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Com Luis Roberto e Milton Cunha. Como escolas definirão sambas do Carnaval

Luis Roberto comandará o programa de Carnaval na Globo - Reprodução/Instagram
Luis Roberto comandará o programa de Carnaval na Globo Imagem: Reprodução/Instagram

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/09/2021 04h00

As escolas de samba do Rio de Janeiro, em parceria com a Globo, entre hoje e a próxima sexta-feira (01), definirão seus sambas para o Carnaval de 2022. Este processo, sempre realizado nas quadras, com presença de torcidas apaixonadas, desta vez acontecerá dentro de um programa, que será exibido nas noites de sábado, a partir de 16 de outubro, sempre depois do "Altas Horas". O motivo é a restrição sanitária causada pela pandemia de covid-19.

O projeto, chamado "Desafio do Samba", será apresentado pelo narrador Luis Roberto e terá a cantora Teresa Cristina e o carnavalesco Milton Cunha como comentaristas. Em cada um dos episódios, três escolas apresentarão os seus sambas finalistas e, ao final, divulgarão o vencedor. Um quinto programa, que irá ao ar no dia 13 de novembro, trará os vencedores das 12 escolas integrantes da primeira divisão do samba carioca.

A iniciativa, criada pelo diretor de marketing da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), Gabriel David, foi recebida com polêmica dentro do mundo do Carnaval. Se, por um lado, as escolas de samba terão uma oportunidade inédita de divulgação na maior emissora do país, por outro, o ritual das disputas de samba sofrerá uma inédita ruptura.

Uma das principais rupturas é sobre a divulgação dos resultados. Afinal, se antes o suspense era a tônica, desta vez, quando o programa for ao ar, os vencedores já terão sido divulgados pelas escolas. Como o álbum dos sambas-enredos começará a ser gravado na próxima semana, ficaria impossível manter o segredo até o dia da exibição. Segundo David, a solução encontrada foi liberar as escolas para que realizem lives em redes sociais assim que as gravações forem encerradas.

"Realmente, ficou muito difícil a gente travar essa informação e usar isso como mecanismo de impulsionamento das escolas. Cada uma vai adotar sua forma diferente de divulgar seu samba", afirmou, em entrevista ao site Carnavalesco.

Outra inovação prevista é a inserção na tela de um QR Code para que o público possa ter acesso aos sambas nas principais plataformas digitais assim que eles forem anunciados no programa.

Um questionamento que surge é o fato das finais de samba terem sido deslocadas para um ambiente fora das quadras. Mas, devido às condições sanitárias, os dirigentes entenderam que esse é um sacrifício necessário, já que as fases classificatórias, em sua maioria, foram realizadas por meio de lives no YouTube. "Estamos em um ano atípico e moldamos, da melhor forma, uma agenda para a disputa. Tivemos que entender a escolha do samba de outra forma. A disputa tradicional é muito importante, mas temos que nos adequar à nova realidade", acredita Júnior Schall, diretor de Carnaval da Imperatriz Leopoldinense.

O compositor André Diniz, finalista na Unidos de Vila Isabel, vê com otimismo a possibilidade de divulgação das finais em uma mídia tão poderosa como a Rede Globo. "Acho a ideia maravilhosa, uma coisa que a gente queria há muito tempo, que um veículo de tanta importância pudesse mostrar o tamanho das disputas de samba. É uma grande oportunidade de nos dar mais visibilidade para nosso trabalho", afirma.

Por outro lado, Diniz tem o temor de que o programa de TV não consiga passar para o grande público a magnitude do momento, tão importante para as escolas: "Meu medo é que, pelas limitações impostas pela pandemia, o produto fique insosso e acabemos perdendo uma grande oportunidade. Mas estou feliz, confiante e torcendo para que dê tudo certo".

Os programas serão gravados em um cenário totalmente criado dentro da Cidade do Samba e nas mais restritas condições sanitárias. Entrarão no recinto um grupo reduzido de componentes de cada escola (15 ritmistas, mestre de bateria, compositores, cantores oficiais, dois músicos, mestre-sala, porta-bandeira, duas baianas, rainha de bateria e uma passista, além de cinco dirigentes e os carnavalescos). Todos passarão por testes de covid nas vésperas das gravações.

Hoje, a programação se iniciará com as definições dos sambas da Mangueira, São Clemente e Mocidade; na quarta, é a vez de Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel e Salgueiro; quinta-feira gravarão Unidos da Tijuca, Portela e Grande Rio. A maratona será encerrada na sexta, com Paraíso do Tuiuti, Beija-Flor e a atual campeã, a Unidos do Viradouro.

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