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Professora da USP entra em ranking de cientistas mais influentes do mundo

Pesquisadora em Saúde Pública, Renata Bertazzi Levy estuda impacto de alimentação ultraprocessada - Divulgação
Pesquisadora em Saúde Pública, Renata Bertazzi Levy estuda impacto de alimentação ultraprocessada Imagem: Divulgação

Marcos Candido

De Universa

27/11/2019 04h00

A doutora Renata Bertazzi é a única mulher da USP (Universidade de São Paulo), uma das principais instituições do país, a ser reconhecida como uma das pesquisadoras mais influentes do mundo. O levantamento feito pelo instituto britânico Clarivate Analytics listou mais de 6.000 pesquisadores em cerca de 60 países. De 15 nomes no Brasil, apenas 4 são mulheres.

"O Brasil é um país enorme. Ter tão poucos nomes nessa lista é reflexo do pouco que se investe na ciência neste país. Acho que o Brasil tinha que ter mais cientistas e mais mulheres na lista", diz Renata.

A lista considerou pesquisadores em 21 áreas do conhecimento, que vão de 23 vencedores de prêmios Nobel a cientistas de grandes institutos chineses.

Doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo e com pesquisas pela Fapesp (órgão de fomento do estado de São Paulo), Renata estuda epidemiologia nutricional e é referência quando o assunto é o impacto social e na saúde causado pelo consumo de alimentos ultraprocessados. Ela é parte do grupo que desenvolveu o NOVA, conceito que classifica alimentos com base no grau e propósito de seu processamento.

Um dos estudos de Bertazzi analisa a influência da alimentação no ambiente escolar. Não só na merenda, também investiga como a comida oferecida em estabelecimentos ao redor da escola pode ser ruim para a saúde de crianças e adolescentes. Se carregado de ultraprocessados, como salgadinhos e refrigerantes, esse tipo de cardápio pode acarretar quadros de hipertensão, obesidade e até problemas de asma, diz.

"As mesmas políticas de combate ao fumo, por exemplo, poderiam ser aplicadas para diminuir o consumo de ultraprocessados", afirma a pesquisadora.

EUA lideram a lista; China vem em 2º

A lista considera o número de vezes em que o trabalho de um pesquisador foi citado como referência em outra pesquisa científica, critério comum para a análise de impacto científico de estudos. Apenas brasileiros filiados a instituições públicas estão na lista neste ano, como universidades federais, estaduais, institutos federais e empresas estatais.

Além de Renata, quatro pesquisadores da USP são citados na lista divulgada em 14 de novembro. As outras três pesquisadoras brasileiras são Heniette M.C. de Azevedo e Renata Valeriano Tonon, da Embrapa, e Miriam D. Hubinger, da Unicamp.

A lista anual coloca os Estados Unidos como o país com maior número de pesquisadores influentes, 2.737. Em seguida vem a China, com 636, e o Reino Unido, com 516. A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, é a instituição de pesquisa com o maior número de pesquisadores, 203.

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