabedoria, que contava histórias. A gente não tem mais isso. São raras as exceções em famílias que conseguem manter uma harmonia e um cuidado maior principalmente com o psicológico e com o desenvolvimento infantil, que é tão importante para formar o caráter, formar a personalidade dessa criança e para dar a ela um futuro melhor no momento em que ela vai precisar resgatar tudo aquilo que ela recebeu na infância.

Mundo pós-Covid

As marcas nacionais começaram a entender que elas precisam ter um propósito. E esse propósito tem que ser passado ao consumidor, mostrando que parte do dinheiro para uma roupa, um acessório, um produto de luxo, está sendo revertido para tais projetos, para tais crianças, para colher tais coisas no futuro.

Elas começaram a entender isso, e isso aconteceu por causa da Covid. Muitas empresas, famílias e pessoas físicas contam que já fizeram uma vez a doação e, por isso, pensam que já são doadores. Na verdade, não. Ser doador é ser recorrente, é doar sempre. É doar uma vez por ano, uma vez por mês, é doar todo dia. A gente consegue doar, todo mundo pode doar alguma coisa, seja uma ideia, seja um tempo, um amor, um carinho, um olhar, um abraço, seja recurso. O que a gente quer é fazer com que a doação seja recorrente, que o hábito de doar vire uma prática na vida de cada um, como a gente checa nossos emails, como escovar os dentes, como fazer um esporte.

O que mudou [com a pandemia] foi que as pessoas começaram a se acostumar mais com a palavra terceiro setor, com a palavra filantropia, a palavra doação, beneficente, e não só aquela coisa de colaborar no fim do ano com um evento beneficente que vai dar cesta de Natal e panetone para crianças.

Mudou muito nesse sentido. A Covid trouxe essa consciência mais forte, um choque. Mas não acho que mudou [para sempre]. As pessoas tiveram um momento de mais doação nesse período. As empresas, marcas e pessoas físicas se sentiram sensibilizadas, entenderam que deveriam ter um propósito maior de vida vendo essa pandemia acontecer tão de perto, mas acho que foi um momento pontual. Ano que vem, ou mesmo agora que as coisas estão começando a voltar, a tendência é que a gente volte ao ritmo que estava antes. [Não espero] grandes mudanças, não. O que houve foi um acesso a recursos maior durante os primeiros meses da quarentena.

Escondia doações da família

A filantropia é uma palavra que eu falo muito, as pessoas que me conhecem, me seguem e acompanham sabem o que significa porque sempre estou explicando. Filantropia é você querer fazer algo em prol de outra pessoa. Ela é esse instinto do bem que a gente nasce com e que ao longo da vida os traumas, a educação dos nossos pais, a educação da nossa escola, o círculo e o ambiente de amigos acabam causando uma série de reflexos e consequências que vão formando a gente e fazem com que a gente dê menos atenção para isso e mais a nossos próprios interesses, digamos assim. A filantropia é o resgate disso. É o resgate desse ímpeto que todos temos. De querer fazer a diferença na vida de alguém e não querer nada por isso, nem dinheiro, nem atenção nem aplausos. Apenas se sentir bem. E é isso o que a gente fala: doar faz bem ao coração. É uma linha tênue que eu comecei a ter de entender: que minha imagem poderia servir para inspirar outras pessoas e não me arrependo por ter que começar a mostrar uma coisa que eu nunca gostaria de mostrar. Sempre fiz minhas dações e nem meu ex-marido [o ex-jogador Kaká] sabia, nem meus pais sabiam. Minhas doações eram um momento, uma sensação toda minha. Não queria compartilhar isso com ninguém e não compartilhava.

Até que veio a plataforma, e eu realmente entendi que eu estaria doando também a minha imagem e que isso é importante nesse mundo digital de influência. As pessoas procuram referências. Muitas vezes isso é difícil, ter referências dentro de casa, já não temos mais aquela figura dos velhinhos bem sábios que contavam um monte de coisa pra gente. Isso mudou muito. Os avôs, as avós, estão parecendo os pais de todo mundo. As crianças e os adolescentes cada vez mais precisam dessa busca. Então entendi que minha imagem faria, sim, a diferença e criaria em muita gente essa referência de querer fazer o bem. Tive que romper com preconceitos de não querer mostrar, mas entender que precisaria levantar bandeira para que outras levantassem.

Todo mundo que participa de uma reunião comigo, ouve uma palestra, e na quarentena tivemos muitas lives, saem com o coração aquecido e querendo fazer algo. Muita gente criou projetos, campanhas.

O impacto do terceiro setor não é medido só por doações e doadores. Ele é medido pelo que causa internamente. Acredito que quando a gente fala de cultura de doação a gente está falando da pessoa que vai ajudar a senhorinha a atravessar a rua, que vai dar a mão para uma criança e olhar nos olhos dela quando pega uma bola.

Essas atitudes geram impactos muito grandes na vida de quem recebe e de quem faz.

Isso é cultura de doação. Uma sociedade mais pacífica, mais calma, principalmente nesse momento de pandemia, um momento em que aumentamos o uso de redes sociais. É importante ressaltar esse tipo de vínculo, que a gente chama de cultura de doação.

Engajamento em tempos de ódio

Ontem assisti "The Social Dilemma" [documentário da Netflix]. Estou inspirada e preocupada. A gente sempre teve mudanças. Teve os cavalos, depois os carros, depois o rádio, depois a TV, o telefone. As coisas foram sempre mudando muito. Mas o que eu acho é que essas alterações hoje são exponenciais. A tecnologia é uma maravilha quando você consegue que uma compra do supermercado chegue em sua casa sem você precisar sair. Você poder ficar com seus filhos, poder trabalhar. A tecnologia está, sim, a nosso favor na maior parte das vezes.

O problema é quando a tecnologia invade a sua vida.

Tem cutucões. Notificações, empurrões, e demandas de alertas o tempo inteiro nos aplicativos dos aparelhos, do celular, do iPad, do computador, do telefone, do interfone. Isso traz uma preocupação sobre o que isso está causando no nosso sistema nervoso. A gente esquece de respirar durante o dia.

A gente sempre se fechou na nossa família, no nosso meio, na nossa cidade, nossa escola, nosso trabalho. A gente sempre escolheu nossa rede de acordo com aquilo que a gente acredita.

Geralmente as pessoas da nossa rede pensam igual. No Instagram e no Facebook, você tem seus amigos, suas redes, você pensa como eles, mas tem milhares de outras redes de que a gente não faz parte. Tem grupos de pessoas que a gente acha que tudo se resume ao nosso grupo, nossa rede, que o mundo inteiro vai pensar como nós e quem não pensa está errado.

Na verdade, o que a gente tem que entender é que existem inúmeras redes e cada uma delas tem a sua razão. A sua maneira de pensar, as suas experiências únicas, sua maneira de enxergar a vida. Isso não é mais respeitado no mundo hoje em dia. Existe muito julgamento, se você falou isso você é racista, se você falou isso você é narcisista, você é fascista. As pessoas, em vez de se colocarem mesmo no lugar do outro, preferem julgar.

Hoje é muito complicado manter um cerne do que é a verdade. Estamos no mundo das fake news, um mundo onde está difícil saber o que é verdade e o que é mentira. As pessoas têm tendência a acreditar em quem tem um milhão de seguidores e não em uma pessoa que pesquisa e vai a fundo em cada assunto.

É muito difícil, sim, falar sobre filantropia, fazer as pessoas falarem, muito difícil. Você pode ter um milhão de pessoas, conhecer os bilionários todos do Brasil, conhecer as pessoas com maior engajamento nas redes sociais, você pode conhecer os globais, que têm maior visibilidade Brasil agora. Mesmo assim é muito difícil fazer uma pessoa doar R$ 10. É impressionante como é fácil a agressão e como é difícil falar de amor.

As pessoas dizem muito "ai que legal falar de amor". Acabou, passa, e segue para próxima crise, a próxima crítica, para compartilhar fofoca com amigos e tudo mais.

É uma coisa difícil querer mudar. É um trabalho de formiguinha, bem devagar, impactando com calma a vida de cada um.

Ensinamento goela abaixo

Eu queria muito que as pessoas doassem porque elas iriam se sentir bem e ponto final. Sempre achei muito ruim a gente dizer que ela vai ganhar alguma coisa, como um desconto numa camiseta, um prêmio, aparecer na home do site. Esse tipo de coisa sempre me incomodou, vai contra o que acredito que seja filantropia. O que tive de me adaptar nesses últimos seis anos [de atividades da FHA] é que a gente não consegue fazer um ensinamento goela abaixo das pessoas. Tivemos de nos adaptar a como o brasileiro pensa, como age, como ele entende a vida, como ele tem seus traumas da corrupção, disso e daquilo.

Ao longo desses seis anos entendi que eu não estava remando contra a maré, eu estava remando em areia. Em vez de estar remando no rio.

Então eu tive que entrar dentro da cultura brasileira e entender que a gente não foi colonizado por ingleses, que já tinham e distribuem essa prática pelos EUA e Canadá e as crianças já são educadas em casa a separar uma parte da mesada para doação. A gente foi colonizado pelos portugueses e os espanhóis, a gente já veio de uma raiz onde isso nunca foi prioridade.

Não que a culpa seja da colonização, a culpa é do tipo de ser humano que se desenvolve de um jeito diferente em cada região do mundo e em cada época do mundo.

Tive que me adaptar a como é o brasileiro e como é a vida hoje. O que faz a pessoa doar ou não e isso foi um grande aprendizado nesses últimos anos.

Estado, igrejas e investimento social

A fundação chama Amor Horizontal porque se refere ao amor ao próximo. Você não pode se conectar eu e Deus, eu e o supremo, eu e o universo, e esquecer de quem está na sua horizontal, de quem está dentro da sua casa, de quem está trabalhando na sua casa, de quem está na sua família, seus amigos, de quem está na sua rua, no seu bairro, na sua cidade.

O amor horizontal é o vínculo que une as religiões do mundo inteiro.

A gente não tem conexão religiosa nenhuma, mas acho sim que poderia existir um trabalho mais unificado entre os braços filantropos de empresas com as igrejas de diferentes religiões e o terceiro setor porque está todo mundo tentando e fazendo mais ou menos a mesma coisa.

O negócio é respeitar o outro e isso é muito difícil principalmente hoje em dia.

As pessoas precisam investir no social tanto quanto elas investem na Bolsa, tanto quanto elas investem o dinheiro em bancos etc.

Da mesma forma que você vai comprar um apartamento para alugar, para ter uma renda sempre pensando na sua aposentadoria, você tem que pensar que de nada importa você ter uma boa aposentadoria e estar sentado em casa na sua velhice com suas continhas pagas se as crianças na rua estão morrendo de fome, se está tendo assalto, se você vai ser assaltado dentro da sua casa na velhice, se a violência aumentou porque essas crianças ficaram sem base, sem infância, sem cuidados, sem vínculos afetivos. Tudo isso é muito importante para o futuro tanto quanto ter uma aposentadoria.

O que fica é: você está investindo em quê? Você está investindo em deixar o mundo melhor para o seu filho poder viver ou você o está deixando à mercê?

Todo mundo tem que cuidar junto porque ninguém vai sozinho para lugar nenhum.