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"Tinder" dos pets: app conecta animais abandonados a quem quer adotar

Bogdan Kurylo/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Bogdan Kurylo/Getty Images/iStockphoto

Andrea Miramontes

Colaboração para Nossa

02/09/2021 04h00

O pitbull Tiago foi encontrado à beira da morte, sem nenhum pelo no corpo, em Recife (PE). Resgatado e recuperado pelo advogado Werner Grau, especialista em direito ambiental no escritório Pinheiro Neto e apoiador de ONGs de proteção animal, hoje o cachorro leva a vida que todo pet deveria ter, dono de um lar com comida e saúde.

Finais felizes como o de Tiago podem ficar mais comuns com a ajuda da tecnologia. Acaba de ser lançado no Brasil o aplicativo que é um verdadeiro "Tinder da adoção", o PetPonto, do qual Werner é conselheiro.

Gratuito, o aplicativo conecta ONGs e protetores independentes, lotados de animais que precisam de um lar, a possíveis adotantes. Engajado na causa, o jornalista e apresentador de TV Celso Zucatelli também se juntou ao time responsável pelo projeto.

São mais de 170 mil animais à espera de uma família, fora os que estão com protetores independentes. Iniciativas como essa são urgentes".

O pitbull Tiago que foi resgatado à beira da morte - Divulgação - Divulgação
O pitbull Tiago que foi resgatado à beira da morte
Imagem: Divulgação

Zucatelli relembra os números da OMS (Organização Mundial da Saúde), que somam 30 milhões de animais abandonados no Brasil. "Isso é a estatística oficial, mas sabemos que a realidade é muito mais grave", completa.

Com a pandemia, a realidade piorou, como explica outra sócia do projeto, Fernanda Delboni, empresária e CMO da Techsocial, empresa responsável pelo desenvolvimento do app. "Por falta de dinheiro ou outros motivos, muita gente deixou o pet para trás", lamenta.

Não poderia haver melhor momento para o lançamento da tecnologia, que será sempre gratuita. "O desafio é atender as expectativas das ONGs e convencê-las a usar o app. O terceiro setor precisa muito de ajuda, especialmente a causa animal", acrescenta Fernanda.

Adote um rejeitado

Bless, cachorro que teve cinomose, hoje está curado e aguarda um lar - Divulgação - Divulgação
Bless, cachorro que teve cinomose, hoje está curado e aguarda um lar
Imagem: Divulgação

Ainda mais dramática é a adoção de animais especiais, que tiveram membros amputados ou com sequelas de doenças, que teriam sido erradicadas com a vacinação adequada. Essas histórias comoventes também estão no "Tinder dos bichos", esperando pelo match. Fora do app, dificilmente um adotante olharia para esses candidatos.

O vira-lata Bless, um descendente de pastor alemão de apenas um ano, é sobrevivente de uma ninhada com cinomose. Como não anda sozinho por consequência da doença, o cachorro passeia em carrinhos de bebê. Ele faz acupuntura e mais tratamentos na ONG Projeto Cel, onde foi resgatado. A organização já cadastrou os animais na plataforma.

Pets com deficiência custam a encontrar pais adotivos - Getty Images - Getty Images
Pets com deficiência custam a encontrar pais adotivos
Imagem: Getty Images

"Ele tem apenas um ano, é um bebê muito bonzinho, que está no app à espera de um tutor especial. Estou animada com o lançamento do projeto, que certamente vai nos ajudar a achar mais famílias dispostas a adotar", conta Eliete Brognoli, fundadora da ONG, que já chegou a ver o abrigo extrapolar sua capacidade, com mais de 600 animais.

Cachorros e gatos adultos também são um desafio na adoção animal. O vira-lata Chico é um dos mais antigos no abrigo, onde está há mais de 8 anos. "É muito medroso e carente, ele precisa de uma família que o entenda e respeite. As pessoas têm restrição em adotar adultos, o que é um erro. Muitas vezes, um cachorro adulto já vem educado e é aquele que mais precisa de família", completa a protetora.

Gato - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Gatos adultos também são um desafio na adoção animal
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Assim também é o estigma dos pitbulls, que, uma vez abandonados, podem sofrer muito na rua. Infelizmente não são raras histórias de pits apedrejados, queimados ou mesmo acorrentados a um poste esperando pela morte, como foi encontrada Shakira.

"Nós a encontramos amarrada, à beira de uma estrada, tomada pela sarna negra, doença que faz cair todos os pelos. Estava com a pele inteira queimada pelo sol, quase morta. Já está tratada e pronta para um lar. Lembro que a doença não é transmissível para animais e pessoas e só se manifesta quando há queda na imunidade do animal. Ela é um doce de cachorra e está no PetPonto", finaliza Eliete.