Topo

Chico Barney

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Falta responsabilidade afetiva para quem revela final de Succession

O irmão de Macaulay Culkin em cena de Succession, da HBO - Reprodução/HBO
O irmão de Macaulay Culkin em cena de Succession, da HBO Imagem: Reprodução/HBO

Colunista do UOL

29/05/2023 08h13

Receba os novos posts desta coluna no seu e-mail

Email inválido

Como usuário mais frequente do que o recomendado das chamadas redes sociais, estou por dentro da série Succession mesmo sem nunca tê-la assistido. Até comecei a ver o primeiro episódio há uns meses, mas fiquei incomodado com a câmera trêmula como se fosse um ousado videoclipe do Prodigy dos anos 1990 e desisti.

De qualquer forma, ainda nutria alguma esperança de aguardar o momento certo e conseguir maratonar todas as temporadas dessa que é considerada uma das melhores séries de todos os tempos, talvez por pessoas que não tenham tido acesso a The Wire ou CSI: Las Vegas.

Mas infelizmente o modelo de consumo de conteúdo nos tempos atuais é uma faca de dois gumes. Não senti a devida urgência para acompanhar o programa da moda e perdi a oportunidade de curtir um raro momento de catarse nas noites de domingo ao longo desses últimos quatro anos.

Liberdade ou solidão? Ao mesmo tempo em que agora podemos curtir uma série a qualquer momento, na hora em que bem entendemos, também corremos o risco de nos desconectarmos da matilha de aficionados pelos mesmos assuntos que nós.

E aí várias séries e filmes que pareciam interessantíssimos vão ficando perdidos na pilha de boas oportunidades de entretenimento por causa do timing de nossas escolhas sobre como aproveitar os momentos de ócio.

Além disso, o inescapável fluxo de informação do qual somos alvo na internet fez com que eu soubesse não só de informações gerais da trama de Succession, mas também de detalhes sórdidos do desenrolar da trama. Fiquei de luto quando soube que aquele senhorzinho tão simpático veio a óbito algumas semanas atrás.

Por isso que penso que falta responsabilidade afetiva para quem comenta o final de uma série livremente nas redes sociais, sem maiores pudores. Não custa ser um pouco misterioso de vez em quando.

Mas isso levanta outra questão fundamental de nossos tempos. Até que ponto saber tanto sobre algo enfraquece a experiência?

Provavelmente jamais saberei, pois ainda tenho duas temporadas de Ozark para assistir, outras tantas de The Americans e ainda nem comecei Mad Men. Mas uma hora dessas, quem sabe. Se bem que preciso retomar Todas as Flores, parei no segundo capítulo. Bom, a gente vai se falando.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.