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NBB freia crescimento e dá passo atrás em nova temporada que começa hoje

Duelo entre Corinthians e Flamengo pelo NBB - Staff Imagens/Flamengo
Duelo entre Corinthians e Flamengo pelo NBB Imagem: Staff Imagens/Flamengo
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/11/2020 04h00

"Você nunca viu nada igual". O slogan utilizado pelo NBB nos últimos anos não fará o mesmo sentido na temporada que começa hoje (10). Pela primeira vez desde que foi fundada, há 12 anos, a Liga Nacional de Basquete (LNB) interrompeu sua escalada de crescimento e deu passos atrás, ainda que o torneio siga com 16 clubes. Em um ano atípico, marcado pela pandemia, a organizadora perdeu um 1/3 de receita e cortou funcionários na mesma proporção. Também não promete mais aos fãs e patrocinadores 100% dos jogos transmitidos. Mesmo assim, há bons motivos — leia o texto do blog Vinte e Dois com cinco razões para acompanhar a competição.

"Apesar de uma pandemia mundial, de crise, estamos sobrevivendo. Conseguimos manter 16 equipes, mesmo com pandemia. Fizemos um acordo extraordinário com o CBC (Comitê Brasileiro de Clubes), mantivemos alguns patrocinadores. A Caixa tinha saído antes da pandemia. É uma temporada para ser comemorada, diante de todas as dificuldades", analisa Sergio Domenici, CEO da Liga.

Os números falam por si. A LNB, que tinha orçamento de cerca de R$ 15 milhões por ano, tem por enquanto garantidos apenas R$ 10 milhões. Parte significativa desse corte de receitas está ligada à não renovação do contrato de patrocínio da Caixa Econômica Federal, que se encerrou em março. Por causa da pandemia e do momento da economia, o NBB não encontrou outro patrocinador principal, ao menos não ainda.

Com menos dinheiro, a liga precisou fazer cortes. Depois de demitir praticamente metade dos funcionários no início da pandemia, a LNB até fez novas contratações para a temporada, mas a equipe de trabalho foi reduzida também em 1/3. O contrato com o CBC vai permitir que dinheiro público, da Lei Piva, pague passagens aéreas e hotéis, e, por segurança e contenção de custos, pelo menos o primeiro turno vai acontecer em formato de mini-bolhas.

Diversas equipes se encontrarão na mesma cidade e lá farão vários jogos. Hoje, por exemplo, o Maracanãzinho recebe primeiro Campo Mourão x Fortaleza/Basquete Cearense e, depois, Flamengo x Minas. Pato Basquete, do Paraná, e Unifacisa, de João Pessoa, também estão nessa primeira mini-bolha no Rio. Depois, no sábado, São Paulo e Corinthians fazem clássico em Mogi das Cruzes.

Com esse modelo é possível reduzir os custos de hospedagem e de transalados, mas também os de "match day", o que inclui iluminação, segurança, arbitragem, e transmissão. Mesmo assim, a liga não dá garantia de que, como na temporada passada, todos os jogos terão transmissão. Por enquanto foram fechados acordos com o DAZN (cerca de 150 partidas) e com a ESPN (uma partida por semana, mais playoffs). Mas provavelmente haverá lacunas.

"Temos uma quantidade de Facebook, estamos otimistas que vamos fechar com o Twitch e estamos negociando com as emissoras regionais dos clubes locais", explica Domenici. A filial da TV Cultura de Campina Grande (PB), por exemplo, transmitiria os jogos da Unifacisa, que seriam replicados pelos canais do NBB para o restante do Brasil.

Mas é a negociação com a direção da TV Cultura que será fundamental para o futuro da temporada do NBB. O Olhar Olímpico chegou a noticiar que o acordo entre as partes estava fechado, com confirmação da emissora, mas o negócio encontrou entraves financeiros. As duas partes ainda conversam para que um jogo por semana seja transmitido, aos sábados, às 16h, mas ainda não existe essa confirmação. Por isso, não se sabe onde será transmitido o São Paulo x Corinthians do próximo sábado.

Sem público, por enquanto

Todo o primeiro turno será jogado em apenas quatro cidades: Brasília, Rio, Mogi e São Paulo — na capital paulista são quatro ginásios, sendo que os sete times paulistas não sairão do estado nenhuma vez. Por enquanto os jogos serão todos sem público, mas isso vai mudar se houver mudança nas regras locais de contenção do coronavírus.

"Os próprios clubes decidiram isso, de não privar o público. Vai causar uma diferença? Não tem problema. Isso foi decidido pelo conselho com a participação da associação de atletas. Caso seja permitido em alguma sede, mesmo que não seja em todas as sedes, a volta do público, observados os limites e decisões das regiões, vamos permitir", explica o CEO da liga. Mas não há qualquer possibilidade de a tabela do primeiro turno mudar, com a marcação de jogos para outras cidades. Daqui a um mês todos se reúnem para discutir como será o segundo turno.

A liga promete organizar de novo o Super 8, mata-mata de jogo único, em uma única sede, entre os oito primeiros colocados do primeiro turno, mas a sede ainda não está definido. Há também dúvida de como será o Jogo das Estrelas, programado para março. "Será que vamos poder fazer com público? Seria interessante, porque dá um lucro bacana e uma visibilidade bacana", diz Domenici. O coronavírus obrigou o cancelamento do evento este ano.

Apesar de todos os problemas, a liga comemora que, ao menos no aspecto técnico, o NBB deve manter seu nível. Na comparação com a temporada passada, só saíram dois jogadores de destaque: Leo Mendl, do São Paulo para a Espanha, e Leandrinho, que se aposentou. Por outro lado, chegou mais um ex-NBA, o pivô Lucas Bebê, que vai jogar pelo Fortaleza.

"O NBB vai continuar competitivo, eu não tenho dúvida disso. Nível de competitividade vai continuar bem alto. Vamos ter mais um 'NBA' jogando, todas as equipes fundadoras permaneceram. Vai ser a temporada da superação", aposta Domenici. Flamengo, Minas, São Paulo e Bauru parecem pintar como favoritos ao título. Finalistas do Paulista, Sesi/Franca e Paulistano devem correr por fora junto com Cerrado Basquete e Unifacisa. Corinthians e Pinheiros reduziram investimento e terão times jovens, enquanto o Botafogo não conseguiu dinheiro para seguir na competição.

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