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Jessie J acorda sem audição e descobre Síndrome de Ménière; entenda quadro

Jessie J foi diagnósticada com a doença na véspera de Natal - Getty Images
Jessie J foi diagnósticada com a doença na véspera de Natal Imagem: Getty Images

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

28/12/2020 12h21

Após acordar sem conseguir ouvir sons na véspera de Natal, a cantora britânica Jessie J, de 32 anos, foi diagnosticada com Síndrome de Ménière, uma doença que causa perda auditiva (geralmente temporária), vertigem intensa e zumbidos no ouvido.

Em seu Instagram, a artista contou, durante transmissão ao vivo, que acordou no último dia 24 de dezembro sem conseguir ouvir sons pelo ouvido direito ou andar em linha reta.

Ao ser examinada em um hospital, ela foi diagnosticada com a Síndrome de Ménière. "Poderia ser muito pior. Estou muito grata pela minha saúde, só fui pega de surpresa. Era véspera de Natal e eu estava no hospital pensando 'o que está acontecendo', mas estou feliz de ter ido logo e por me diagnosticarem com rapidez. Logo me deram os remédios e estou me sentindo bem melhor hoje", disse.

O que é a Síndrome de Ménière?

Também conhecida como hidropsia endolinfática, a Síndrome de Ménière é uma doença rara que acomete o labirinto, estrutura responsável pela audição e pelo equilíbrio.

O labirinto consiste em duas partes principais: a cóclea, uma pequena estrutura em forma de caracol que converte vibrações sonoras em impulsos nervosos que viajam até o cérebro e o sistema vestibular, rede de canais responsáveis pelo equilíbrio, que atuam indicando orientações espacial do corpo ao cérebro.

"Por motivos que ainda não são completamente conhecidos, o líquido que fica dentro da cóclea aumenta, gerando uma maior pressão e causando o início dos sintomas. Algumas possíveis causas apontadas por estudos são alterações metabólicas, intolerâncias alimentares, doenças autoimunes e causas genéticas", indica o médico otorrinolaringologista Alexandre Colombini, que atende no Hospital Leforte, em São Paulo, e em consultório particular.

De acordo com o médico, o quadro é mais comum em pessoas entre 40 e 50 anos de idade, na maioria mulheres. Os sinais são geralmente notados em uma orelha, mas pode evoluir para as duas.

A doença não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento. "Caso o paciente não tome os cuidados necessários, que devem ser indicados por um médico, a perda auditiva pode ser definitiva", alerta Colombini.

Sintomas mais comuns

  • Perda de audição flutuante (que pode voltar após alguns minutos ou horas)
  • Episódios de vertigem
  • Sensação de ouvido tapado
  • Náuseas e vômitos

Diagnóstico é essencialmente clínico

O primeiro passo para o diagnóstico é o relato dos sintomas pelo próprio paciente.

"Ao escutar, o otorrinolaringologista já deve suspeitar da doença. Em seguida, alguns pedidos de exames, como audiometria para documentar a perda de audição e eletrococleografia para medir a pressão dentro do labirinto auxiliam na confirmação. Testes como hemograma, exames autoimunes e exames de sangue também podem ser requisitados para tentar descobrir o que desencadeou a doença", explica Colombini.

A doença não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento

Na fase aguda, quando o paciente está passando por uma crise, a conduta médica ideal é devolver o equilíbrio e a audição por meio de tratamento medicamentoso.

Já o tratamento a médio e longo prazo inclui mudanças na dieta, uso de medicações específicas para o labirinto como a betaistina e diuréticos — para tentar diminuir a pressão dentro do labirinto — e exercícios de reabilitação vesticular, que funcionam como uma espécie de fisioterapia específica para o labirinto.

Para alguns casos mais graves e menos comuns, quando as medidas clínicas não oferecem controle, existem opções cirúrgicas.

"A descompressão do sacoendolinfatico e neurectomia vestibular são exemplos cirúrgicos que podemos indicar para quem apresenta sinais como tontura incapacitante. No entanto, o labirinto está dentro da cabeça, e para acessá-lo, precisamos passar por estruturas importantes e delicadas. Por isso, a cirurgia não é um recurso amplamente usada por oferecer alguns riscos, como perda de audição. É sempre melhor ser o menos invasivo possível", diz o médico.

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