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Rio: Guarda Municipal usa furgão de placa oculta para prender ambulante

Policiais colocam ambulante em furgão particular - Reprodução
Policiais colocam ambulante em furgão particular Imagem: Reprodução

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

24/02/2020 13h27

A Guarda Municipal do Rio de Janeiro prendeu ontem um vendedor ambulante e o levou para a delegacia em um furgão particular cuja placa estava encoberta.

Um vídeo nas redes sociais mostra o momento em que o rapaz é arrastado por agentes da Guarda sob protestos de foliões, que gravam a ação.

O homem detido trabalhava durante o Carnaval na avenida Rio Branco, no centro da cidade, quando guardas municipais efetuaram a prisão.

Os foliões que tentavam impedir a detenção se surpreenderam ao notar que o rapaz era levado para dentro de um furgão prateado de uma empresa particular.

O veículo da JF Transportes & Turismo teve suas placas ocultadas por um plástico vermelho. As testemunhas questionaram os policiais sobre o furgão, mas não obtiveram resposta.

Ao UOL, a Secretaria Municipal de Ordem Pública confirmou que o veículo foi contratado pela Prefeitura do Rio para ajudar no Carnaval.

"O veículo pertence a uma empresa de transporte contratada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) para dar apoio ao órgão durante o Carnaval", informou. "Usado principalmente para o transporte dos agentes que fazem operações nas ruas."

A secretaria disse que "o ambulante foi detido após desacatar e agredir guardas" e que o carro "foi utilizado em circunstância emergencial para conduzir o ambulante preso à 4ª Delegacia de Polícia, diante da ameaça de tumulto".

A pasta responsabilizou a transportadora pelas placas cobertas. "A Seop está apurando o caso e pediu explicações à transportadora sobre as placas estarem cobertas, irregularidade não compactuada pelo órgão", disse a secretaria por meio de nota. O UOL tentou contato com a empresa, mas os telefones não atenderam.

O UOL não conseguiu contato com o homem, que não teve a identidade revelada. A assessoria da Polícia Civil também não atendeu as chamadas para informar se o rapaz continua preso ou se já foi liberado.

Nas redes sociais, o vídeo provocou críticas. Muitos compararam a prisão a métodos da ditadura militar.

CarnaUOL