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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Diclofenaco alivia de dor lombar à reumatológica, mas uso deve ser breve

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

07/04/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Diclofenaco é um medicamento indicado para aliviar dor e inflamação
  • Seguro e eficaz, entre as suas vantagens destacam-se as suas várias apresentações que vão do comprimido à solução oftalmológica
  • Usado no tempo e dose certas, a medicação é aliada nos casos de dores articulares, de ouvido e de garganta, entorses etc.
  • Deve ser utilizado sob orientação médica, dado o risco cardiológico e de sangramento gastrointestinal

Comercializado há 40 anos, o diclofenaco já teve sua segurança comprovada em vários estudos científicos e é utilizado para aplacar a dor a as inflamações.

O que é diclofenaco?

Entre os profissionais da área da saúde ele é conhecido como um AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal) derivado do ácido fenilacético, uma classe de medicamentos que possui as seguintes ações:

  • Antitérmica - é útil no controle da febre;
  • Analgésica - atua no controle de dores leves a moderadas;
  • Anti-inflamatória - combate a inflamação.

Quando ele deve ser usado?

Ele é indicado para o controle de dores agudas leves a moderadas e inflamações, mas só deve ser usado sob orientação médica. Como para todos os tipos de fármacos, você deve fazer uso racional desse medicamento, ou seja, use-o de forma apropriada, na dose certa e por tempo adequado. A instrução é da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Esta medicação pode ser utilizada por curto período de tempo para tratar as seguintes condições:

  • Artrite e gota;
  • Entorses e distensões;
  • Dor no pós-operatório e pós-traumático;
  • Cólicas renal e biliar;
  • Dismenorreia (cólica menstrual);
  • Dores articulares;
  • Infecções de ouvido, nariz e garganta;
  • Dores nas costas, nos ombros, no cotovelo etc.

Conheça as apresentações disponíveis

Os medicamentos de referência, cujo princípio ativo é o diclofenaco, são conhecidos como Cataflan®, Voltaren®, entre outros. Como ele é um derivado do ácido fenilacético, ele é utilizado, principalmente, nas formas de sal potássico ou sódico. Você pode encontrar as versões genéricas que também terão as seguintes apresentações:

  • Solução injetável (diclofenaco sódico) - 25 mg;
  • Comprimidos revestidos (diclofenaco potássico) - 50 mg;
  • Solução tópica (diclofenaco dietilamônio) - 60 g;
  • Solução oftálmica (diclofenaco sódico) - 1,0 mg;
  • Pomada oftálmica (diclofenaco sódico) - 1,0 mg.

É importante respeitar as dosagens indicadas pelo fabricante, médico ou dentista e sempre iniciar o uso desse medicamento a partir das menores dosagens disponíveis, deixando as maiores para situações mais graves.

O médico especialista em medicina de família, Homero Luis de Aquino Palma, gestor da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, adverte que o ideal é que o tratamento com o diclofenaco dure de 5 a 14 dias.

"Isso porque temos uma grande associação do uso dos anti-inflamatórios com úlceras e sangramentos gastrointestinais. É verdade que isso é raro, mas se trata de um risco grave e preocupante. Daí a necessidade de evitar-se a automedicação", observa.

Entenda como ele funciona

O diclofenaco possui excelente farmacocinética, ou seja, independentemente da apresentação, ele é bem absorvido e distribuído pelos tecidos, até que chega a seu alvo, efetua sua ação, se transforma em um produto excretável (metabolização) e finaliza sua tarefa, saindo do corpo pela via renal.

Quanto à farmacodinâmica, ou mecanismo de ação, ele age bloqueando os mecanismos orgânicos que causam a dor e a inflamação (enzima COX2). O tempo de espera para se beneficiar de seus efeitos, no caso de um comprimido de 50 mg, é de 20 a 30 minutos.

Quais são as vantagens e desvantagens do seu uso?

A escolha de um medicamento deve basear-se no tripé dose, segurança e custo. Em comparação com outros AINES, o diclofenaco tem como vantagem principal as várias formas de apresentação, o que permite que seu uso se dê em quase todas as vias de administração, variando apenas o tempo de ação (liberação lenta ou ação prolongada). A explicação é de Cláudia Cristina Pereira de Araújo, farmacêutica atuante em vigilância em saúde da Prefeitura de São Paulo.

"O perfil farmacológico de segurança e eficácia, documentados em inúmeros trabalhos, pode ser considerado também outra vantagem, comparados a outros AINES", completa a farmacêutica.

As desvantagens dizem respeito aos eventuais efeitos de toxicidade gastrointestinais e complicações cardiovasculares.

Saiba quem deve evitar esse medicamento

Fale com o farmacêutico ou seu médico antes de usar o diclofenaco se você já teve alguma reação alérgica relacionada aos AINEs.

Indivíduos que se encaixem em algumas das condições abaixo devem evitar o medicamento e avisar o médico antes de começar a usá-lo. Confira:

  • Presença de úlcera no estômago ou intestino;
  • Sangramento ou perfuração no estômago ou intestino;
  • Insuficiência hepática, renal ou cardíaca grave;
  • Suspeita de dengue;
  • Pessoas alérgicas em crises de asma, urticária e rinite;
  • Gravidez.

O fármaco é contraindicado para os seguintes indivíduos:

  • Menores de 14 anos;
  • Pacientes com enfermidades graves no sistema gastrointestinal;
  • Pessoas com insuficiência cardíaca grave.

Não se preocupe se você não puder usar o diclofenaco. O médico terá à sua disposição outras medicações similares como o ibuprofeno, cetoloraco, naproxeno, piroxicam, cetoprofeno —todos medicamentos com as mesmas características dele.

Crianças e idosos podem usá-lo?

O diclofenaco é contraindicado para crianças com idades inferiores aos 14 anos. A única exceção é a presença de doença reumatológica. Nessa hipótese, médico deverá indicar a melhor forma de uso da medicação.

Quanto aos idosos, considerando que nessa fase da vida muitos pacientes podem estar debilitados fisicamente devido a doenças crônicas e uso de vários medicamentos, a utilização do remédio deve ser acompanhada por um médico, e preferencialmente ser usada por curto espaço de tempo.

Para esse grupo, o risco de reações é maior. Toda queixa que aparecer logo após o consumo do diclofenaco deve ser comunicada imediatamente ao profissional da área da saúde.

Estou grávida. Posso usar diclofenaco?

De acordo com Luciana Canetto, farmacêutica-diretora e secretária-geral do CRF-SP, o diclofenaco potássico somente deve ser administrado na gravidez quando houver indicação médica e somente se a terapia utilizar os menores tempo de uso e dose eficaz.

"Essa orientação aplica-se, particularmente, aos três últimos meses de gestação, dada a possibilidade de ocorrer inércia uterina e/ou fechamento prematuro do canal arterial [vaso sanguíneo indispensável para a vida do feto]", acrescenta a farmacêutica.

Já as mulheres que estão amamentando devem consultar seu médico para que ele possa avaliar custo-benefício do uso do diclofenaco. Isso previne eventuais efeitos indesejáveis para o bebê.

O diclofenaco pode dificultar a gravidez?

Altas doses de diclofenaco, ou mesmo o seu uso prolongado, foram descritos na literatura médica como relacionados à ovulação. O próprio fabricante sugere o não uso por mulheres que estejam planejando a gestação.

"Ainda não sabemos por que isso acontece, mas há indícios de que mulheres que usavam esse medicamento tinham maior dificuldade para a gravidez porque ele atuava inibindo a ovulação", explica Cynthia França Wolanski Bordin, farmacêutica e professora das Faculdades de Farmácia, Enfermagem, Odontologia e Medicina da PUC-PR.

Caso esteja tentando engravidar, lembre-se de relatar ao médico que fez ou faz uso desse medicamento.

Qual é a melhor forma de consumi-lo?

A orientação dos especialistas é que os comprimidos revestidos sejam ingeridos com um pouco de água, de preferência antes das refeições. Evite apenas tomá-lo com bebidas alcoólicas.

Siga sempre a orientação do seu médico, respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento.

Existe uma melhor hora do dia para usar esse tipo de medicamento?

Não. O importante é que ele seja ingerido 3 vezes ao dia (a cada 8 horas).

Ao esquecer de tomar o remédio, espere até a hora da dose seguinte e reinicie uso do medicamento. É desaconselhado tomar dois comprimidos (ou gotas em dobro) de uma vez para compensar a dose que foi esquecida.

Se você sempre esquece de tomar seus remédios, use algum alarme para lembrar-se.

Quais são os riscos de usar esse medicamento?

Lembre-se que nenhum medicamento é 100% seguro. Apesar de o diclofenaco existir há mais de 40 anos e ter um perfil de segurança bem estabelecido para a maioria das pessoas, os maiores riscos de usá-lo se referem à hemorrogia digestiva e problemas cardiovasculares. Conheça as possíveis reações adversas a seguir:

  • Comuns: dor de cabeça, tontura, vertigem, náusea, vômito, diarreia, indigestão (sinais de dispepsia), dor abdominal, flatulência, perda do apetite, vermelhidão na pele com ou sem descamação.
  • Incomuns: palpitações, dor no peito.
  • Raras: sonolência, dor de estômago (sinais de gastrite), problema no fígado, sinais de urticária.
  • Muito raras: nível baixo de células vermelhas sanguíneas (anemia), nível baixo de células brancas sanguíneas (leucopenia), desorientação, depressão, dificuldade de dormir (sinais de insônia), pesadelos, irritabilidade, formigamento ou dormência nas mãos e tremores.

Como saber se eu sou alérgico ao diclofenaco?

Fique atento aos seguintes sinais de reação alérgica: rubor (vermelhidão na pele), inchaço facial, coceira, fechamento de glote. Procure ajuda médica imediatamente.

Interações medicamentosas

O diclofenaco não combina com alguns medicamentos e eles podem interagir seja reduzindo seu efeito, seja acarretando reações indesejadas.

Fique atento se você faz uso contínuo dos seguintes medicamentos:

  • Lítio ou inibidores seletivos da recaptação da serotonina (usados para tratar alguns tipos de depressão);
  • Digoxina (utilizado para problemas no coração);
  • Diuréticos (indicados para aumentar o volume de urina);
  • Inibidores da ECA ou betabloqueadores (tratam a pressão alta e insuficiência cardíaca);
  • Outros anti-inflamatórios - exemplos: ácido acetilsalicílico ou ibuprofeno;
  • Corticoides - anti-inflamatórios mais fortes;
  • Anticoagulantes - previnem a coagulação do sangue;
  • Antidiabéticos - exemplo: metformina, com exceção da insulina;
  • Metotrexato - fármaco usado para tratar alguns tipos de câncer ou artrite;
  • Ciclosporina, tacrolimo - medicações usadas por pacientes transplantados;
  • Trimetoprima - remédio utilizado nas infecções urinárias;
  • Antibacterianos, antifúgicos.

E atenção, embora até o momento desconhecem-se interações com fitoterápicos, é importante falar com um médico ou farmacêutico antes de usar esse medicamento se você faz uso contínuo deles ou mesmo de suplementos e vitaminas.

Interação com alimentos e exames laboratoriais

Desconhecem-se relações entre o consumo de alimentos. Uma reação adversa menos comum é a alteração dos níveis de transaminase, relacionados à saúde hepática. Fale com o pessoal do laboratório que tem feito uso desse medicamento antes de fazer algum exame.

Dicas dos especialistas

Ao perceber a presença de um sintoma como dor muscular ou febre, por exemplo, aproveite a oportunidade da ida à farmácia para falar com o farmacêutico. Assim, você pode se certificar se, realmente, é o caso de usar este medicamento.

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Fique atento à validade do medicamento, que é de 24 meses. Considere que, após aberto, essa validade é ainda menor;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta;
  • Evite o uso prolongado do medicamento, especialmente se você tem gastrite ou úlcera.. A exceção é a indicação médica de uso prolongado. Caso não haja melhora do sintoma, é preciso investigar. Procure um médico sem demora;
  • Prefira comprar remédios nas doses justas para o uso indicado para evitar sobras;
  • Respeite o limite da dosagem diária indicada na bula;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos. A ideia é dificultar o acesso das crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - FIOCRUZ) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Cláudia Cristina Pereira de Araújo, farmacêutica atuante em Vigilância em saúde da Prefeitura de São Paulo e bioquímica com especialização em Saúde Pública pela USP (Universidade de São Paulo); Cynthia França Wolanski Bordin, farmacêutica e professora adjunta das Faculdades de Farmácia, Enfermagem, Odontologia e Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), com mestrado em Tecnocologia Química e doutorado em Ciências da Saúde; Homero Luis de Aquino Palma, médico de família e clínico do Home Care da Amil, responsável pela Saúde do Homem do DAPS (Departamento de Atenção Primária à Saúde), da Prefeitura Municipal de Curitiba, professor da Escola de Medicina da PUC-PR; Luciana Canetto, diretora e secretária-geral do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia em São Paulo), farmacêutica do Departamento de Assistência Farmacêutica da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba, especialista em Saúde Pública pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e em Gestão Pública pela UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba). Revisão técnica: Amouni Mourad, assessora técnica do CRF-SP.

Referências: ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); Schmidt Morten et alli. Diclofenac use and cardiovascular risks: series of nationwide cohort studies BMJ 2018; Pavelka K. Comparison of the therapeutic efficacy of diclofenac in osteoarthritis: a systematic review of randomised controlled trials. Curr Med Res Opin. 2012; Mauro Geller, Abouch Valenty Krymchantowski et alli. Utilização do diclofenaco na prática clínica: revisão das evidências terapêuticas e ações farmacológicas. Rev Bras Clin Med. 2012; BATLOUNI, Michel. Anti-inflamatórios não esteroides: Efeitos cardiovasculares, cérebro-vasculares e renais. Arq. Bras. Cardiol. 2010.

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