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Por que Carille "nunca" escala dois centroavantes no Corinthians

Atacantes Vagner Love e Boselli conversam em treinamento do Corinthians no CT Joaquim Grava - Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Atacantes Vagner Love e Boselli conversam em treinamento do Corinthians no CT Joaquim Grava Imagem: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Samir Carvalho

Do UOL, em São Paulo (SP)

17/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Love, Boselli e Gustagol marcaram juntos 25 gols
  • Não faz parte da "escola" de Fábio Carille
  • Carille prioriza triangulações pelos lados do campo

O Corinthians possui três centroavantes no elenco e que não deixam a desejar na temporada até o momento. Juntos eles marcaram 25 gols. Somente em jogos oficiais, Love e Gustagol marcaram dez cada um, enquanto Boselli fez cinco. No entanto, o técnico Fábio Carille nunca escalou um ataque com pelo menos dois deles dentro da área, lembrando o glorioso ataque tetracampeão da seleção brasileira, formado por Bebeto e Romário em 1994.

Os motivos são muitos, mas se resumem a um: dois centroavantes nunca foi a "escola" de Carille. Antes de engrenar como técnico do Corinthians e atuar como auxiliar, ele aprendeu, principalmente, com os estilos de Mano Menezes e Tite.

Por conta disso, Carille prioriza os esquemas 4-1-4-1 e 4-2-3-1, com os atacantes pelos lados voltando e muito para marcar no campo de defesa. Foi assim em 2017, quando conquistou o Campeonato Brasileiro e o Campeonato Paulista, atuando com Clayson e Romero pelas beiradas. Na ocasião, a dupla ajudava demais na marcação e lembrava o "famoso" Jorge Henrique de Tite, por exemplo.

Este ano, ele repete a tática com Clayson e Pedrinho pelos lados. O esquema com dois centroavantes de origem em campo até foi utilizado por Carille, mas com Vagner Love sempre fazendo a função pelas beiradas - sem mudar o esquema 4-2-3-1. A tentativa não deu certo, pois Love não conseguiu se firmar na nova função. O "findar desse labor" ocorreu no empate com o Ceará na Arena, quando o Timão sofreu o empate no finalizinho após o treinador deslocar Love para o lado do campo.

Para atuar com dois goleadores por dentro, Carille teria que fazer uma mudança radical em seu esquema tático. O treinador teria que escalar o time no 4-4-2 (quadrado), com dois meias armadores, ou 4-4-2 (losango), com um meia centralizado. Uma opção que se aproximaria mais dos esquemas de Carille seria o "4-4-2 inglês", utilizado na Europa, com duas linhas de quatro e dois atacantes.

O problema é que para atuar neste esquema, Carille teria que escalar centroavantes que saibam cair pelos lados do campo: neste caso seria Vagner Love e Boselli.

Além disso, a premissa do esquema de Carille é a triangulação pelos lados do campo para chegar à linha de fundo. Hoje, ele faz isso com Fagner, Junior Urso e Pedrinho do lado direito, e Danilo Avelar, Clayson e Mateus Vital do esquerdo. Por conta disso, o Corinthians joga até mais pelo lado direito, já que Fagner "sobe" mais ao ataque. A ideia é sempre fazer superioridade numérica no setor e conseguir jogadas de linha de fundo.

O jogo de Carille se resume bastante a triangulação e toque curto pelos lados do campo e, por isso, dificilmente ele mudaria esse esquema. Se não bastasse, Gustagol raramente seria um dos escolhidos no "esquema Bebeto e Romário", pois o camisa 19 é apenas um jogador de finalização e que não tem características de sair pelos lados.

Resumindo, o torcedor corintiano que pede a dupla de "camisas 9" de titular, dificilmente verá essa escalação. Aliás, no duelo decisivo contra o Independiente de del Valle, amanhã, às 21h30 (de Brasília), em Itaquera, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana, o treinador deve escalar o trio de ataque com Clayson, Pedrinho e Vagner Love, com Mateus Vital centralizado na armação de jogadas, no esquema 4-2-3-1.