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Até onde a Red Bull pode ir no futebol?

Timo Werner, do RB Leipzig, está no radar de gigantes europeus - Ulrich Hufnagel/Xinhua
Timo Werner, do RB Leipzig, está no radar de gigantes europeus Imagem: Ulrich Hufnagel/Xinhua
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

24/01/2020 04h20

Classificação e Jogos

O Leipzig lidera o Campeonato Alemão, foi o primeiro colocado do seu grupo na Liga dos Campeões e já está entre os 16 melhores times da Europa nesta temporada. O Salzburg é o atual hexacampeão campeão austríaco e, em sua campanha de estreia na fase principal da Champions, vendeu caro as duas derrotas para o Liverpool.

O Bragantino acabou de subir para a primeira divisão brasileira e está entre os dez clubes que mais gastaram com a contratação de novos jogadores nesta janela de transferências. Já o New York foi capaz de reunir estrelas como o francês Thierry Henry, o australiano Tim Cahill e o brasileiro Juninho Pernambucano.

Em 15 anos de investimento no futebol, a Red Bull já conseguiu inserir seu nome do cenário global da bola e fazer seus times deixarem de ser meros coadjuvantes nos países onde estão localizados.

Mas até onde será que o projeto da fábrica de energéticos pode chegar? Será que algum dia veremos uma equipe com a inicial RB ocupando a prateleira de cima do futebol mundial, ao lado de Real Madrid, Barcelona e companhia?

Bem, se a Red Bull não modificar sua filosofia atual de trabalho, o mais provável é que isso jamais de aconteça. E, dentro do cenário atual, a aventura futebolística da empresa já está muito próxima de bater no teto, ou seja, de alcançar seu máximo.

Sim, é possível construir uma hegemonia em uma liga de segundo escalão, como a austríaca, beliscar de vez em quando um título de um campeonato mais conceituado, como a Bundesliga alemã, e chegar eventualmente aos mata-matas da Champions, mesmo com times formados basicamente por apostas para o futuro.

Mas, por melhores que sejam esses garotos e o trabalho executado dentro de campo, é preciso um pouco mais para montar equipes capazes de brigar anualmente por todas as taças que disputam, inclusive a cobiçada Liga dos Campeões.

Para isso acontecer, é necessário também entrar na briga pela contratação de jogadores que estejam em um patamar superior, com mais idade e experiência. Além disso, não dá para cair na tentação de fazer dinheiro com a venda dos seus melhores nomes.

A Red Bull não chegará ao topo da pirâmide do futebol mundial enquanto aceitar vender um talento do nível de Erling Braut Haaland, o garoto norueguês de 19 anos que é vice-artilheiro da Champions - ainda mais para um clube como o Borussia Dortmund, que é seu concorrente direto na Alemanha.

E nem se realmente negociar Timo Werner, titular da seleção alemã e um dos goleadores da Bundesliga, para o Barcelona, hipótese levantada pela imprensa espanhola durante os últimos dias.

É óbvio que a Red Bull é uma empresa que visa o lucro e que trata o futebol como um negócio. Mas se a lógica do seu trabalho for apenas formar jogadores para depois ganhar dinheiro com sua venda para algum clube mais rico, ela nunca realmente fará parte do primeiro escalão.

O mais provável é que os times da empresas de energéticos virem versões do Ajax, uma equipe admirada pela beleza futebol que pratica, sempre cheia de jogadores talentosos, que às vezes belisca um resultado mais expressivo, mas que não tem força para se manter no patamar mais alto que o futebol europeu exige.

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