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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ativismo corporativo e os 5 Cs da diversidade

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Ricardo Mota

Ricardo Mota

Entusiasmado, criativo, inquieto, inconformado e impaciente mas sempre sorrindo e feliz. A oportunidade de atuar em diferentes áreas e segmentos expandiu sua capacidade de entender ainda melhor as necessidades da empresa e a importância das pessoas. Em sua bagagem acumula mais de 20 anos atuando como executivo de RH e a certeza que o sucesso só acontece quando você é genuíno em suas ações e relações. Formado em administração de empresa, pós em gestão de projetos e MBA em gestão estratégica de pessoas. Atualmente está como executivo de diversidade do Sistema Hapvida.

07/08/2021 06h00

O tema diversidade ganhou mais expressão com a consolidação do ESG (Enviroment, Social, e Governance) ou ASG (Ambiental, Social e Governança), que apesar de não ser um tema novo ganhou destaque nos últimos tempos dada sua importância para o mundo dos negócios. As empresas já entendem que a diversidade aumenta os resultados, o engajamento e a criatividade, e alguns fundos que investem em empresas priorizam seus aportes nas empresas que estão alinhadas com o tema e com a agenda 2030 da ONU, que contribui por meio das ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) para um plano global para alcançarmos as metas de um mundo melhor para todos e todas em relação aos direitos humanos. Então, falar de diversidade nada tem a ver com o politicamente correto, mas sim com a manutenção e criação de uma empresa e sociedade em que exista oportunidade para todo ser humano, independente de raça, orientação, gênero etc.

A nossa flexibilidade como país permite que aprendamos e consigamos sobreviver mesmo diante de tantos desafios e crises, e saem na frente as empresas que entendem que o diferencial são as pessoas e o que entregamos a ela e não apenas o produto.

A diversidade está diretamente ligada à sustentabilidade das empresas, aos direitos humanos e ao respeito às nossas pessoas. Afinal, sabemos que pessoas engajadas, motivadas e reconhecidas são mais criativas e produtivas.

Os desafios de trazer o tema para as empresas não são confortáveis, pois muitos nos tiram do espaço comum e limitante que vivemos. O mundo a mais do que o que conheço e vivo em meus círculos sociais. É preciso ampliar a consciência para ir além.
Por muitos anos os movimentos de luta, conhecidos como ATIVISMO, ficaram restritos aos grupos minoritários, pois estes foram excluídos de seus direitos como cidadãos e cidadãs e quando falamos sobre minorias estamos falando sobre minoria política e não ao número de pessoas, veja por exemplo que mulheres e negros são maioria no Brasil. E a luta neste caso é fazer valer o item 1 da declaração Universal dos Direitos Humanos que diz que todo ser humano nasce livre em direitos e dignidade.

Foi graças a estes movimentos que essas diferenças começaram a aparecer e a ampliar a visibilidade transformando em leis e direitos o que deveria ser básico para todo ser humano, ninguém está lutando para ser mais, mas sim para ter os direitos respeitados e válidos para todos.

Se analisarmos, historicamente, muitas das conquistas são tão básicas que chega a parecer brincadeira de mal gosto. Ainda trazemos em nossa sociedade o modelo escravocrata que exclui negros das posições de destaque, e não reconhecemos o nosso modelo estrutural que precisa de desconstrução. É comum ouvir "eu tenho amigos negros".

Quando falamos das mulheres, falamos dos direitos sobre seus corpos, sobre a sua remuneração, a maternidade e a igualdade que, apesar de ser pauta há mais de 90 anos, levará ainda mais 95 anos no Brasil para alcançarmos uma melhor performance segundo a ONU.

De acordo com pesquisa de uma importante consultoria, mais de 60% do público LGBTQIA+ omitem a sua orientação das empresas e mais de 30% das empresas disseram nesta mesma pesquisa que não contratariam o público para papeis de liderança e ainda 47% sofrerem algum tipo de preconceito por ser quem são. Vejam as pessoas com deficiência para as quais ainda hoje olhamos pela lente das cotas e não de suas competências.

Por isso, não é opcional para este tema estar nas pautas dos CEOs. É a sobrevivência das empresas e da evolução como sociedade. A organização, por meio de sua governança, tem a possibilidade de promover educação, acabar com o trabalho escravo através de políticas claras, inclusive com seus fornecedores, propor oportunidades iguais, desenhar planos de equidade para oferecer condições adequadas e assim alcançar todos os públicos contribuindo para o alcance dos objetivos de acelerar e promover o direito para todos. É necessário expandir sua cultura para uma cultura de inteligência e com foco no comportamento e no indivíduo.

Este movimento das empresas tenho chamado de ATIVISMO CORPORATIVO. É o momento de entender a luta que vem desde muito tempo, integrar equipes e darmos o próximo passo. Essa luta é nossa e não de um grupo específico. O que precisamos é, sim, aprender com quem está nesta jornada há tanto tempo e traçarmos como entramos para apoiar no movimento de direito e respeito por todas as pessoas.

E para fazer parte deste ativismo corporativo temos que desenvolver, redescobrir ou redefinir alguns skills que chamei dos 5 Cs da diversidade:

  • CURIOSIDADE: Para estarmos abertos ao diferente, a novas ideias e experiências e não ter narrativa única.
  • CONHECIMENTO: Para entender, compreender e mudar os vieses que carregamos.
  • COLABORAÇÃO: Para gerar melhores resultados.
  • COMPROMETIMENTO: Para seguir com disciplina e manter o curso diante das adversidades.
  • CORAGEM: Agir com o coração, fazer as coisas com grandeza e pureza da alma, nobreza de caráter.

É preciso ter um plano estratégico claro do que queremos, por que queremos, onde e como chegaremos lá. Falar e implantar diversidade e inclusão tem que ser e estar na pauta de todos os executivos e não de uma área específica, afinal já está comprovado que quanto mais diversa for a sua equipe melhor será o resultado, a criatividade e o engajamento. Então, entenda que diversidade não é instrumentalizar as pessoas mas sim humanizar as relações.

Sozinho você chega lá, mas juntos chegamos mais longe.

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