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Egito no Rio: Fãs recriam cortejo e fazem homenagem ao Viemos do Egyto

Bloco Saímos do Egyto tem predominância das fantasias douradas e levou pop e funk ao Rio, até o fim da madrugada - Marcelo de Jesus/UOL
Bloco Saímos do Egyto tem predominância das fantasias douradas e levou pop e funk ao Rio, até o fim da madrugada Imagem: Marcelo de Jesus/UOL

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

14/02/2018 07h55

Por mais que girem em torno do mesmo país, o Saymos do Egyto não tem a ver com o Viemos do Egyto. Em 2018, a falta de verba impossibilitou a saída do Viemos do Egyto, o original, pelas ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro.

Inconsoláveis, os fãs do bloco armaram um manifesto: Saymos do Egyto. Com a mesma proposta, o novíssimo bloco fez sua apresentação na madrugada desta quarta (14) no centro do Rio. O local escolhido como ponto de encontro para os adeptos do manifesto foi o Real Gabinete Português de Literatura, biblioteca pública do centro do Rio. O mesmo quarteirão também abriga um prédio da UFRJ e o teatro João Caetano.

Tradicionalmente, o Viemos do Egyto desfila no último dia do Carnaval. Na paleta de cores há predominância de dourado, azul e preto, já que são cores que remetem ao Egito Antigo, e durante o cortejo do bloco é possível ver foliões em total sintonia com a proposta: fantasias elaboradas e maquiagem pesada. Este ano, porém, o fãs ficaram órfãos do bloco que, sem dinheiro, não se apresentou no Rio. O abandono rendeu bons frutos. Para Cleber Reis, um dos fãs idealizadores do Saymos, o manifesto foi a forma encontrada para não deixar de homenagear o Egito.

“É importante trazermos para a rua essas referências na terça de Carnaval para terminar a festa bem brilhante e livre, até porque a rua é nossa. Por isso ficamos tristes quando soubemos que o Viemos não iria desfilar, e pensamos: temos que fazer algo!”, destaca ele.

E fizeram. O bloco Saymos do Egyto reuniu centenas de foliões que apresentaram fantasias com muito dourado, e adereços bem elaborados em homenagem ao Egito.

Mariano Pimentel, 42, se preocupa com a fantasia todo ano. Ele diz ser uma forma de resistência.

“A gente está num período horrível no Rio de Janeiro, de repressão, então a gente precisa caprichar muito para valorizar o que está acontecendo aqui neste momento. A melhor forma de mostrar que a gente existe é estar lindo”, destaca ele que confeccionou a fantasia de faraó especialmente para o bloco.

A cearense Renata Zilá, 37, já morou no Rio de Janeiro mas nunca aproveitou o Carnaval na cidade. Ela escolheu o Saymos por influência dos amigos, que também dedicam a terça às fantasias douradas. Pela primeira vez na bloco, a consultora ostentou uma fantasia caprichada. Mesmo sem saber se o oficial sairia.

“Independentemente de ter ou não, pensamos: vamos nos fantasiar e ir para o bloco!”, ressalta a moça que aprovou o primeiro carnaval carioca.

Com muito pop e funk, o bloco se apresentou até as 5h para um público animado que não se deixou abalar pela chuva que caiu no Rio nesta madrugada.