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Distribuidoras ignoram assunto, mas games ficarão mais caros no Brasil

Analisamos se a tendência pós-pandemia é de que os jogos fiquem cada vez mais salgados - Divulgação/Gmbox
Analisamos se a tendência pós-pandemia é de que os jogos fiquem cada vez mais salgados Imagem: Divulgação/Gmbox

Rodrigo Lara

Colaboração para o START

30/06/2020 04h00

Jogo Rápido

  • Games como FIFA 21 já aparecem com preços que vão de R$ 299 a R$ 499
  • Alta do dólar afeta os preços no Brasil, e pode complicar ainda mais a situação com a nova geração de consoles
  • Produtoras e distribuidoras não se posicionaram sobre o assunto; PlayStation informou que preços são reflexos das condições atuais de mercado

Se você acha que pagar R$ 250 em um jogo é um absurdo, trago más notícias: os próximos lançamentos de games no Brasil têm tudo para te deixar de cabelo em pé e de carteira vazia.

O assunto surgiu com mais força diante da alta galopante do dólar e dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, que fizeram consoles ficarem mais caros e até mesmo "sumirem" do mercado.

E virou tema do dia na metade de junho, após a EA apresentar games como FIFA 21 e Madden 21 e os títulos entrarem em período de pré-venda com preço inicial de R$ 299. Esse valor vale para as versões para PC, PlayStation 4 (aqui com um leve desconto de R$ 1) e Xbox One e pode chegar aos incríveis R$ 499 nas variantes mais completas desses games. Antes disso, no entanto, a PlayStation já havia aumentado o preço dos games exclusivos para PS4.

Um exemplo é a versão digital de The Last of Us Parte II: quando entrou em pré-venda, no final de 2019, o preço era de R$ 199. Esse valor mudou rapidamente após a PlayStation afirmar que se tratava de um erro, indo para R$ 249. Uma vez lançado, para ter o game é preciso desembolsar R$ 279,90.

Ghost of Tsushima - Divulgação/Sony - Divulgação/Sony
Imagem: Divulgação/Sony

Ghost of Tsushima, próximo exclusivo do PS4, deve tomar caminho similar. No momento, ele é vendido por R$ 249,90 na PlayStation Store.

Podia ser pior

Xbox PS4 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

A dúvida que fica diante disso é: será que R$ 300 se tornará o preço padrão para games "AAA" lançados no Brasil? Ao que tudo indica, ao menos quando falamos de games "third party", feitos por empresas terceiras, a resposta é sim.

Death Stranding - Death Stranding, sua última criação, foi recebido com opiniões divididas pela público (Imagem: Reprodução) - Death Stranding, sua última criação, foi recebido com opiniões divididas pela público (Imagem: Reprodução)
Imagem: Death Stranding, sua última criação, foi recebido com opiniões divididas pela público (Imagem: Reprodução)

Neste caso, a melhor opção para entender o que os jogadores brasileiros terão pela frente é usar o clichê: olhar para o passado. Mais precisamente para o início de 2015, quando os games AAA passaram a custar R$ 250 por aqui.

Na ocasião, o "culpado" é o mesmo de hoje: o dólar, que deixava para trás de maneira consistente a barreira dos R$ 3. E, em uma conversão direta usando a maior cotação do dólar naquele período (R$ 3,31), isso significava que o brasileiro chegou a pagar o equivalente a US$ 75,52 por um jogo novo, preço consideravelmente acima dos US$ 60 cobrados por um lançamento no mercado norte-americano.

Caso os R$ 300 realmente se tornem o padrão, isso significa que o brasileiro pagaria o equivalente a US$ 56,07 (aqui, a cotação usada é a do momento de fechamento deste texto, R$ 5,35 para cada dólar) por um novo game.

Dólar Junho 2020 - Arte/UOL - Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Essa conta nos leva a duas constatações. A primeira é que, por mais que R$ 300 doa no bolso, se fosse seguido à risca a conversão o preço "justo" dos games no Brasil - usando apenas a conversão da moeda - seria de R$ 321. Estamos "no lucro", portanto.

Já a segunda é que, caso fosse adotada a mesma "fórmula" de aumento vista em 2015, os games teria um salto de preço ainda mais dolorido: teríamos que pagar R$ 404 para jogarmos uma novidade. Assustador, não é?

Distribuidores se esquivam

Xbox Series X - Microsoft - Microsoft
Imagem: Microsoft

O START procurou as representações brasileiras de PlayStation, Xbox, Warner (que também distribui games da EA e da Capcom no Brasil), EA e Ubisoft para comentarem sobre o assunto. A ideia, claro, era ter uma posição mais transparente sobre os jogadores daqui podem esperar para o futuro sobre esse assunto.

Infelizmente, as respostas, quando vieram, foram as mais evasivas possíveis. Até o fechamento desta reportagem, a única empresa a se posicionar sobre o questionamento foi a PlayStation - sem, no entanto, dar qualquer informação palpável. A empresa se limitou a dizer que "os preços refletem as condições atuais do mercado".

Dentre as demais procuradas, EA e Ubisoft optaram por se não manifestar. Já Xbox e Warner não enviaram qualquer resposta a tempo.

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