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Oscar Roberto Godói


VAR: Tecnologia tem que provar que não tem sentimento clubístico

Bruno Henrique toca por cima de Cássio para marcar o segundo gol flamenguista - Ricardo Moraes/Reuters
Bruno Henrique toca por cima de Cássio para marcar o segundo gol flamenguista Imagem: Ricardo Moraes/Reuters
Oscar Roberto Godói

Jornalista e ex-árbitro, esteve sob a chancela da Fifa de 1993 a 2000.

04/11/2019 14h36

Como acreditar na palavra de um jogador negando ou confirmando uma falta se ele não conhece as regras? Portanto, nem sempre podemos enaltecer ou crucificar o árbitro tendo como referencia a honesta e sincera opinião do atleta.

O goleiro corintiano Cássio derrubou o atacante flamenguista Arrascaeta, cometendo pênalti e teve coragem de dizer que "tocou na bola, só na bola e nada mais". Pelas imagens, fica bem nítido que o goleiro acerta a mão no pé do atacante e depois atropela com o corpo, derrubando o artilheiro do Flamengo, na goleada por 4 a 1 sobre o Corinthians.

No jogo Cuiabá 2 x Bragantino Red Bull 0, Jean Patrik cobrou um pênalti na trave e tocou na bola novamente atrapalhando o companheiro Jefinho de fazer 1 a 0 para o Cuiabá. Se conhecesse só um pouquinho da regra, não teria cometido o popular "dois toques" antes que um outro jogador batesse na bola. Algumas regras o boleiro deveria aprender junto com o ensinamento inicial dos fundamentos futebolísticos.

Mesmo ainda sendo muito criticado, o VAR acertou mais do que errou nos jogos do final de semana. Entre os que assisti, destaco o acerto do árbitro Anderson Daronco no jogo Chapecoense x São Paulo, de não marcar pênalti no lance em que a bola bate no corpo do são-paulino Raniel e depois no braço.

Lance semelhante tivemos no jogo Flamengo x Corinthians, com a bola tocando no braço do flamenguista Ewerton Ribeiro e o árbitro Jean Pierre também não marcou pênalti. Outra interpretação que entendo como correta foi no jogo Santos x Botafogo, onde a bola toca no braço de Lucas Veríssimo e o árbitro Rodrigo Dalonso entendeu como legal. Dalonso errou em não expulsar o santista Jorge pelo pisão que deu em Enderson.

Demorando ou não, acertando ou errando, o VAR continua sendo criticado pela demora nos lances de impedimento e despertando muita desconfiança em quem se sente prejudicado. O Ceará está bravo com o gol de empate anulado contra o Palmeiras por impedimento do atacante Bergson.

O São Paulo teve um gol de Bruno Alves, o quarto, por impedimento que também deixou dúvidas. O quarto gol do Santos contra o Botafogo marcado por Soteldo e validado pelo VAR, também despertou dúvidas. É a tecnologia tendo que provar que, mesmo manipulada pelo homem, não tem sentimento clubístico.

Árbitro que será Fifa ano que vem, Flávio de Souza teve a experiência de apitar um Gre-Nal. A vitória do Grêmio por 2 a 0 encobriu erros da arbitragem ao não dar vantagem em lance que Cortez tinha possibilidade de marcar um gol para o Grêmio e de não expulsar Rodrigo Moledo, do Internacional, pela falta que cometeu em Matheus Henrique.

Árbitro precisa ter sorte ou competência? Se for competente, ele terá sorte.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do informado anteriormente, Cássio derrubou De Arrascaeta no lance do pênalti para o Flamengo, e não Bruno Henrique. O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Oscar Roberto Godói