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Carioca - 2020

Dez mudanças na tabela, STJD, Globo em dúvida: como será a volta do Carioca

Campeonato Carioca da Ferj de Rubens Lopes tem volta polêmica em meio à pandemia de coronavírus - Divulgação/Ferj
Campeonato Carioca da Ferj de Rubens Lopes tem volta polêmica em meio à pandemia de coronavírus Imagem: Divulgação/Ferj

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro

24/06/2020 04h00

Antes conhecido como o mais charmoso do país, o Campeonato Carioca tem se notabilizado nos últimos anos por ser um dos mais confusos do futebol brasileiro. Nesse contexto, a edição de 2020 já entrou para a história. Em meio à pandemia do novo coronavírus, o Estadual do Rio de Janeiro é o primeiro a ter bola e muita polêmica rolando.

Com muitas mudanças na tabela e uma disputa entre clubes que passou pela Prefeitura da capital fluminense até chegar ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), o torneio da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) teve os grandes Fluminense e Botafogo contrários ao retorno e deixou até a Globo, detentora dos direitos de transmissão, em dúvida.

O Carioca retornou na quinta-feira (18) passada com vitória do Flamengo por 3 a 0 sobre o Bangu em um jogo sem torcida, transmissão e num sepulcral silêncio no Maracanã — bem ao lado de um hospital de campanha. No dia seguinte, empate sem gols entre Portuguesa e Boavista no Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador, quando as confusões saíram da esfera esportiva para chegar à Justiça.

Paulo César Salomão Filho, presidente do STJD, decidiu datas de retorno do Carioca - Divulgação - Divulgação
Paulo César Salomão Filho, presidente do STJD, decidiu datas de retorno do Carioca
Imagem: Divulgação

Ontem (23), o STJD entrou em cena para anular decisão do TJD-RJ (Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro) e adiar as partidas da quarta rodada da Taça Rio — antes marcadas entre 19 e 22 — para o domingo (28). Com isso, vieram, ao total, dez mudanças na tabela em um espaço de oito dias.

Graças à insistência da Ferj por manter o Tricolor e o Alvinegro no dia 22 a contragosto e a um confuso decreto do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) no Diário Oficial, que paralisou a competição até quinta-feira (25), para depois se mostrar confiante para desrespeitar a própria legislação sem fazer quaisquer ajustes, Botafogo e Vasco tiveram suas partidas contra Cabofriense e Macaé modificadas de data três vezes.

As partidas entre Fluminense x Volta Redonda e Madureira x Resende também tiveram duas novas datas. Após a dezena de modificações, enfim, o Campeonato Carioca terá seu "segundo retorno", com todos os quatro jogos restantes pela quarta rodada do returno marcados para o domingo (28).

Ainda pode haver uma derradeira mudança: o Tricolor se nega a jogar ao lado de um hospital de campanha e quer enfrentar o Voltaço no Estádio Nilton Santos, do agora aliado Botafogo. O clube enviou um ofício à Ferj e aguarda resposta.

Globo não confirma transmissão de domingo

Receosa com tantas modificações, a Rede Globo evita confirmar a transmissão do jogo de domingo (28) — que seria do jogo entre Vasco e Macaé, às 16h, em São Januário — pois o cenário muda a todo tempo.

Além disso, a detentora dos direitos de transmissão viu um desgaste além do esperado com o Flamengo, único clube que não fechou contrato com a emissora. Em guerra judicial com o Fla e contrária às narrativas criadas pelo clube e seus torcedores, a Globo cansou de tanta confusão no futebol carioca.

A emissora nem sequer transmitiria o jogo no último do Cruzmaltino caso tivesse ocorrido no último domingo, já que a confirmação menos de 24 horas antes acabaria impedindo ações comerciais e anúncios tanto na TV como nas redes sociais.

Relembre conflitos que começaram desde a paralisação, em março

Os conflitos entre clubes começaram em março, quando a covid-19 ainda começava a se espalhar pelo Brasil, que iniciava o processo de isolamento social. No dia 16, em demorado arbitral, Flamengo e Vasco já eram contrários à paralisação da competição, que acabou acontecendo. Primeiro, por 15 dias, e depois, postergada até maio.

Rubens Lopes em reunião que paralisou o Campeonato Carioca, em março - Caio Blois / UOL - Caio Blois / UOL
Imagem: Caio Blois / UOL

Em 15 de abril, dia em que o país caminhava para 30 mil casos e 2 mil mortes, a Ferj aprovou um protocolo junto à cientistas, médicos e autoridades do futebol. Mas não deliberou sobre o retorno.

Alguns dias depois de afirmar que "nem mãe Dinah" tinha uma data, o presidente da entidade, Rubens Lopes, autorizou, já em 3 de maio, que os clubes decidissem se retornariam ou não aos treinos e jogos.

Foi a partir daí que se iniciou o dissenso entre as equipes da Série A do Estadual. Cinco dias depois, a Ferj encabeçou junto aos clubes um comunicado pedindo o retorno das partidas. Fluminense e Botafogo, que já estavam lado a lado desde março, quando conseguiram a paralisação da competição, foram contra e não assinaram.

De lá para cá, com apoio do Vasco, o Flamengo foi a principal voz pelo retorno. Mandatário do clube, Rodolfo Landim, viajou até Brasília, acompanhado por Alexandre Campello, do Cruz-Maltino -- que é médico --, para encontrar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), principal defensor da volta do futebol brasileiro.

Presidentes de Fla e Vasco, Landim e Campello se encontraram com Jair Bolsonaro - Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro - Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro
Imagem: Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro

Foi em junho, no dia 17, outra autoridade política entrou no xadrez do confuso retorno. Em reunião no Palácio da Cidade, o prefeito Marcelo Crivella apelou para que a Ferj liberasse a volta de Flu e Bota apenas em julho. Já à noite, em um arbitral online, Rubens Lopes afirmou aos seus pares que o bispo não mandava na competição, e manteve as datas do dia 22.

Na noite seguinte (18), o Campeonato Carioca voltou com um jogo entre o Flamengo, que liderou a briga pelo retorno nos bastidores e o Bangu, curiosamente o clube onde Rubens Lopes ingressou no futebol carioca. O silêncio no Maracanã naquele dia foi interrompido por quatro vezes, nos três gols rubro-negros e com as animadas músicas de boate antes da partida.

Poucas horas antes, Fluminense e Botafogo faziam barulho entrando com ação no TJD para adiar as partidas. Com a negativa, os clubes, no dia 19, ingressaram com medida inominada no STJD. Antes de deliberar pelo retorno no dia 28, o Tribunal ainda tentou uma conciliação junto à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), clubes, Federação e um médico independente. No entanto, não houve acordo.