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Por coronavírus, Ferj e clubes decidem paralisar o Carioca por 15 dias

Rubens Lopes (centro), presidente da Ferj, em entrevista após reunião com os clubes por conta do coronavírus - Caio Blois / UOL
Rubens Lopes (centro), presidente da Ferj, em entrevista após reunião com os clubes por conta do coronavírus Imagem: Caio Blois / UOL

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

16/03/2020 14h04Atualizada em 16/03/2020 15h01

Classificação e Jogos

Em reunião realizada na manhã de hoje (16), na sede da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), os clubes e a entidade decidiram paralisar o Campeonato Carioca por 15 dias por conta do coronavírus. A medida foi tomada em comum acordo apesar de alguns votos dissonantes.

A reunião demorou mais de três horas por conta de algumas divergências durante o debate. Enquanto Botafogo e Fluminense se mostraram favoráveis à suspensão das atividades do Estadual, Flamengo, Vasco e os clubes de menor investimento gostariam de continuar a competição por mais duas rodadas, para encerrar ao menos a fase de grupos da Taça Rio. Durante as discussões, os sindicatos dos atletas e técnicos de futebol afirmaram que, caso não houvesse paralisação, entrariam na Justiça. Após uma pausa, com os ânimos mais calmos e sem um consenso, condição determinada por Rubens Lopes, presidente da Ferj, acabou alinhada a pausa por 15 dias.

"Argumentos técnicos e de saúde [convenceram o Flamengo e aos clubes pequenos]. O entendimento de todos era a convergência de opiniões em prol do bem comum", disse Rubens Lopes, presidente da Ferj, que completou:

"Não foi discutida uma solução definitiva pois não é possível. A CBF também não conseguiria. As entidades têm o mesmo problema. Hoje a coisa é de um jeito, mas é dinâmico, amanhã pode mudar. Conversei com o presidente [Rogério Caboclo] e estamos na mesma página".

Presidentes dos quatro grandes clubes do Rio estiveram presentes: Nelson Mufarrej, do Botafogo, Mario Bittencourt, do Fluminense, Rodolfo Landim, do Flamengo, e Alexandre Campello, do Vasco. Campello, porém, deixou a sede da Ferj irritado com um encontro entre Rubens Lopes, presidente da entidade, e Landim, antes da assembleia marcada para às 9h30, o que causou atrasos. Assim, o mandatário cruz-maltino saiu antes mesmo de a reunião começar e deixou a posição da diretoria do clube com João Paulo Magalhães, presidente do Boavista.

Além disso, também esteve presente Alfredo Sampaio, presidente do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Saferj).

Caio Blois / UOL
Imagem: Caio Blois / UOL

Durante a assembleia, discutiu-se a possibilidade de, como a paralisação da competição seria por tempo indeterminado, se valeria a pena aproveitar a janela de 15 dias antes do crescimento da curva do coronavírus, que contém duas datas da competição. Além disso, clubes colocaram em pauta, com o Saferj, a questão trabalhista dos jogadores em caso de pausa.

Vale ressaltar que a paralisação passa a valer a partir de amanhã (17). Na tarde de hoje, Madureira e Volta Redonda se encaram no Estádio Conselheiro Galvão, pela terceira rodada da Taça Rio, segundo turno do Carioca.

Veja a ata da reunião publicada no site da Ferj:

"RESOLUÇÃO DA PRESIDÊNCIA
RDP Nº 013/20

Rubens Lopes da Costa Filho, Presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, no uso de suas atribuições estatutárias e

Considerando a necessidade de adoção de medidas profiláticas que possam contribuir para o achatamento da curva de incidência e prevalência do novo coronavírus, de forma a reduzir o risco e a probabilidade da eclosão excessiva e concentrada de novos casos em lapso temporal reduzido, agente de transtornos, dificuldades e até impossibilidade do sistema de saúde para o atendimento aos casos mais graves e carentes de assistência secundária e terciária;

Considerando como devendo nortear ações as orientações e diretrizes das autoridades de saúde e das autoridades médicas especializadas, como a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), dentre outras;

Considerando que em razão da crise de saúde que piora dia a dia, a cada um de nós, indistintamente, cabe a sensibilidade e o dever de olvidar interesses individuais, classistas, corporativistas ou quaisquer outros que não sejam no bem da coletividade, principalmente em se tratando de saúde pública diante do grave problema que assola o mundo e está se instalando no Estado e no País;

Considerando o estado de emergência em saúde pública de importância nacional em decorrência da infecção humana pelo novo coronavírus;

Considerando a necessidade de adoção de medidas para conter a propagação da infestação e transmissão local, preservando a saúde de todos;

Considerando que o futebol não está restrito a fronteiras desportivas e econômicas, tem compromissos com a sociedade e cada um dos membros desse segmento pode contribuir individualmente, obedecendo, fazendo obedecer, divulgando e exemplificando condutas em prol da redução da prevalência e incidência dos casos de infecção pelo novo coronavírus, e consequentemente também dos casos graves;

Considerando a garantia conferida pelo Estatuto Torcedor de que as competições aconteçam com segurança em sentido amplo;

Considerando que a inexistência de obstáculos insuperáveis no calendário anual das competições não profissionais permite ajustes nas competições, sem prejuízos de terceiros e influências de outras varáveis;

RESOLVE:

Adiar, sine die, o início de qualquer competição organizada, subordinada ou vinculada à FERJ em todo o território do Estado do Rio de Janeiro a partir desta data.

Recomendar às Ligas Municipais filiadas o entendimento com as respectivas autoridades municipais de saúde sobre as diretrizes e orientações que devam ser seguidas em relação aos seus campeonatos de futebol.

Suspender, pelo prazo de 15 dias, todas as competições em curso organizadas, subordinadas ou vinculadas à FERJ em todo o território do Estado do Rio de Janeiro, a partir desta data.

Recomendar aos filiados que interrompam e suspendam todas as atividades do departamento de futebol, tais como, treinamentos e quaisquer outras que implique em aglomeração, principalmente em ambientes fechados.

Esta resolução entra em vigor nesta data e está sujeita a revisão, a qualquer tempo, considerada a dinâmica dos fatores que a motivaram e em consonância com as autoridades de saúde.

Rio de Janeiro, 16 de março de 2020.
RUBENS LOPES DA COSTA FILHO
PRESIDENTE"

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