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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Itália é bom exemplo para Argentina saber o que não fazer até novembro

Dybala marcou já nos acréscimos da partida da Argentina contra a Itália, válida pela Finalíssima - Glyn KIRK / AFP
Dybala marcou já nos acréscimos da partida da Argentina contra a Itália, válida pela Finalíssima Imagem: Glyn KIRK / AFP
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

02/06/2022 07h04

A Itália foi campeã da Eurocopa em julho do ano passado, celebrando a conquista e uma invencibilidade que chegou a 34 partidas na final contra a Inglaterra e alcançou a marca histórica de 37 pouco depois. Mas caiu de produção no pior momento, está fora do Mundial no Catar e transformou o título histórico em apenas um espasmo.

Agora com direito a uma tunda de 3 a 0 para a Argentina na "Finalíssima", duelo criado entre o campeão da Euro e o da Copa América. Depois de um início complicado, com dificuldades para ajustar a distância da marcação e a rapidez das transições ofensivas, a equipe de Lionel Messi passeou em Wembley.

Lautaro Martínez, Di María e Dybala foram às redes e saiu barato para a Azzurra, em um jogo de 17 finalizações dos sul-americanos, dez no alvo.

Com a albiceleste chegando a 32 partidas de invencibilidade e, enfim, adicionando ao retrospecto uma seleção europeia de respeito, porém em baixa. Ainda assim, nem em 2014 a bicampeã mundial se aproximou da Copa com tamanho protagonismo, mesmo considerando que o jogo em que corria mais riscos de perder a série sem derrotas, contra o Brasil, líder absoluto das eliminatórias, na Neo Química Arena, foi interrompido pela Anvi

Lembra 2002, inclusive com a França sendo a maior favorita por ostentar o título mundial e contar com talentos mais brilhantes no momento. A questão para o treinador Scaloni e seus comandados é mudar o final da história. Pelo menos desta vez não há grupo da morte, como há 20 anos. Em vez de Inglaterra, Suécia e Nigéria, os adversários serão Arábia Saudita, México e Polônia.

Mas não muda uma regra básica no mais alto nível do futebol de seleções: o mês para chegar ao auge é justamente o da disputa do Mundial. E a consagração do ciclo só vem com a taça.

Como a Itália de 1982, que, depois do quarto lugar na Eurocopa de 1980, disputou 17 partidas entre 1981 e 1983. Venceu Luxemburgo, depois ficou seis partidas sem triunfar. Após a conquista do Mundial na Espanha, mais seis jogos sem vitórias. Ganhou apenas quatro no período. Argentina, Brasil, Polônia e Alemanha. As que renderam o troféu. Nem precisou de um mês naquele verão europeu, só de 29 de junho a 11 de julho. 12 dias.

Agora a longa invencibilidade de nada valeu. Assim como pode significar pouco para a Argentina, que aumenta ainda mais a autoestima com outro troféu erguido por Messi. Mas Copa do Mundo é outra história. E disputada no meio da temporada europeia mais ainda. Pelo menos a atual campeã da América do Sul sabe o que não fazer até novembro.

(Estatísticas: SofaScore)