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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Qual é o Remédio

Captopril: com alto poder anti-hipertensivo, requer ajuste de doses gradual

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

06/07/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Trata-se de um medicamento indicado para o tratamento da pressão alta
  • Ele atua no organismo por meio da dilatação dos vasos sanguíneos (arteríolas)
  • É contraindicado para grávidas e pessoas com problemas renais devem usá-lo com cautela
  • Pode ter como efeito colateral tosse seca persistente

Ao ser lançado no mercado no início da década de 1980, o captopril foi considerado um dos maiores avanços da medicina cardiovascular. Isso porque ele é o primeiro dos IECA (Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina), medicamentos indicados para o tratamento da hipertensão (pressão alta).

O que é captopril?

Trata-se de um potente anti-hipertensivo classificado como inibidor da enzima conversora de angiotensina, que é capaz de reduzir a pressão arterial impedindo a constrição dos vasos sanguíneos.

Em quais situações ele pode ser usado?

O fármaco é considerado primeira linha de tratamento da hipertensão, mas também pode ser indicado nas seguintes situações:

A literatura sobre esse medicamento esclarece que os médicos poderão também utilizá-lo em crises agudas de hipertensão e vasosespasmos das extremidades, como o fenômeno de Raynaud. Como essas indicações não constam da bula, elas são chamadas de off label.

Entenda como ele funciona

Ao ser administrado pela via oral, ele é rapidamente absorvido, é metabolizado pela via hepática e sua excreção se dá, majoritariamente, pela via renal. Espera-se a redução da pressão arterial imediatamente após um período de 60 a 90 minutos, e sua estabilização em cerca de 2 semanas.

Para alcançar esse objetivo, o captopril promove a dilatação dos vasos sanguíneos (arteríolas), impedindo a formação da angiotensina II —encarregada de suas constrições.

A principal mecânica por trás disso é a supressão da ação de um sistema chamado renina-angiotensina-aldosterona, cuja enzima conversora (ECA) transforma a angiotensina I em angiotensina II. A explicação é de Almir Gonçalves Wanderley, professor titular do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFPE.

Na maioria das vezes, esse medicamento é de uso crônico, e o ideal é que o tratamento tenha início após a avaliação do estado geral do paciente, especialmente suas funções renais e níveis de potássio no sangue, e ele deve ser acompanhado de perto pelo médico para monitorar o risco de eventuais efeitos colaterais.

Conheça as apresentações disponíveis

Esse medicamento deve ser consumido sob prescrição médica, especialmente porque suas doses devem ser personalizadas. E lembre-se: nenhum medicamento é 100% seguro. Por isso, é importante que você faça o uso racional desse remédio, ou seja, utilize-o de forma apropriada, na dose indicada e pelo tempo definido pelo seu médico.

O medicamento de referência, cujo princípio ativo é a captopril, é o Captosen®. A medicação pode ser encontrada na forma de comprimidos, que poderão ter as seguintes apresentações: 12,5 mg, 25mg e 50mg.

Vou ter de usá-lo para o resto da vida?

Sim. Na maioria das vezes esse medicamento é de uso contínuo, ou seja, deverá ser usado por toda a vida.
A depender da gravidade do seu caso, as doses poderão ser aumentadas, combinadas com outros fármacos, e a medicação poderá até ser substituída para melhor controlar a sua pressão ao longo dos anos.

Saiba que esse controle alonga a sua vida porque esta medida previne o infarto e o AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Quais são as vantagens de seu uso?

Na opinião dos especialistas consultados, entre as maiores vantagens da captopril destaca-se o fato de ele ser um medicamento antigo e muito estudado, o que faz dele bastante seguro. Além disso, ele permite um bom ajuste de doses, já que suas apresentações são variadas.

A medicação ainda tem custo acessível, e consta da Rename 2020 (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), por isso tem distribuição gratuita em todas as UBS (Unidades Básicas de Saúde). Para ter acesso a ela, basta apresentar a receita médica.

Por outro lado, a cardiologista Ana Paula Susin Osório, professora da disciplina de cardiologia do curso de Medicina da UFPR, afirma que o fármaco também possui limitações. Como a sua ação tem duração de 8 horas, o paciente deve usá-lo 3 vezes ao dia, o que pode dificultar a adesão ao tratamento.

"Somam-se a isso a possibilidade de interação alimentar, capaz de reduzir sua absorção, e outro efeito comum a todos os fármacos dessa classe: a tosse seca. Ela acomete até 20% dos pacientes e decorre da inibição da ECA, que faz acumular no corpo uma substância chamada bradicinina, irritativa da mucosa do trato respiratório", esclarece a médica.

Saiba quando evitar o captopril

Embora este medicamento seja considerado seguro, fale com seu médico ou farmacêutico caso você tenha tido algum tipo de reação alérgica a medicamentos usados para o controle da pressão ou a algum componente do captopril, e mesmo na hipótese de ter tido conhecimento de que alguém de sua família apresenta ou apresentou esse tipo de problema.

Além disso, evite usar essa medicação (ou avise seu médico) na presença das seguintes condições:

  • Uso de medicamentos à base de neprilisina;
  • Gravidez;
  • Angiodema (inchaço no rosto, pálpebras, lábios, dificuldade para engolir etc.)
  • Aumento dos níveis de potássio no sangue e problemas renais graves
  • Estenose bilateral das artérias dos rins
  • Uso de fármaco à base de alisquireno por pacientes com diabetes

Crianças e idosos podem usá-lo?

O fabricante adverte que o uso do captopril entre as crianças não possui estudos de segurança e eficácia.
Contudo, a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) recomenda, como estratégia terapêutica, o uso de medicamentos hipertensivos de primeira linha, como é o caso da captopril.

Assim, a indicação fica a critério do médico, que melhor poderá avaliar —individualmente— a relação de risco-benefício do fármaco.

Já para a maioria de adultos jovens e idosos, o fármaco é bem tolerado e seguro, mas esses pacientes devem ser monitorados, especialmente os de idade avançada seja em razão do uso concomitante de outros medicamentos, seja pelas funções renais —que podem estar prejudicadas.

Estou grávida e/ou amamentando, posso usá-lo?

O uso da captopril é contraindicado para gestantes porque há risco potencial de malformação fetal.

Quanto à amamentação, sabe-se que concentração mínima do fármaco pode ser excretado por meio do leite materno. Assim, se deseja amamentar, fale com seu médico para que ele possa avaliar a relação de risco/benefício da continuidade do tratamento com esse fármaco. Só ele poderá considerar opções e decidir pela melhor solução no seu caso.

Como devo consumi-lo?

A melhor forma de ingerir todo tipo de medicamento é com água. Mas no caso do captopril é importante que isso ocorra em horário longe das refeições. A razão para isso é que ao ser consumido junto aos alimentos, a sua biodisponibilidade pode ser reduzida em 25% a 30%.

Por isso, é sugerido que seu uso ocorra cerca de 1 hora antes ou 2 horas depois das refeições. A explicação é de Danyelle Cristine Marini, diretora do CRF-SP.

O que devo fazer ao esquecer de tomar o remédio?

Espere até a hora da dose seguinte e reinicie o uso do medicamento. É desaconselhado tomar dois comprimidos de uma vez para compensar a dose que foi esquecida.

Se você é daqueles que sempre se esquece de tomar seus remédios, use algum tipo de alarme para lembrar-se.

Quais são os possíveis riscos e efeitos colaterais?

O captopril é bem tolerado pela maioria das pessoas. Porém, alguns pacientes relatam desconfortos. Confira alguns exemplos:

  • Tosse seca
  • Dor de cabeça
  • Perda do paladar
  • Diarreia
  • Cansaço
  • Náusea
  • Aumento de proteína na urina (proteinúria)
  • Problemas renais (aumento da frequência de urinar por exemplo)
  • Contagem baixa de glóbulos brancos (neutropenia)
  • Alteração do paladar (disgeusia)
  • Taquicardia
  • Hipotensão

E minha vida sexual, ela pode ser prejudicada?

Uma revisão dos efeitos positivos e negativos de fármacos para o tratamento da hipertensão sugere que o captopril tem sido associado à melhora das funções sexuais, inclusive entre as mulheres. Os dados foram publicados no periódico médico Netherlands Heart Journal.

Interações medicamentosas

Na maioria das vezes, não há incompatibilidade do consumo da captopril com outros medicamentos. Mas evite substitutos de sal à base de potássio. Junto à medicação, eles podem elevar as taxas da substância no sangue, o que poderia prejudicar a saúde do coração.

Avise seu médico caso você já faça uso de outros medicamentos que reduzem a pressão, ou outros fármacos como:

É também importante falar com o médico ou farmacêutico antes de usar esse medicamento, caso você faça uso de suplementos à base de potássio ou cálcio, ou mesmo algum fitoterápico e outras vitaminas.

Há interação com exames laboratoriais?

Sim, o captopril pode provocar alterações em alguns exames. Veja alguns exemplos:

  • Testes de função hepática
  • Níveis de ureia e creatinina plasmáticas
  • Eletrólitos no soro (potássio)
  • Acetona urinária

Sugere-se que você sempre declare ao médico e ao pessoal do laboratório todos os medicamentos que esteja utilizando ou tenha usado pouco antes da realização de exames.

Posso consumir álcool?

De uma forma geral, quem faz uso de medicamento não deve associá-lo ao consumo de álcool. A razão para isso é que essa substância tem efeito diurético, o que pode, indiretamente, reduzir a concentração, absorção e metabolização do fármaco.

Embora não haja recomendação específica sobre possíveis interações com bebidas alcoólicas, a sugestão é que você converse com seu médico para que ele possa orientá-lo nesse sentido.

Como potencializar o efeito benéfico dessa medicação

Para colaborar com o tratamento da hipertensão é essencial promover mudanças no estilo de vida, que se resumem nas seguintes práticas:

  • Adote alimentação saudável, rica em frutas e verduras e pobre em gorduras saturadas e sódio
  • Invista na prática de atividade física regular, pelo menos 3 vezes por semana
  • Reduza, ao máximo, o consumo de álcool
  • Abandone o tabagismo
  • Aprenda técnicas para controle do estresse

Guia prático do uso do captopril

Somente o médico ou um farmacêutico podem orientá-lo sobre a melhor forma de consumo desse medicamento.

Apesar disso, há algumas informações que você deve conhecer para aproveitar o melhor que o fármaco pode oferecer. Confira:

  • Fique atento à validade do medicamento, que é de 24 meses. Considere que, após aberto, essa validade é ainda menor;
  • Mantenha o medicamento sempre dentro da própria embalagem e nunca descarte a bula até terminar o tratamento;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Utilize o medicamento na posologia indicada;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta. A exceção é a indicação médica;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos ou trancados. A ideia é dificultar o acesso das crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite o descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - Fiocruz) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Ana Paula Susin Osório, médica cardiologista e ecocargiografista, mestre em cardiologia e professora da disciplina de cardiologia do curso de medicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná) - campus Toledo; Almir Gonçalves Wanderley, doutor em farmacologia e professor titular do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco); Danyelle Cristine Marini, diretora do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia de São Paulo), professora do curso de medicina na Unifae (Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino/São João da Boa Vista) e nas Faculdades Integradas Maria Imaculada (Mogi Guaçu/SP); Amouni Mourad, farmacêutica, professora do curso de farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e assessora técnica do CRF-SP. Revisão técnica: Amouni Mourad e Ana Paula Susin Osório.

Referências: SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia); Marte F, Sankar P, Cassagnol M. Captopril. [Updated 2021 May 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535386/; Nicolai MP, Liem SS, Both S, et al. A review of the positive and negative effects of cardiovascular drugs on sexual function: a proposed table for use in clinical practice. Neth Heart J. 2014;22(1):11-19. doi:10.1007/s12471-013-0482-z.

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