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Marcel Rizzo

A lição de Jesus ao Flamengo: técnico estrangeiro usa Brasil como trampolim

Jorge Jesus não é mais o técnico do Flamengo e vai para o Benfica - GettyImages
Jorge Jesus não é mais o técnico do Flamengo e vai para o Benfica Imagem: GettyImages
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

18/07/2020 04h00

Não há como o flamenguista ter raiva de Jorge Jesus. Pode ter decepção, aquele gosto amargo de fim de relacionamento, mas não ódio. Campeão brasileiro, carioca, da Libertadores, da Recopa e derrotado para o poderoso Liverpool na final do Mundial encarando de frente. Não há como ter raiva.

Há, entretanto, que compreender um fato: técnico estrangeiro usa o Brasil como trampolim. O português Jorge Jesus não foi o único que desembarcou por aqui e foi embora de certa forma rápida, mas sua saída impacta mais por tudo que ganhou, e principalmente, por ter feito o Flamengo jogar o melhor futebol no país em anos.

O próprio Flamengo já havia provado esse veneno. Em 2017, o colombiano Reinaldo Rueda foi do Flamengo à seleção do Chile depois de alguns meses de trabalho. Não houve impacto como de Jesus porque, bem, Rueda fazia um trabalho mediano, com 13 vitórias, 10 empates e oito derrotas.

Veja o caso do São Paulo. Teve experiência recente com dois estrangeiros que foram embora para assumir outros compromissos: o colombiano Juan Carlos Osorio abandonou em 2015 o clube que vivia uma crise política séria, é verdade, para ir à seleção do México e o argentino Edgardo Bauza rescindiu em 2016 para assumir a seleção argentina. Os dois fizeram trabalhos bons em campo, mas decidiram por outras propostas assim que a receberam.

Igual Jesus. Em dezembro do ano passado escrevi que o sucesso de Jesus no Flamengo e do argentino Jorge Sampaoli no Santos faria com que uma enxurrada de estrangeiros chegasse ao Brasil. Não houve enxurrada (ponto negativo para mim). Mas não por tentativas: o Palmeiras, antes de contratar Luxemburgo, tentou Sampaoli, que fecharia depois com o Atlético-MG e cogitou o espanhol Miguel Ángel Ramirez, do surpreendente Independiente Del Valle (EQU). Pesou contra Ramirez a idade (35 anos).

O Inter contratou o argentino Eduardo Coudet, que fez trabalho primoroso no Racing (ARG) e vamos ver como vai se desenrolar o trabalho. Mas alguém põe a mão no fogo que se ele tiver oferta de clube médio da Europa não aceita?

Jesus deixa o Flamengo montado e favorito a tudo para voltar para sua casa, ficar perto da família em momento tenso com a pandemia do novo coronavírus. Mas ao assumir o Benfica, o técnico se qualifica a ganhar o Campeonato Português e Taça de Portugal. O Benfica não ganhará a Liga dos Campeões ou o Mundial. Talvez a Liga Europa e olhe lá.

O Flamengo se encantou por Jesus e quer outro técnico estrangeiro para o cargo. Que contrate e que saiba que pode ter prazo curto. Essa é a regra.