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Quarentena por Covid-19 impede maior medalhista brasileiro de deixar Itália

Scheidt volta à vela olímpica aos 45: "Idade não é impeditivo" - Reprodução
Scheidt volta à vela olímpica aos 45: "Idade não é impeditivo" Imagem: Reprodução
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

11/03/2020 17h35

Classificado para disputar sua sétima Olimpíada, o que será um recorde para um brasileiro (empatado com Formiga, se a jogadora não se machucar), Robert Scheidt está com sua preparação olímpica afetada pelo novo coronavírus. A Itália, onde ele mora com a família, impôs duras regras para circulação de pessoas e o velejador não sabe se poderá viajar para o mais importante torneio de preparação do ano olímpico, o Troféu Princesa Sofia, em Palma de Mallorca (Espanha).

O tradicional torneio, aliás, corre sério risco de não acontecer, exatamente pela propagação do Covid-19 pela Espanha. O que Scheidt já sabe é que ele não poderá viajar a Mallorca para velejar com boa parte da elite da classe Laser nas duas semanas que antecedem o Princesa Sofia. "Para mim é ruim não ir para Palma, seria um treino importante, mas é a situação. Está fora do meu controle", afirmou.

"Por enquanto tive que cancelar a ida a Espanha amanhã (12). Ir para a Espanha com a Itália bloqueada é um risco muito grande. Eu poderia até tentar ir, mas oferece risco de quarentena e talvez dificuldade de retorno depois. Então o treino eu cancelei e a competição ainda está em stand by. Estou avaliando o cenário, os próximos dias, mas não é muito promissor não. De qualquer forma no momento ainda está mantida minha participação, mas nos próximos dias vou estar treinando por aqui", explicou Scheidt.

O brasileiro mora com a também medalhista olímpica Gintaré Scheidt e os filhos na beira do Lago di Garda, maior da Itália, que divide três estados, entre eles a Lombardia, onde está a maior parte dos casos de coronavírus na Itália. Mas especificamente a cidade onde eles moram não teve ainda nenhum caso e a rotina de atleta, segundo ele, pouco está alterada.

"As escolas estão fechadas, os clubes estão fechados, mas eu mantive meu barco fora do clube, então eu ainda consigo treinar na água, consigo fazer bicicleta fora, na rua ou na montanha. Na rotina não alterou grande coisa. A gente evita aglomerações sociais, só. Na nossa cidade não tem nenhum caso, a gente está com a saúde perfeita", contou.

Polo Aquático

Quem também está enfrentando problemas é a seleção masculina de polo aquático. A equipe está se preparando para disputar o Pré-Olímpico Mundial a partir do dia 22 em Roterdã, na Holanda, mas não sabe se a competição vai acontecer. A Federação Internacional de Natação (Fina) discute adiar todos os Pré-Olímpicos por até três meses - os de nado sincronizado e saltos ornamentais estão marcados para Tóquio, onde outros eventos-teste estão sendo realizados sem atletas, só com funcionários do comitê organizador.

Antes de chegar à Holanda, a seleção deveria passar pela Espanha e pela Itália, mas a segunda parte da viagem foi cancelada porque os atletas teriam que ficar em quarentena chegando à Holanda. Hoje eles estão em Barcelona, onde dois jogos-treinos já foram cancelados.

"Estamos tomando muito cuidado com a nossa higiene e evitando aglomerações. Até o momento, aqui em Barcelona, tivemos dois treinamentos cancelados, pois seriam jogos-treino contra clubes com muitos torcedores e isso formaria grupo de pessoas, então optamos por cancelar. Continuamos nossa preparação com auxílio de treinadores conhecidos, com times que fazem trabalhos específicos", comentou, ao blog, o coordenador técnico da seleção, Rick Azevedo, o Rochinha.