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Previna-se: uso constante de fone, doenças crônicas e ruídos afetam audição

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Imagem: iStock

Samantha Cerquetani

Colaboração para VivaBem

18/09/2020 04h00

Resumo da notícia

  • A perda auditiva é a diminuição da capacidade de perceber os sons
  • Apesar de ser mais frequente em idosos, doenças crônicas, ruídos ou som alto e traumatismos comprometem a audição
  • É importante buscar ajuda especializada assim que perceber alguma alteração ou dificuldade de ouvir

Imagine ter dificuldade para ouvir uma música, conversar ou até mesmo escutar uma buzina no meio da rua e evitar um acidente? A perda auditiva, ou seja, a diminuição da capacidade de perceber os sons, é bastante comum na população.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 466 milhões de pessoas têm uma perda auditiva incapacitante, isto é, que compromete a qualidade de vida e bem-estar do indivíduo. E até 2050, a expectativa é que 900 milhões de indivíduos estejam nessa situação.

"Estima-se que pelo menos 60 milhões de pessoas apresentam perda auditiva no Brasil. Fatores genéticos e ambientais, tais como exposição a sons altos e toxinas influenciam na progressão desse problema", afirma Edson Ibrahim Mitre, presidente da SBO (Sociedade Brasileira de Otologia).

Vale destacar que a perda auditiva possui diferentes graus —leve, moderado, severo e profundo. No primeiro caso, a pessoa consegue ouvir e participar de conversas, mas sente dificuldade de escutar sussurros, por exemplo. Já no nível severo há perda da capacidade de comunicação.

Apesar de a perda de audição ser mais comum na terceira idade, existem outras questões que a comprometem durante a vida. São elas:

  • doenças crônicas como hipertensão, diabetes, além de doenças autoimunes;
  • tabagismo --por interferir na circulação sanguínea do ouvido interno;
  • efeitos colaterais de medicamentos;
  • traumatismos;
  • inflamações crônicas no ouvido.

"Esses fatores de riscos levam a diferentes graus de perdas auditivas. As doenças crônicas, por exemplo, podem causar alterações metabólicas que danificam as células da orelha interna, levando à perda de audição", destaca Hugo Leite, otorrinolaringologista e professor da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).

Além disso, entre as causas adquiridas destaca-se conviver por longos períodos em um ambiente com ruídos excessivos —principalmente em locais de trabalho com barulhos de máquinas, uso de motos ou em shows e eventos. Outro fator que causa a diminuição da audição é a exposição a sons altos de forma frequente com o uso de fone de ouvido.

Tipos de perda auditiva

Ouvido, orelha, audição - iStock - iStock
Imagem: iStock

Há vários tipos de perda auditiva que afetam um ou ambos os ouvidos. Algumas pessoas têm mais de um tipo associado. Veja detalhes:

Condutiva - ocorre quando há uma alteração mecânica e as vibrações do som não passam do ouvido externo para o interno. Geralmente, acontece devido a alguma "barreira" na entrada do ouvido como excesso de cera, acúmulo de fluido, uma perfuração no tímpano, infecções, entre outros motivos. Caracteriza-se por apresentar uma sensação de ouvido abafado. É mais comum em crianças na idade escolar.

Neurossensorial - é o tipo mais frequente e geralmente começa a partir dos 50 anos. Ocorre quando o som não é processado adequadamente e não chega no nervo auditivo. Acontece devido à idade, por excesso de ruído, malformações congênitas e algumas doenças.

Mista - é a combinação da perda auditiva neurossensorial com a condutiva. Nesses casos, há uma alteração na condução do som e também no nervo auditivo.

Sintomas mais frequentes

Geralmente, não há sintomas específicos. Na maioria das vezes, a pessoa só percebe que tem um problema de audição quando já existe algum grau de perda estabelecida. É possível que a pessoa sinta dificuldade para ouvir conversas, a televisão ou precisa se esforçar muito para entender o que os outros falam.

"Normalmente, a perda auditiva no idoso, por exemplo, só será detectada por meio de exames específicos", explica Luiz Carlos Sava, otorrinolaringologista e professor da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

Mas, algumas vezes, ocorrem sintomas associados, como zumbido, dores de cabeça ou tontura. Vale ficar de olho se perceber que a perda auditiva está interferindo nas atividades diárias, se é pior em um ouvido ou se ocorreu de forme repentina.

O fone de ouvido é um dos vilões da audição?

Mulher com fone de ouvido - Getty Images - Getty Images
Se a pessoa ao seu lado está ouvindo a música do seu fone, é melhor maneirar no volume
Imagem: Getty Images

Sim. O uso constante de fones de ouvido pode ser responsável pelo aumento da perda auditiva. Nesse caso, o problema é conhecido como perda auditiva induzida pelo ruído intenso.

Segundo a OMS, cerca de 1,1 bilhão de adolescentes e jovens adultos estão em risco de comprometer a audição por usar dispositivos pessoais de áudio, incluindo celulares. "O risco de usar fone de ouvido e prejudicar a audição existe, pois o ouvido humano não identifica o aumento da intensidade. Além disso, ao ouvir em vias barulhentas o usuário pode aumentar ainda mais o som. Por isso, é preciso bastante atenção", explica Sava.

Uma pesquisa realizada com crianças em idade escolar mostrou que o uso de fones de ouvido pode estar relacionado com a perda auditiva. Foram avaliados mais de 3.000 jovens entre 9 e 11 anos. Os pesquisadores reforçaram os efeitos prejudiciais da exposição frequente a sons altos por meio de fones de ouvido em tablets e celulares.

Além disso, uma revisão de 26 estudos demonstrou que 58% dos adolescentes e adultos jovens são expostos a níveis sonoros acima do recomendado usando dispositivos pessoais com fone de ouvido.

Diagnóstico e opções de tratamento

Durante a consulta médica e após o relato de sintomas, o especialista solicita exames para comprovar a perda auditiva. O mais comum é o de audiometria, que avalia a capacidade de audição e de reconhecer os sons.

O tratamento depende da causa e da idade do paciente. Após a confirmação do problema, geralmente é indicado o uso do aparelho auditivo. Eles são pequenos dispositivos colocados no ouvido para amplificar os sons e ajudar a ouvir melhor.

Menino com problemas auditivos usando aparelho na orelha  - atCamera/IStock - atCamera/IStock
Imagem: atCamera/IStock

Na maioria dos casos, não é indicada cirurgia. Mas há situações que exigem procedimentos cirúrgicos como implantes de próteses, reconstrução da membrana timpânica, implantes cocleares, entre outros.

"A reabilitação auditiva, seja ela realizada por meio de cirurgia ou próteses auditivas, deve ser feita quando o paciente possui uma perda auditiva incapacitante. Hoje em dia há diversas opções como aparelhos auditivos convencionais (AASI) menores, mais potentes, permitindo maior praticidade, interatividade e conectividade que visam melhorar a qualidade de vida", explica Andy Vicente, otorrinolaringologista do Hospital CEMA (SP).

Quando há excesso de cera no canal auditivo, os médicos fazem a remoção no consultório com instrumentos específicos. Se a perda auditiva for causada por uma infecção, o especialista pode indicar medicações.

Como lidar com a resistência ao aparelho auditivo

Estima-se que aproximadamente um terço dos adultos acima de 65 anos apresente algum tipo de problema de audição. E metade dos idosos com mais de 85 anos tem perda auditiva. Nesses casos, ela é conhecida cientificamente como presbiacusia e acontece devido ao processo de envelhecimento do corpo e alterações físicas no ouvido.

"É justamente porque o envelhecimento é um processo gradativo que a perda auditiva instala-se lentamente, refletindo na diminuição de células auditivas e de fibras do nervo auditivo funcionantes. Em geral, começa a partir dos 60 anos, mas alguns indivíduos podem manifestá-la a partir dos 50 anos", afirma Tanit Ganz Sanchez, otorrinolaringologista e professora da USP (Universidade de São Paulo).

Muitas vezes, o idoso não percebe que está com perda auditiva ou "se acostuma" com a situação. Os familiares precisam se atentar para os sintomas que aparecem no dia a dia e buscar uma avaliação médica para averiguar se a pessoa não está escutando bem.

Aparelho auditivo - iStock - iStock
Imagem: iStock

Alguns idosos podem se recusar a usar o aparelho auditivo. Nesses casos, os cuidadores encontram grande resistência e dificuldades para lidar com a situação. De acordo com os especialistas consultados por VivaBem, o idoso precisa entender o seu diagnóstico e como a audição funciona. Vale reforçar para eles que os aparelhos auditivos hoje em dia são muito pequenos e muitas vezes é difícil perceber que estão sendo usados.

"Hoje existem diversos aparelhos modernos com recursos digitais e de programação, além de um programa de acompanhamento e apoio para obter o melhor benefício possível na adaptação. Além disso, pode ser indicado o acompanhamento com um fonoaudiológico pelo período necessário", explica Sava.

Em vários casos, o uso de aparelhos auditivos estimula os ouvidos e o cérebro ao mesmo tempo. Um estudo mostrou que as pessoas com perda de audição usuárias de aparelhos auditivos apresentavam menos chances de ter depressão, demência e até mesmo quedas. Sabe-se que manter o cérebro em estado de privação de estímulos auditivos pode provocar a piora cognitiva.

"O aparelho auditivo age no tempo presente já que melhora a compreensão da fala, da localização dos sons, do zumbido; e no futuro ao diminuir o risco de progressão da própria perda auditiva e também da memória", reforça Sanchez.

Segundo Leite, vale o esforço, pois a audição é um dos nossos sentidos mais importantes. "Sem ela, não aprenderíamos a falar e a comunicação fica muito prejudicada, o que leva a um grande isolamento social, principalmente em idosos", completa.

Dicas para evitar a perda auditiva

É muito importante prevenir a perda auditiva desde a juventude. "A principal recomendação é evitar a exposição a sons de alta intensidade, quaisquer que sejam. Uma regra prática ao usar fones de ouvido: se o seu vizinho escuta o som do seu fone, está alto demais.

E trabalhadores em ambientes de ruído devem usar protetores auriculares específicos que realmente atenuem os sons e protejam os ouvidos", diz Mitre.

Ouvido - iStock - iStock
Cotonete empurra a cera ainda mais para dentro do ouvido, use só para limpar externamente
Imagem: iStock

A seguir, veja algumas atitudes que contribuem para preservar a audição:

  • use protetores de ouvido em locais barulhentos;
  • não ultrapasse a metade da potência dos fones de ouvidos e não use por longas horas;
  • evite a exposição prolongada a ruídos altos e música;
  • procure tratamentos para infecções no ouvido;
  • mantenha diabetes e pressão arterial sob controle;
  • nunca coloque objetos estranhos no ouvido;
  • não se automedique para evitar efeitos colaterais que afetem a audição;
  • limpe com cuidado as orelhas e não use cotonetes para evitar empurrar a cera para dentro ou machucar o tímpano;
  • realize visitas regulares ao médico e faça exames preventivos auditivos.

"Vale reforçar: quando surgir qualquer sintoma nos ouvidos, por mais leve que seja, o melhor a fazer é procurar imediatamente o otorrinolaringologista. Isso porque o tratamento precoce, em alguns casos, pode reverter a perda auditiva e até evitar a progressão do problema", finaliza Mitre.

Revisão técnica: Luiz Carlos Sava.

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