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Rio: Sob chuva fina, 340 mil foliões celebram 10 anos do Sargento Pimenta

Thiago Camara

Colaboração para o UOL, no Rio

24/02/2020 11h42

O Aterro do Flamengo parecia uma Londres frenética, com um vai e vem de 340 mil foliões, segundo estimativa da Riotur, órgão da Prefeitura do Rio de Janeiro. Sob chuva fina e céu cinzento, o bloco Sargento Pimenta, inspirado nos Beatles, comandou sua festa de dez anos do alto de um palco.

O clima meio cinzento, mas nada frio, foi a deixa para os músicos e batuqueiros entoarem "Here Comes the Sun" num medley com "Olha pro Céu Meu Amor", de Luiz Gonzaga. Essa mistura de rock com baião define o bloco em homenagem ao meninos de Liverpool, que na festa dos dez anos contou com a participação da cantora e multi-instrumentista Lucy Alves.

"O próprio Gonzagão era à frente do seu tempo. Ele mesmo misturava rock com baião. Não tem como essa mistura dar errado. Trouxe minha sanfona e a guitarra baiana para tocar não só Beatles, [mas] músicas de Zé Ramalho e Geraldo Azevedo", disse ela.

Felipe Fernandes, fundador do Sargento Pimenta, nunca imaginou que o grupo fosse virar um megabloco no Carnaval do Rio. "Estamos aí há dez anos e vamos fazer uma festa livre de assédio e de violência, cheia de energia positiva", disse ele.

Casadas há um ano, a estatística Rita Souza, 56, e a psicóloga Cecília Moreira, 62, estavam no gargarejo junto à grade que separa o público do palco, cantando e dançando. Para elas, o que se vê no Sargento Pimenta não existe em lugar nenhum do mundo.

"Essa garotada que não viu os Beatles me ensinou a curti-los. Os Beatles estão vivos entre nós", afirma Rita.

Os cerca de cem batuqueiros, formados na oficina de percussão ministrada ao longo do ano, se dividem entre surdos, caixas, repiques, tamborins, agogôs e pandeirolas.

E são os figurinos que fazem você pensar que voltou no tempo, para a Inglaterra dos anos 60. As fantasias são inspiradas na capa de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band".

Funk e discurso feminista

E como um bom bloco carioca, um momento funk protagonizado pelas mulheres sacudiu ainda mais os foliões. Entres sucessos, músicas que evocam a liberdade da mulher. "Você tá muito magra, você tá muito gorda. Quem nunca ouviu isso? Deixa a gente viver, c******!", afirma a cantora Mariana Serra para, em seguida, cantar "Cheguei", de Ludmilla.

Lucy fez coro ao discurso feminista presente em muitos blocos durante o Carnaval do Rio. "O bloco tem muitas mulheres e a participação delas têm crescido em número de batuqueiras, instrumentistas e cantoras. Só queremos muito respeito e alegria", completa.

De volta aos sucessos dos Beatles, um momento carregado de nostalgia e emoção. O público se esbaldou com o hino "Hey Jude". A euforia que os meninos de Liverpool causavam, quando unidos em suas turnês, atravessou o tempo e aterrissou no Carnaval do Sargento Pimenta.

Blocos de Rua