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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Qual é o Remédio

Hidrocortisona: corticoide trata vários tipos de doença, inclusive câncer

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

03/08/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Hidrocortisona é um medicamento da classe dos corticosteroides (corticoides)
  • Trata-se de uma versão sintética do cortisol, um hormônio produzido pelo corpo humano
  • Suas principais indicações são o controle de inflamações e alterações do sistema imunológico
  • Deve ser usada com critério entre idosos e crianças, dados seus potenciais efeitos colaterais

Versão sintética do cortisol, um hormônio produzido pelas glândulas adrenais, a hidrocortisona é utilizada para repor essa substância, combater inflamações ou tratar vários tipos de doenças, inclusive o câncer.

O que é hidrocortisona?

Trata-se de um glicocorticoide que faz parte da família dos corticosteroides. Pode também ser definido como anti-inflamatório esteroidal.

Conhecido ainda como corticoide ou corticosteroide, esse tipo de fármaco tem poder anti-inflamatório e imunossupressor, e é uma versão sintética do cortisol, um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais (adrenais).

Dadas as características desse medicamento, ele só deve ser vendido sob prescrição médica.

Saiba quando você pode tomar a hidrocortisona

Como possui ampla utilização, esse fármaco é considerado seguro. Contudo, é importante que você faça o uso racional desse remédio, ou seja, utilize-o de forma apropriada, na dose certa e pelo tempo indicado pelo seu médico.

A hidrocortisona pode ser usada em variadas condições de saúde nas quais sejam necessários o controle de inflamações e de alterações no sistema de defesa do corpo (imunossupressão).

Além disso, ela também pode ser útil nos quadros em que haja insuficiência das funções das glândulas suprarrenais. Veja, a seguir, outros exemplos de suas indicações:

  • Doenças endócrinas, reumatológicas ou autoimunes
  • Reações alérgicas (anafilaxia)
  • Asma
  • Sepse
  • Doenças inflamatórias intestinais (como a colite)
  • Enxaqueca
  • Cirurgia cardíaca (no pós-operatório)
  • Sintomas de determinados problemas de pele (eczema, dermatites, líquen, picadas de inseto, lúpus, brotoejas etc.)
  • Problemas oculares
  • Alguns tipos de câncer (leucemia, linfoma etc.)

O que esse corticoide faz no corpo?

Almir Gonçalves Wanderley, professor do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFPE, explica que a hidrocortisona interage com receptores de glicorticoides no núcleo das células, modulando vários tipos de proteína, entre elas, as mediadoras da inflamação.

"A partir dessa ação é que ela inibe a inflamação e pode provocar alterações no sistema de defesa do corpo (imunossupressão), a depender da dose utilizada".

O medicamento é metabolizado principalmente pelo fígado e excretado pela urina.

De modo geral, devem ser evitados tratamentos prolongados com esse medicamento, dados os seus possíveis efeitos colaterais.

Conheça as apresentações disponíveis

Berlison® é um exemplo de marca de referência da hidrocortisona. Mas você também pode encontrar as versões genéricas.

Conforme a necessidade de cada paciente, a administração pode se dar por via tópica ou injetável. O esquema de doses é sempre personalizado e deve respeitar critérios como idade, gravidade e tipo da doença, ou até o sintoma que se pretenda tratar ou controlar. Confira exemplos de apresentações disponíveis:

  • Creme - 10 mg
  • Pó para solução injetável - 100 mg; 500 mg

Esses medicamentos constam da Rename 2020 (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) e, portanto, têm distribuição gratuita em todas as UBS (Unidades Básicas de Saúde. Para ter acesso à medicação, basta apresentar a receita médica.

Entenda os riscos de parar o tratamento por conta própria

Caso a sua terapia seja contínua, e você decida suspendê-la, peça a orientação do seu médico.

A retirada abrupta do tratamento poderia ter como resultado a piora de seu estado de saúde, além de efeitos como cansaço, fraqueza, dores pelo corpo e articulares, especialmente em tratamentos longos e com doses altas.

Quais são as vantagens e desvantagens do seu uso?

De acordo com Cesar Augusto da Silva, professor da disciplina de medicina de família e comunidade do curso de medicina da UFPR-Toledo, o acesso ao medicamento —em sede hospitalar ou ambulatória— é a maior vantagem desse medicamento que possui ampla utilização.

"Destaco ainda o fato de que a apresentação tópica (creme) possui baixa potência, o que garante efeitos colaterais reduzidos e torna ainda mais seguro o seu uso em quadros mais leves, especialmente nas populações mais sensíveis, como os idosos e as crianças".

Entre as desvantagens, os especialistas destacam os vários efeitos adversos, que impõem a necessidade de acompanhamento médico próximo e constante. Somente este profissional poderá observar as peculiaridades do quadro de cada paciente, tomando as decisões que sejam necessárias para o seu bem-estar geral.

Saiba quais são as contraindicações

A hidrocortisona não pode ser usada por pessoas que sejam alérgicas (ou tenham conhecimento de que alguém da família tenha tido reação semelhante) ao seu princípio ativo ou a qualquer outro medicamento da mesma classe, bem como a algum componente de sua fórmula.

O uso dessa medicação também deve ser feito com maior cautela nas seguintes situações:

Crianças e idosos podem usá-la?

Sim. A hidrocortisona pode ser indicada para esses grupos populacionais, mas com o devido cuidado.
A razão para isso é que eles são mais suscetíveis aos eventuais efeitos colaterais, como problemas de crescimento (na infância) e osteoporose (principalmente entre as mulheres). As doses também devem ser perfeitamente adequadas a esses grupos.

Estou grávida e pretendo amamentar. Posso usar hidrocortisona?

Como não existem estudos de segurança entre grávidas e lactantes, o uso desse medicamento, especialmente em altas doses ou por tempo prolongado, apresenta risco potencial para a mãe e o bebê. No entanto, cabe ao médico avaliar os riscos e benefícios do uso da medicação em gestantes.

Como o fármaco é excretado no leite materno, mesmo que em níveis baixos, o profissional da saúde deverá ser criterioso para decidir pela continuidade ou não do tratamento.

Existe uma melhor hora do dia para usar esse medicamento?

O fármaco deve ser utilizado na forma indicada pelo médico, sem interrupção do esquema de doses antes do final do tratamento.

"Para aqueles que tenham dificuldade para dormir, o ideal é utilizar a hidrocortisona no período da manhã", sugere a farmacêutica Amouni Mourad, assessora técnica do CRF-SP.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Utilize-o assim que lembrar e reinicie o esquema de uso do medicamento. É desaconselhado utilizar doses em dobro para compensar a dose esquecida.

Se você sempre se esquece de usar suas medicações, programe algum tipo de alarme para lembrar-se.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Este medicamento é considerado bem tolerado, seguro e eficaz quando utilizado com supervisão e de acordo com as orientações médicas. Apesar disso, algumas pessoas poderão observar as seguintes manifestações (estes são apenas alguns exemplos):

Comuns

  • Tontura
  • Fraqueza
  • Cansaço
  • Dor de cabeça
  • Dor muscular
  • Indigestão
  • Náusea
  • Diarreia

Raros

  • Mudança de humor
  • Inchaço nos membros, dor no peito
  • Alterações na visão
  • Sangramento
  • Fezes escurecidas
  • Fraqueza muscular e cãibra
  • Aumento da temperatura
  • Perda do apetite e peso

Efeitos mais comuns nos tratamentos com altas doses e por longo período de tempo:

  • Osteoporose
  • Supressão adrenal
  • Diabetes
  • Hiperglicemia
  • Miopatia
  • Glaucoma
  • Catarata
  • Problemas cardiovasculares, gastrointestinais e dermatológicos

Interações medicamentosas

Alguns medicamentos não combinam com a hidrocortisona e podem alterar, reduzir ou potencializar efeitos, mesmo os colaterais. Avise seu médico se estiver consumindo algum dos seguintes fármacos:

  • Analgésicos e Anti-inflamatórios Não Esteroidais (como ibuprofeno ou paracetamol)
  • Antifúngico (anfotericina, cetoconazol)
  • Anticoagulantes (varfarina)
  • Anticonvulsivante (fenitoína)
  • Anticolesterolêmicos (colestiramina)
  • Outros imunossipressores (ciclosporina)
  • Diuréticos (furosemida e hidroclorotiazida)
  • Antidiabéticos orais (incluída a insulina, glimepirida e metformina).

Posso tomar vacinas?

É muito raro que uma vacina seja contraindicada porque, na maioria das vezes, seus benefícios superam os seus eventuais riscos. No caso da hidrocortisona, o fabricante adverte que deve ser evitada a vacina contra a varíola, assim como outros tipos de imunizações com vírus vivo atenuado.

A explicação para isso é que, como esse medicamento é capaz de inibir a defesa do corpo, a vacina poderia perder seu efeito. A sugestão dos especialistas é que pessoas que fazem tratamento com esse fármaco, especialmente com doses altas, devem sempre consultar o médico para que ele possa orientar sobre a melhor forma de proceder.

Interação alimentar

Grande parte das pessoas que necessitam usar esse medicamento são pessoas que têm doenças crônicas para as quais é contraindicado o consumo de álcool. E mesmo que, no seu caso, o tratamento seja de curto prazo, sugere-se evitar esse tipo de bebida, porque ela poderia sobrecarregar o fígado e ainda potencializar o risco de tonturas.

Por outro lado, algumas modificações na dieta podem ser sugeridas, como a redução da ingesta de sódio, sal, e maior consumo de potássio e proteínas.

De acordo com Marcelo Polacow, vice-presidente do CRF-SP, a razão para isso é que o uso de altas doses de hidrocortisona pode levar à alta concentração de sódio no sangue, à retenção de líquidos —e consequente aumento da pressão arterial— além de baixos níveis de potássio.

Há interação com exames laboratoriais?

Sim. Este medicamento pode ter efeitos sobre testes cutâneos —como os para pesquisa de alergia, ou para tuberculose (teste de Nitroblue tetrazolium). Antes de fazer esses exames, informe o médico ou o pessoal do laboratório sobre o uso dessa medicação.

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Fique atento à validade do medicamento, que é de 24 meses. Considere que, após aberto, essa validade é ainda menor;
  • Mantenha o medicamento sempre dentro da própria embalagem e nunca descarte a bula até terminar o tratamento;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Utilize o medicamento na posologia indicada;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta. A exceção é a indicação médica;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos ou trancados. A ideia é dificultar o acesso das crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite o descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - Fiocruz) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Marcelo Polacow, farmacêutico e vice-presidente do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia em São Paulo); Cesar Augusto da Silva, médico de família e comunidade, professor da disciplina de medicina de família e comunidade do curso de medicina da UFPR-Toledo (Universidade Federal do Paraná, campus Toledo); Almir Gonçalves Wanderley, doutor em farmacologia e professor titular do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco); Amouni Mourad, farmacêutica, professora do curso de farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e assessora técnica do CRF-SP. Revisão técnica: Amouni Mourad.

Referências: Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); Hodgens A, Sharman T. Corticosteroids. [Atual. 2021 Jun 29]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554612/; Gabros S, Nessel TA, Zito PM. Topical Corticosteroids. [Atual. 2021 Jul 13]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK532940.

Errata: o texto foi atualizado
Diferente do que foi informado, a rifampicina não é um anticonvulsivante. A informação já foi corrigida no texto.

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