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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


O que pode ser?

Pneumonia tem como sintomas febre, tosse e dificuldade para respirar

A pneumonia está entre as doenças que mais causam hospitalizações no Brasil e no mundo -  Camila Rosa/UOL VivaBem
A pneumonia está entre as doenças que mais causam hospitalizações no Brasil e no mundo Imagem: Camila Rosa/UOL VivaBem

Tatiana Pronin

Colaboração para o UOL VivaBem

29/01/2019 04h01

Pneumonia é o termo que se refere a toda inflamação aguda nos pulmões. Na maioria das vezes essa doença é causada por infecções provocadas por vírus ou bactérias. Mas fungos, outros organismos e substâncias também podem ser os responsáveis por essa condição, que pode levar à morte se não tratada a tempo, especialmente pacientes mais vulneráveis, como crianças pequenas e idosos.

As principais estruturas envolvidas na pneumonia são os alvéolos, pequenos sacos de ar onde acontecem as trocas gasosas --eles se inflamam e podem ficar cheios de pus, causando febre, tosse e dificuldade para respirar. Os brônquios (que ligam os alvéolos à traqueia) também podem ser afetados. 

Incidência

A pneumonia é a doença que mais mata crianças com até cinco anos no mundo. Está entre as doenças que mais causam hospitalizações no Brasil e no mundo. No país, afeta cerca de 900 mil pessoas por ano, e constitui a doença infecciosa que mais mata --são quase 100 mil casos fatais por ano, se considerarmos todos os tipos de pneumonia. 

Fatores de risco

- Idade: crianças e idosos são os grupos mais vulneráveis.

- Imunodepressão: condições que diminuem a imunidade, como prematuridade, insuficiência cardíaca, uso crônico de corticosteroides, alcoolismo, câncer ou Aids não controlada aumentam o risco de pneumonia.

- Tabagismo: as substâncias tóxicas do cigarro tornam as vias aéreas mais vulneráveis a infecções que podem atingir os pulmões.

- Doença pulmonar crônica: indivíduos com DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), fibrose cística ou asma também são mais propensos ao quadro.

- Condições que resultam em dificuldades de deglutição: demências, sequelas de AVC ou doenças neurológicas, em geral, podem levar à pneumonia por aspiração, bem como o refluxo gastroesofágico.

- Pacientes internados em hospitais, clínicas ou casas de repouso também são mais vulneráveis. 

- Fatores socioeconômicos, como pobreza, desnutrição, desmame precoce, cobertura vacinal inadequada e baixas condições sanitárias e de higiene são outros fatores de risco.

Sintomas

  • Febre 
  • Tosse (seca ou produtiva)
  • Mal-estar geral
  • Dor torácica que surge ou piora com a tosse ou ao respirar
  • Falta de ar ou dificuldade para respirar (dispneia)

Também podem surgir:

  • Respiração rápida (taquipneia, mais comum em crianças pequenas)
  • Dor de cabeça
  • Suor
  • Calafrio
  • Perda de apetite
  • Fadiga
  • Confusão mental (mais comum em idosos)

Causas e tipos de pneumonia

A maioria das pessoas associa a pneumonia à infecção causada por bactérias conhecidas como pneumococos. Mas há outros micro-organismos capazes de causar a doença, e em certos casos eles fazem parte da flora normal das vias respiratórias, porém se multiplicam por alguma condição que comprometa a imunidade do indivíduo. Veja alguns exemplos de pneumonia de acordo com o agente envolvido:

VIRAL 

Só o influenza, causador da gripe, é responsável por um terço de todas as pneumonias. Ocorre que, após um quadro viral, as células que revestem as vias aéreas, inclusive os pulmões, ficam mais sensíveis e deixam o ambiente favorável para que uma pneumonia bacteriana secundária se instale. Mas outros vírus, como o sincicial respiratório (VSR), o parainfluenza, os causadores do resfriado e até do sarampo também podem infectar os pulmões. 

BACTERIANA

A principal delas é a Streptococcus pneumoniae (pneumococo), responsável pelos sintomas típicos da pneumonia, como febre alta e catarro amarelado. Outras bactérias também podem infectar os pulmões, causando sintomas mais leves ou até mais graves. 

ATÍPICA

A pneumonia é considerada atípica quando provocada por organismos como Haemophilus influenzae, Legionella pneumophila, Mycoplasma pneumoniae e a Chlamydia pneumoniae ou a Chlamydia pisttaci (mais rara, proveniente de aves infectadas). Esses casos são considerados atípicos, e os sintomas podem ser mais leves

FÚNGICA 

Diversos fungos podem causar pneumonia, como o Histoplasma capsulatum (causador da histoplasmose), o Paracoccidioides brasiliensis entre outros. O Pneumocystis jiroveci é o causador da pneumonia pneumocística, ou PPC, uma das principais infecções oportunistas em pacientes imunodeprimidos, como quem tem Aids

POR PARASITAS 

Micobactérias (tipos de bacilos aeróbios) e parasitas como o Toxocara canis ou T. catis (causadores da toxocaríase) e o Paragonimus westermani também podem causar infecção pulmonar. 

OUTRAS CLASSIFICAÇÕES 

O ambiente em que a pessoa contraiu a doença também determina sua classificação. Por isso, é comum ouvir os médicos falarem em pneumonia adquirida na comunidade (PAC), quando se referem a infecções adquiridas fora do ambiente hospitalar ou de instituições de saúde. Já entre pacientes internados (pneumonia adquirida em hospitais), pode ocorrer não somente porque o local concentra maior número de pessoas doentes, mas principalmente pelo uso de aparelhos para auxiliar a respiração (ventiladores) --esse tipo tende a ser grave porque afeta pacientes que já estão debilitados e há maior risco de se contaminar com micro-organismos resistentes a medicamentos. 

Ainda existe a pneumonia por aspiração, causada por partículas provenientes do estômago ou vômito que, sem querer, vão parar nas vias aéreas, causando inflamação ou infecção. O problema é mais frequente em pacientes com dificuldades para engolir ou que usam sonda para alimentação. Por último, a inalação de substâncias tóxicas, como certos gases, subprodutos do petróleo e armas biológicas, também pode levar à doença.

Quando procurar o médico?

Sempre que uma pessoa tiver febre alta e/ou dor no peito ou dificuldade para respirar, é preciso consultar o médico ou serviço de urgência, principalmente se for criança, idoso, paciente imunodeprimido ou com doenças crônicas.

Como diferenciar da gripe ou da bronquite?

Estados gripais causam febre, dores no corpo, na cabeça, garganta e, muitas vezes, coriza e tosse. Se depois de apresentar esses sintomas a pessoa passar a ter alguma dificuldade respiratória ou dor no peito, a gripe pode ter virado uma pneumonia. Já a bronquite é um processo alérgico, que não acompanha febre, nem catarro amarelado.

E da tuberculose? 

A tuberculose é uma doença contagiosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis (uma micobactéria), e também causa tosse. Seus sintomas surgem de forma gradual, e com frequência os doentes levam tempo para procurar o médico. Já a pneumonia é uma doença aguda, que pode aparecer depois de um quadro gripal. 

Diagnóstico

Muitos médicos podem chegar ao diagnóstico apenas com exame clínico, análise dos sintomas e história do paciente. A radiografia de tórax, ou, em alguns casos, a tomografia de tórax, que tem mais acurácia, ajudam a determinar se o paciente tem pneumonia. Testes para avaliação do estado geral do paciente, como a oximetria (para avaliar o nível de oxigenação no sangue) e hemograma, ou para identificar o causador da doença, como cultura de sangue, testes de escarro, swab nasal e de urina também podem ser solicitados. Em casos graves, os testes moleculares, como o PCR (reação em cadeia da polimerase), podem ser de grande ajuda para identificar a causa da pneumonia com rapidez. 

Quadros de pneumonia muitas vezes demandam hospitalização. A idade do paciente e a presença de outras doenças, bem como os níveis de oxigenação do sangue, pressão e confusão mental, entre outros critérios, são levados em conta. Indivíduos que requerem ventilação mecânica precisam ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI).

Tratamento

O paciente deve repousar e receber cuidados de suporte, como hidratação adequada, uso de antipiréticos e analgésicos. A escolha da terapia para inibir a proliferação depende do tipo de micro-organismo com maior probabilidade de estar por trás da infecção, o que nem sempre é possível determinar na hora.

Na suspeita de bactérias, costuma-se indicar antibióticos como a amoxicilina ou amoxicilina associada ao clavulanato, levofloxacina, azitromicina ou claritromicina. Já na pneumonia adquirida no ambiente hospitalar há antibióticos específicos. Para pneumonias virais, o uso do osetalmivir (Tamiflu) pode ser considerado em caso de confirmação do influenza. Para doenças causadas por fungos, antifúngicos como o itraconazol são indicados, e assim por diante. A maioria dos medicamentos é bem tolerada e têm poucos efeitos colaterais, mas alguns pacientes podem apresentar alergia e demandar substituições. 

Duração do tratamento

A duração do tratamento depende da gravidade, mas a maioria dos pacientes se restabelece em cerca de duas semanas. Nos casos graves, os pacientes podem apresentar sintomas como fadiga por mais tempo.

Resistência

O uso indiscriminado de antibióticos, inclusive na pecuária, tem aumentado a incidência de infecções por organismos resistentes aos medicamentos. É o caso do Staphylococcus aureus, resistente à meticilina (MRSA), que em casos raros pode causar pneumonia grave, com tratamento complicado. Por isso, é importante que as pessoas sempre tomem o remédio de acordo com a prescrição médica, e não interrompa o tratamento depois que os sintomas desaparecem. 

Complicações possíveis

Na maioria das vezes, a doença cede com os cuidados adequados. Mas nos pacientes com sistema imunológico comprometido ou nos casos de organismos mais resistentes, há risco de complicações, como a formação de líquido ou abcesso (formação de cavidade com pus que requer drenagem) no pulmão, algumas bem graves e com risco de sequelas, como a baixa oxigenação, e a sepse, quadro que se instala quando a bactéria cai na circulação sanguínea e se dissemina, causando falência múltipla de órgãos e podendo levar à morte.

Como ajudar um familiar doente

A conduta mais importante, em caso de suspeita de pneumonia, é não adiar a ida ao pronto-socorro. Para os pacientes tratados em casa, é importante permitir o repouso, manter a hidratação constante e oferecer alimentos aos poucos, para manter a nutrição apesar do cansaço e da falta de apetite. 

Prevenção

Veja, a seguir, algumas medidas para reduzir o risco de pneumonia.

- Mantenha a vacinação em dia, principalmente se você apresenta algum fator de risco ou convive com alguém nessa condição. As vacinas pneumocócicas são indicadas para crianças, idosos com mais de 65 anos e adultos com determinadas doenças crônicas. Existem algumas versões diferentes, mas todas elas ajudam a proteger contra a pneumonia bacteriana e outras complicações causadas pelo pneumococo, como meningite e septicemia. A vacina contra a Haemophilus influenzae B e a do sarampo, indicada para bebês, e a vacina contra o influenza, que deve ser tomada todo ano, são outras que evitam boa parte das pneumonias. A imunização está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para os pacientes com maior vulnerabilidade.

- Pare de fumar. Existem programas gratuitos para ajudar a vencer o tabagismo, e a medida também ajuda quem convive com você.

- Siga as orientações médicas corretamente sempre que tiver alguma infecção aguda ou condição crônica, como diabetes, doenças do coração, asma, DPOC, ou HIV, entre outras.

- Se você acabou de virar mãe, procure amamentar. O aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida também é uma forma de proteger seu filho de doenças.

- Cultive medidas de higiene como lavar as mãos com frequência e cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar. Isso evita a transmissão e o contágio pelo vírus da gripe, entre outros patógenos.

- Fique em casa (ou deixe seu filho em casa) quando estiver com febre e mantenha os ambientes sempre arejados (inclusive no inverno). Isso é mais importante para evitar gripes e pneumonias do que fugir da chuva e do vento.

- Mantenha uma vida saudável, o que significa ter uma dieta variada e equilibrada, dormir bem, praticar atividade física e evitar o álcool. Isso também é uma forma de se proteger de infecções. 

Fontes: Alexandre Naime, infectologista e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia; Nelson Ejzenbaum, pediatra e neonatalogista, membro da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria); American Lung  Association; Ministério da Saúde; SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia); Sociedade Brasileira de Pediatria; CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, nos EUA).

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