PUBLICIDADE

Topo

Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Qual é o Remédio

Nimesulida: na dose e tempo certos controla dor e inflamação e é segura

iStock
Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para o VivaBem

10/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Nimesulida é um Anti-inflamatório Não Esteroidal usado para combater dor, inflamação e febre
  • É contraindicada para crianças abaixo dos 12 anos e deve ser utilizada por idosos, grávidas e lactantes somente sob orientação médica
  • Pessoas que fazem uso contínuo de anticoagulantes, anti-hipertensivos e outros anti-inflamatórios precisam de orientação médica antes de tomá-la

Comercializada pela primeira vez em 1985, na Itália, a nimesulida é utilizada para aplacar a dor e a inflamação.

O que é nimesulida?

Entre os farmacêuticos e médicos ele é conhecido como um AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal), uma classe de medicamentos que possui as seguintes ações:

  • Analgésica - atua no controle de dores agudas leves a moderadas;
  • Anti-inflamatória - combate a inflamação;
  • Antipirética - controla a febre.

Em quais situações você pode usá-lo?

Lembre-se que nenhum medicamento é 100% seguro. Por isso, é importante que você faça o uso racional desse remédio, ou seja, utilize-o de forma apropriada, na dose certa e por tempo adequado. A instrução é da OMS (Organização Mundial da Saúde).

A nimesulida deve ser usada somente para aliviar temporariamente os sintomas agudos (leves a moderados) a seguir:

Por que a nimesulida não é usada nos Estados Unidos?

Desde o seu lançamento, em 1985, esse medicamento passou a ser utilizado em mais de 50 países. Contudo, com o passar dos anos, alguns estudos científicos apontaram a presença de uma grave reação adversa: a toxicidade hepática ou renal.

Desde então, ela segue sendo observada, e algumas autoridades sanitárias decidiram restringir seu uso, especificando tempo máximo de consumo, cuidados com grupos específicos (crianças e pessoas com problemas hepáticos ou renais) e interações medicamentosas.

Importante saber que, no Brasil, jamais houve relato desse efeito adverso. Por isso, a farmacêutica Gracinda Maria D'Almeida e Oliveira, professora da PUC-PR, garante que esse risco só existe se houver uso abusivo do fármaco: "Quando se ultrapassam as doses terapêuticas, aumentam as chances de se ter uma reação grave", afirma.

Conheça as apresentações disponíveis

O medicamento de referência, cujo princípio ativo é a nimesulida, é conhecido como Nisulite®. Mas você também pode encontrar as versões genéricas que, igualmente, terão as seguintes apresentações:

  • Comprimidos dispersíveis - 100mg
  • Comprimidos - 100mg
  • Suspensão oral/gotas - 50mg/ml
  • Supositório - 100mg
  • Gel - 20mg

É importante respeitar as dosagens indicadas pelo fabricante, médico, farmacêutico ou dentista e sempre iniciar o uso de todo medicamento a partir das menores dosagens disponíveis, deixando as maiores para situações mais graves.

Entenda como ela funciona

A nimesulida possui excelente farmacocinética, ou seja, independentemente da apresentação, ela é rapidamente absorvida e distribuída pelos tecidos, até que chega a seu alvo, efetua sua ação, se transforma em um produto excretável (metabolização) e finaliza sua tarefa, saindo do corpo pela via renal.

Quanto à farmacodinâmica, ou mecanismo de ação, ele age bloqueando os processos orgânicos que causam a dor e a inflamação (enzima COX2).

O tempo médio de espera para se beneficiar de seus efeitos é de 30, 60 minutos até 2 horas, o que tem duração de, no mínimo, 12 horas.

Quais são as vantagens e desvantagens do seu uso?

Na opinião de Marcos Machado, presidente do CRF-SP, a nimesulida não apresenta grandes vantagens em relação aos outros AINEs disponíveis no mercado. O diclofenaco e o ibuprofeno são exemplos deles.

"Trata-se de uma questão de escolha clínica. O médico poderá optar por ela quando precisa de uma ação mais contínua para determinada dor aguda. Aí ele avaliará a relação de risco benefício", diz Machado. Nesse sentido, contará a favor do fármaco o seu esquema posológico, ou seja, ele pode ser utilizado apenas 1 ou 2 vezes ao dia.

Quanto às desvantagens, prevalece a advertência do uso abusivo que pode levar à hepatotoxicidade e à nefrotoxicidade.

Saiba quem deve evitar a nimesulida

Fale com o farmacêutico, seu médico ou dentista antes de usar a nimesulida se você já teve alguma reação alérgica relacionada aos AINEs ou outro analgésico, ou caso tenha conhecimento de que alguém de sua família já teve esse tipo de problema.

Indivíduos que se encaixem em algumas das condições abaixo também devem evitar o medicamento. Confira:

  • Pessoas com histórico de alergia a algum componente da fórmula;
  • Indivíduos alérgicos a outros analgésicos (hipersensibilidade cruzada);
  • Pacientes com insuficiências (mau funcionamento) hepática, renal, cardíaca ou respiratória;
  • Pessoas com problemas de coagulação;
  • Indivíduos com suspeita de dengue.

Crianças e idosos podem usá-la?

A nimesulida é contraindicada para crianças com menos de 12 anos, dada o risco de irritação gástrica e sangramento.

Para idosos, as doses devem ser cuidadosamente estabelecidas pelo médico ou dentista, dados os riscos de toxicidade renal e hepática. Como esse grupo geralmente utiliza remédios de uso contínuo (polifarmácia), é preciso estar atento também às interações medicamentosas. De modo geral, o uso prolongado não é indicado.

Estou grávida, posso usar nimesulida?

No Brasil, este medicamento é vendido sob prescrição médica, mas apesar disso a automedicação é comum.

Contudo, como até o momento não existem estudos que atestem a segurança do uso desse fármaco nesse grupo, o mesmo aplicando-se às lactantes e mulheres que estão tentando engravidar, a nimesulida só deve ser usada sob orientação médica ou do dentista.

Somente esses profissionais da área da saúde podem avaliar os riscos e benefícios para o seu caso. A advertência é de Cláudia Cristina Pereira de Araújo, farmacêutica atuante em vigilância em saúde da Prefeitura de São Paulo.

O médico disse que suspeita que tenho dengue, posso usar esse remédio?

Não. O que acontece é que o uso de anti-inflamatórios como a nimesulida aumentam o risco de sangramento gastrointestinal. "Na dengue o paciente apresenta a quantidade de plaquetas baixas, o que acarretaria em um sangramento mais grave", esclarece Homero Luis de Aquino Palma, médico especialista em Medicina de Família e gestor da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba.

Qual é a melhor forma de consumi-lo?

Os comprimidos devem ser ingeridos, preferencialmente, com água. Leite é também uma boa alternativa, mas evite bebidas alcoólicas.

Prefira consumir a nimesulida logo após as refeições e nunca antes de dormir para evitar desconforto gástrico, efeito comum desse tipo de fármaco.

Existe uma melhor hora do dia para usar a nimesulida?

Não. O importante é que ele seja ingerido na forma como indicado pelos profissionais das áreas da saúde (médico, farmacêutico ou dentista), o que deverá corresponder ao melhor esquema para o paciente, evitando que se tenha que acordar à noite para medicar-se.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Espere até a hora da dose seguinte e reinicie o do medicamento. É desaconselhado tomar dois comprimidos (ou gotas em dobro) de uma vez para compensar a dose que foi esquecida.

Se você é daqueles que sempre se esquece de tomar seus remédios, use algum tipo de alarme para lembrar-se.

Quais são os possíveis riscos e efeitos colaterais?

No Brasil, embora a nimesulida seja amplamente utilizada, não existem relatos documentados de hepatotoxicidade severa, ou mesmo fatal, associadas a esse fármaco.

Apesar disso, podem ser observadas as seguintes reações:

  • Muito comuns: diarreia, náusea e vômitos;
  • Incomuns: prurido (coceira), erupções cutâneas (rash) e sudorese;
  • Raras: eritema (vermelhidão), dermatite, hemorragia, retenção urinária.

Como saber se o uso do remédio deve ser interrompido?

Por vezes, logo após o uso do medicamento, podem ser identificados sinais de piora de seu estado geral. Nessas situações, interrompa o consumo do medicamento e procure ajuda médica imediatamente se você observar os seguintes sinais e sintomas:

  • Queda abrupta da pressão;
  • Coceira, ardor, vermelhidão, inchaço, urticária;
  • Inchaço nos olhos ou lábios;
  • Falta de ar.

Interações alimentares

Até o momento não se conhece a interação do medicamento com algum tipo de alimento.

Interações medicamentosas

A nimesulida não combina com alguns medicamentos e ela pode interagir seja reduzindo seu efeito, seja acarretando reações indesejadas. Saiba quais são eles:

  • Anticoagulantes;
  • Outros anti-inflamatórios;
  • Anti-hipertensivos (exceção feita à nimesulida usada por curto tempo).

E atenção: embora, até o momento, desconhecem-se interações com fitoterápicos, lembre que nenhum remédio é 100% seguro, inclusive os fabricados à base de plantas. É importante falar com um médico, farmacêutico ou até o dentista antes de usar esse medicamento se você faz uso contínuo deles ou mesmo de suplementos e vitaminas.

Quanto aos anticoncepcionais, não há indícios de que a nimesulida possa reduzir seu efeito.

Altera resultado de exames?

Sim, principalmente em marcadores hepáticos como a transaminase. Mas isso só acontece se o consumo se der por prazo superior a 5 dias.

Informe ao seu médico ou ao laboratório onde for fazer seus exames sobre o consumo desse medicamento no momento da requisição do exame ou da coleta de sangue.

Dicas dos especialistas

Ao perceber a presença de um sintoma como dor de cabeça, dor muscular, por exemplo, aproveite a oportunidade da ida à farmácia para falar com o farmacêutico. Assim, você pode se certificar se, realmente, é o caso de usar este medicamento.

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Fique atento à validade do medicamento, que é de 24 meses. Considere que, após aberto, essa validade é ainda menor;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio - eles podem ferir sua boca ou garganta;
  • Evite o uso prolongado do medicamento, especialmente se você tem gastrite ou úlcera. O tempo máximo de consumo é de, no máximo, 3 a 7 dias. A exceção é a indicação médica de uso por 15 dias. Caso não haja melhora do sintoma, é preciso investigar. Procure um médico sem demora;
  • Prefira comprar remédios nas doses justas para o uso indicado para evitar sobras;
  • Respeite o limite da dosagem diária indicada na bula;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armanezamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos. A ideia é dificultar o acesso às crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - FIOCRUZ) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Cláudia Cristina Pereira de Araújo, farmacêutica atuante em vigilância em saúde da Prefeitura de São Paulo e bioquímica com especialização em Saúde Pública pela USP (Universidade de São Paulo); Gracinda Maria D'Almeida e Oliveira, professora da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). Tem experiência na área de farmacologia, atuando principalmente na atenção farmacêutica, assistência farmacêutica, farmacêuticos e farmacovigilância; Homero Luis de Aquino Palma, médico de família e clínico do Home Care da Amil, responsável pela Saúde do Homem do DAPS (Departamento de Atenção Primária à Saúde), da Prefeitura Municipal de Curitiba, professor da Escola de Medicina da PUC-PR; Marcos Machado, presidente do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia em São Paulo), farmacêutico e bioquímico especialista em análises clínicas. Revisão técnica: Homero Luis de Aquino Palma.

Referências: Ministério da Saúde; Farmanguinhos - FIOCRUZ (Instituto de Tecnologia em Fármacos); OMS (Organização Mundial da Saúde); ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); LiverTox: Clinical and Research Information on Drug-induced liver injury. Nimesulide. Bethesda (MD). NIDDK (National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases). 2016; Kwon J, Kim S, Yoo H, Lee E. Nimesulide-induced hepatotoxicity: A systematic review and meta-analysis. PLoS One. 2019; Mattia C, Ciarcia S, Muhindo A, Coluzzi F. Nimesulide: 25 years late]. Minerva Med. 2010.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que dizia o texto, a nimesulida não é um MIP (Medicamento Isento de Prescrição). A informação foi corrigida.

Qual é o Remédio