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Chega de racismo e preconceito religioso, pedem blocos afro em BH

Blocos afro de BH pediram fim do racismo e do preconceito religioso - Julia Lanari/Belotur/Divulgação
Blocos afro de BH pediram fim do racismo e do preconceito religioso Imagem: Julia Lanari/Belotur/Divulgação

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

10/02/2018 19h05

O Carnaval de Belo Horizonte começou com negritude em foco e um pedido pelo fim do racismo e do preconceito religioso no Brasil.

A folia da capital mineira foi aberta oficialmente nesta sexta (9) com o encontro de blocos afro Kandandu, que significa “abraço” na língua africana kimbundu. Cerca de 50 mil pessoas lotaram a praça da Estação, no centro.

Em Belo Horizonte, 52% da população se declara negra, sendo a etnia de maior número entre os habitantes da capital mineira.

O Kandandu é um evento construído coletivamente com a sociedade civil, Associação dos Blocos Afro de Minas Gerais (Abafro) e Belotur (órgão municipal de turismo).

O batuque deu o tom, em ritmos como ijexá e samba de roda. Subiram ao palco os grupos e blocos afro Afoxé Bandarerê, Angola Jânga, Magia Negra, Fala Tambor e Samba da Meia-Noite.

Gabriel Lemos, regente da bateria e vice-presidente do Afoxé Bandarerê, celebrou o destaque na festa.

"A importância é muito grande devido à representatividade. A população negra, que é maioria em Belo Horizonte, se sente representada vendo os negros em cima do palco, abrindo o Carnaval da capital mineira", falou ao UOL.

Fazendo referência à ancestralidade, Lemos lembrou o pioneirismo negro na folia mineira do Afoxé Ilê Odara na década de 1980, fundado pela ialorixá Mãe Gigi (Oneida Maria da Silva Oliveira), o bailarino Márcio Valeriano e tendo como padrinho Gilberto Gil.

Se o Afoxé Ilê Odara era o único bloco negro na década de 1980, atualmente este número cresceu, como mostrou o palco de abertura da folia belo-horizontina.

Racismo e preconceito religioso: "Já deu, né?"

Lemos afirmou que levar a religiosidade negra para as ruas no Carnaval é uma forma de resistência desta população contra o racismo e o preconceito com religiões de matriz africana.

"O Afoxé Bandarerê surgiu em 2013. O afoxé é o candomblé na rua. A população negra vem sendo escorraçada, tendo seus terreiros quebrados nas comunidades, sobretudo no Rio. Fazer nosso afoxé para 50 mil pessoas na abertura do Carnaval de BH é mostrar que não fazemos culto ao Satanás", falou o músico.

"Tiramos essa ideia preconceituosa de que cultuamos o diabo. A gente cultua os orixás, que são a energia da natureza. Chega de racismo, chega de preconceito religioso e de qualquer tipo, chega de homem assediando mulher, chega de homofobia. Estamos no século 21 e precisamos evoluir. Já deu, né, minha gente?", pontou Gabriel Lemos
.
A bailarina Junia Bertolino, também integrante do Afoxé Bandarerê, celebrou a grande festa negra na praça da Estação. "Isso é fruto de trabalhos de várias pessoas e ações que incentivaram a pesquisa, a identidade e a corporeidade negra em BH. Gente que faz um trabalho de base na periferia, nas favelas, nas comunidades, escolas e centros culturais", afirmou.

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