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COB admite proibir público e cancelar eventos por causa do coronavírus

Maratona de São Paulo - Nelson Antoine/Framephoto/Estadão Conteúdo
Maratona de São Paulo Imagem: Nelson Antoine/Framephoto/Estadão Conteúdo
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

11/03/2020 18h00

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) avalia a possibilidade de, como medida de proteção à saúde e à integridade física dos atletas, estipular portões fechados em competições sobre as quais tem gerência, ou até suspendê-las. Faltando pouco mais de quatro meses para os Jogos Olímpicos de Tóquio, o coronavírus tem obrigado países e entidades esportivas do mundo todo suspenderem eventos ou, quando muito, realizá-los sem a presença de público.

Em nota ao Olhar Olímpico, o COB disse que tem como prioridade "preservar a saúde e a integridade física dos atletas e de todos os demais envolvidos nos eventos esportivos, como treinadores, árbitros, imprensa e público em geral, entre outros". "Portanto, o COB, em conjunto com as confederações brasileiras olímpicas, está avaliando alternativas para os eventos realizados no Brasil, como estipular competições com portões fechados, adiamento ou mesmo o cancelamento das mesmas, caso seja necessário", informou.

O COB, porém, é exceção entre os principais organizadores de eventos esportivos do país. No que depender deles, os principais torneios marcados para os próximos meses não correm nenhum risco de serem afetados pelo coronavírus. A adoção de medidas semelhantes às tomadas por Argentina e Paraguai, por exemplo, sequer foram discutidas pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) ou por organizadores da Superliga, do NBB, da LBF e da Maratona de São Paulo.

Todos têm eventos importantes marcados para as próximas semanas e não pretendem tomar qualquer medida de proteção ao coronavírus, agora uma pandemia de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a não ser que chegue determinação do Ministério da Saúde. No restante do mundo, o esporte está entrando em blackout. No futebol, a temporada europeia tem tudo para não chegar ao fim.

No esporte paraolímpico brasileiro, a única medida tomada pelo CPB até agora foi orientar as modalidades geridas pelo comitê a não realizarem viagens internacionais a não ser que necessário para a classificação a Tóquio. Daqui a duas semanas, entre os dias 25 e 27 de março, o Centro Paraolímpico, em São Paulo, recebe a maior competição internacional de calendário internacional realizada no Brasil, o Open Internacional de Atletismo e Natação, que ano passado reuniu 600 atletas de 20 países. O torneio segue mantido e só sofrerá alterações se o governo assim determinar. "O CPB vai seguir as medidas adotadas pelas autoridades brasileiras quanto a realização de eventos", disse a entidade em nota.

O NBB deve ter o maior público do ano no basquete daqui a 10 dias, quando acontece o Jogo das Estrelas, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, inclusive com a presença de atletas da Liga Argentina. O contrário não poderia ocorrer, devido ao veto de atletas brasileiros na Argentina. Mesmo assim não há qualquer discussão sobre adiar o evento festivo que gera bom caixa para a Liga Nacional de Basquete (LNB).

"Estamos atentos aos comunicados oficiais do governo brasileiro e tomaremos as medidas necessárias de acordo com o protocolo sugerido", explicou a Liga Nacional de Basquete (LNB), em nota. No mesmo sentido foi a Liga de Basquete Feminino (LBF), que começou no domingo e ainda "não cogita" suspender partidas ou proibir público.

A situação é idêntica à da Superliga, que também não tem previsão de adiar partidas ou determinar portões fechados exatamente no momento em que as médias de público devem subir exponencialmente, já que os playoffs estão por começar. Organizadora da competição, a CBV aguarda o governo.

"A CBV está atenta a tudo que vem acontecendo no cenário e, certamente, vai acatar as orientações e recomendações dos órgãos responsáveis caso venha qualquer indicação quanto a portões fechados ou paralisação do campeonato. A entidade está ciente de medidas que estão sendo tomadas no mundo e pronta para caso seja necessária qualquer mudança no campeonato", disse a confederação ao blog.

As entidades brasileiras batem na tecla de que cabe ao governo determinar eventuais medidas de contenção do Covid-19, mas não é isso que tem acontecido pelo mundo. Na Espanha, o governo exigiu portões fechados nas duas primeiras divisões do futebol, mas a federação espanhola foi além e pretende suspende o torneio. Na Polônia, a federação de vôlei paralisou o campeonato nacional. Na Itália foi o Comitê Olímpico Italiano (CONI) quem pediu ao governo para suspender todas as competições esportivas.

Por todo o mundo, organizadores de maratonas têm cancelado as provas ou, como aconteceu em Tóquio, limitado as provas a corredores de elite. Mas a principal maratona brasileira, a de São Paulo, única chancelada pela World Athletics, segue mantida para 5 de abril. A Yescom, organizadora da prova, diz que "o evento segue com seu cronograma normal de trabalho, com todas as atividades previstas". No ano passado, a corrida teve 14 mil participantes.

Procurada, a Secretaria Especial do Esporte não respondeu até a publicação desta reportagem as perguntas enviadas via assessoria de imprensa. O novo secretário, Marcelo Magalhães, tomou posse no cargo ontem e, hoje (11), não constavam reuniões em sua agenda.